{"id":14057,"date":"2009-01-21T17:59:00","date_gmt":"2009-01-21T17:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14057"},"modified":"2009-01-21T17:59:00","modified_gmt":"2009-01-21T17:59:00","slug":"ha-ou-nao-um-cavalo-na-historia-de-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-ou-nao-um-cavalo-na-historia-de-paulo\/","title":{"rendered":"H\u00e1 ou n\u00e3o um cavalo na hist\u00f3ria de Paulo?"},"content":{"rendered":"<p>TOLENTINO MENDON\u00c7A<\/p>\n<p>Padre, Poeta<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe. Pelo menos nenhum texto dos Actos ou das Cartas o refere. Mas se nos fizessem a pergunta, e sem pensar muito, quase todos dir\u00edamos que sim. Simplesmente porque a tradi\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica representou o Ap\u00f3stolo dessa maneira, e numa intensidade t\u00e3o impressiva, que est\u00e1vamos prontos a jurar ter lido em qualquer passo acerca dele. H\u00e1, de facto, um inesquec\u00edvel cavalo, mas nas imagens de D\u00fcrer, Miguel \u00c2ngelo, Tintoretto, Rubens, Parmigianino\u2026 &#8211; uma lista intermin\u00e1vel! Frequente-mente referido \u00e9 o da pintura de Caravaggio, intitulada \u201cConvers\u00e3o de S\u00e3o Paulo\u201d: Paulo surge ca\u00eddo por terra, com os bra\u00e7os abertos e levantados, como quem acolhe o invis\u00edvel; os olhos completamente cerrados, ligados agora a um outro entendimento. E, no centro, um cavalo imenso, a deslocar-se suavemente para fora de cena, como se n\u00e3o fosse j\u00e1 necess\u00e1rio, ou adivinhasse que come\u00e7ava, precisamente aqui, outro tipo de viagens para o seu cavaleiro derrubado.<\/p>\n<p>Se o texto b\u00edblico n\u00e3o alude \u00e0 presen\u00e7a de um cavalo, como se chegou a essa representa\u00e7\u00e3o? H\u00e1 um motivo que joga com aquilo que o relato n\u00e3o diz, mas que \u00e9 previs\u00edvel (de facto, o cavalo seria um meio de transporte utilizado). E h\u00e1 uma importante raz\u00e3o simb\u00f3lica. O texto de Actos 9 conta que Paulo \u201crespirava amea\u00e7as e mortes contra os disc\u00edpulos do Jesus\u201d e foi pedir ao Sumo Sacerdote \u201ccartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, se encontrasse homens e mulheres que fossem desta Via, os trouxesse algemados para Jerusal\u00e9m\u201d. O seu retrato \u00e9, portanto, o de um homem investido de for\u00e7a, acorrentado a uma convic\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel. Ora o que a narrativa vai, em seguida, mostrar \u00e9 a prostra\u00e7\u00e3o e a fragilidade de uma personalidade assim perante a revela\u00e7\u00e3o de Jesus (\u201cSaulo, Saulo, porque me persegues?\u201d).<\/p>\n<p>Os textos b\u00edblicos n\u00e3o dizem que Paulo tombou de um cavalo, apenas que \u201ccaiu por terra\u201d. Mas interpretando a reviravolta que este encontro provocou, artistas e comentadores espirituais n\u00e3o hesitaram em enfatizar esta queda. A globalidade da hist\u00f3ria de Paulo mostra que est\u00e3o certos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TOLENTINO MENDON\u00c7A Padre, Poeta N\u00e3o se sabe. Pelo menos nenhum texto dos Actos ou das Cartas o refere. Mas se nos fizessem a pergunta, e sem pensar muito, quase todos dir\u00edamos que sim. Simplesmente porque a tradi\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica representou o Ap\u00f3stolo dessa maneira, e numa intensidade t\u00e3o impressiva, que est\u00e1vamos prontos a jurar ter lido [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-14057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14057"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14057\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}