{"id":14011,"date":"2009-01-14T16:33:00","date_gmt":"2009-01-14T16:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14011"},"modified":"2009-01-14T16:33:00","modified_gmt":"2009-01-14T16:33:00","slug":"luta-de-autocarros-ou-hora-de-acordar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/luta-de-autocarros-ou-hora-de-acordar\/","title":{"rendered":"Luta de autocarros ou hora de acordar?"},"content":{"rendered":"<p>A milit\u00e2ncia ateia n\u00e3o termina, nem desarma. A nova modalidade, a do autocarro que prega e provoca, come\u00e7a em Londres, j\u00e1 duplica em Barcelona e j\u00e1 \u00e9 acontecimento em Madrid. A coisa, na sua express\u00e3o vis\u00edvel, reduz-se a pouco. Autocarros do servi\u00e7o p\u00fablico rodam pelas ruas da cidade com grandes letreiros publicit\u00e1rios, que dizem assim: \u201cProvavelmente Deus n\u00e3o existe. Deixa de te preocupar e goza a vida\u201d.<\/p>\n<p>Como era de esperar, surgiu logo, na capital espanhola, a resposta ao desafio. Outra faixa publicit\u00e1ria responde \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o ateia, dizendo: \u201cDeus existe. Goza a vida em Cristo\u201d. E, assim, se entra numa guerra em que, certamente, Deus n\u00e3o est\u00e1 interessado.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 bem vis\u00edvel e traduz-se em poucas palavras. Se ateus e agn\u00f3sticos assim professam e publicitam as suas convic\u00e7\u00f5es, porque n\u00e3o h\u00e3o-de tamb\u00e9m os crentes mostrar a sua f\u00e9 e serem dela militantes? Mundo laico, democrata e plural, na vida das pessoas d\u00e1 direitos iguais, a menos que os crentes parem para ler o \u201csinal dos tempos\u201d.<\/p>\n<p>Para os meios de comunica\u00e7\u00e3o social tudo isto \u00e9 not\u00edcia que ajuda a vender e a aumentar audi\u00eancias. J\u00e1 est\u00e3o dando sinais e, por um tempo, as coisas v\u00e3o continuar. At\u00e9 que o autocarro pare. A publicidade deixa de interessar, quando j\u00e1 n\u00e3o diz nada e n\u00e3o vende.  Publicit\u00e1rios e consumidores apercebem-se desse momento. H\u00e1 que saber esperar<\/p>\n<p>Sabemos que onde h\u00e1 milit\u00e2ncia, h\u00e1 tamb\u00e9m criatividade. Passados meses, vai surgir nova provoca\u00e7\u00e3o, que o tempo se encarregar\u00e1 de que se lhe pague igual tributo. Por isso mesmo, o mais importante n\u00e3o \u00e9 rasgar vestes por raz\u00e3o do esc\u00e2ndalo, nem fomentar campanhas portadoras de repulsa, nem disputar formas de melhor imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De h\u00e1 muito se vem dizendo que os crist\u00e3os t\u00eam de aprender a viver, a estar de p\u00e9, a testemunhar convic\u00e7\u00f5es, num mundo que n\u00e3o \u00e9 uniforme nem no pensar, nem no agir.<\/p>\n<p>O Vaticano II diz que \u201crecusar Deus ou a religi\u00e3o ou n\u00e3o se preocupar com isso, n\u00e3o \u00e9, ao contr\u00e1rio de outros tempos, um facto excepcional ou individual\u2026 Em muitas regi\u00f5es o ate\u00edsmo e o agnosticismo n\u00e3o se exprimem s\u00f3 ao n\u00edvel filos\u00f3fico, mas, tamb\u00e9m, em larga escala afectam a literatura, a arte, a concep\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias humanas e da hist\u00f3ria e as pr\u00f3prias leis civis\u201d. Aparecem assim como \u201cuma exig\u00eancia do progresso cient\u00edfico e de um qualquer novo humanismo\u201d. Quarenta anos depois \u00e9 ainda assim, n\u00e3o obstante o abrir do cora\u00e7\u00e3o de muitos que, ent\u00e3o e depois, se diziam ateus e que hoje j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja e os crist\u00e3os, mais do que entrar em batalhas in\u00fateis, usando armas e meios iguais quando v\u00eaem desres-peitadas as suas convic\u00e7\u00f5es por gente que pensa de outro modo e faz da sua \u201ccren\u00e7a\u201d uma milit\u00e2ncia p\u00fablica, t\u00eam de perceber este fen\u00f3meno nas sua diversas express\u00f5es, ir ao fundo das raz\u00f5es que o provocam, saber discernir, serenamente, a mensagem que lhes chega, por parte do Deus em que acreditam.<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o \u00e9 uma prova da raz\u00e3o, \u00e9 raz\u00e3o da f\u00e9. E a f\u00e9 \u00e9 um dom que d\u00e1 raz\u00f5es para viver com liberdade e dignidade, d\u00e1 sentido ao agir di\u00e1rio, provoca rela\u00e7\u00f5es marcadas pelo  amor e pelo respeito, fomenta um humanismo real em que o homem e mulher s\u00e3o pessoas integrais e nunca mutiladas. <\/p>\n<p>A f\u00e9 leva o crente a aceitar o desafio de mostrar pela sua vida que Deus est\u00e1 vivo e que o cont\u00e1gio da f\u00e9 se d\u00e1 pelas boas obras, n\u00e3o por argumentos racionais, influ\u00eancias humanas ou gritos de vit\u00f3ria. A f\u00e9 mostra que acreditar n\u00e3o \u00e9 um absurdo, mas caminho de felicidade e de realiza\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>A campanha contra Deus vem mostrar a necessidade de saber dizer Deus com a vida e sublinhar a necessidade da forma\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 simples tradi\u00e7\u00e3o. Os pais e os outros crentes s\u00e3o mediadores da transmiss\u00e3o da f\u00e9, n\u00e3o seu fundamento ou raz\u00e3o profunda. O que vem de Deus, conhecendo-se melhor a fonte de onde prov\u00e9m, tem for\u00e7a de convic\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o. Ao crente n\u00e3o apavoram as investidas do ateu. H\u00e1 que enriquecer a raz\u00e3o de crer para viver liberto num mundo velho, que se nega \u00e0 eterna novidade de Deus. Aos novos fautores da \u201cmorte de Deus\u201d, a hist\u00f3ria n\u00e3o ensina nada? <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A milit\u00e2ncia ateia n\u00e3o termina, nem desarma. A nova modalidade, a do autocarro que prega e provoca, come\u00e7a em Londres, j\u00e1 duplica em Barcelona e j\u00e1 \u00e9 acontecimento em Madrid. A coisa, na sua express\u00e3o vis\u00edvel, reduz-se a pouco. 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