{"id":14076,"date":"2009-01-29T10:21:00","date_gmt":"2009-01-29T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14076"},"modified":"2009-01-29T10:21:00","modified_gmt":"2009-01-29T10:21:00","slug":"com-o-voluntariado-somos-mais-saudaveis-e-dignos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/com-o-voluntariado-somos-mais-saudaveis-e-dignos\/","title":{"rendered":"&#8220;Com o voluntariado, somos mais saud\u00e1veis e dignos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rio da Amaz\u00f3nia acolhe jovens de Aveiro <!--more--> Chama-se Ant\u00f3nio de Assis Ribeiro, mas \u00e9 conhecido como Padre Bira. Salesiano, ordenado em 1995, \u00e9 mission\u00e1rio em comunidades das margens do Rio Madeira, um dos grandes afluentes do Amazonas. O P.e Bira e a sua comunidade t\u00eam acolhido jovens da Diocese de Aveiro em voluntariado mission\u00e1rio. A partir de hoje, durante um ano, recebe a S\u00f3nia. De passagem por Aveiro, depois de outros afazeres que o trouxeram \u00e0 Europa, conversou com o Correio do Vouga sobre o trabalho mission\u00e1rio entre os povos ribeirinhos e o voluntariado juvenil<\/p>\n<p>CV &#8211; Como \u00e9 o seu trabalho de mission\u00e1rio?<\/p>\n<p>P.e Bira &#8211; N\u00e3o se trata de fazer o primeiro an\u00fancio. Esse j\u00e1 foi feito pelos mission\u00e1rios que nos precederam. Temos salesianos que trabalham com as tribos ind\u00edgenas dos ianomami (na fronteira com a Venezuela) e dos tucanos (na fronteira com a Col\u00f4mbia). Eu trabalhei com os tucanos, no munic\u00edpio de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira. Agora estou actuando no munic\u00edpio de Manicor\u00e9. O nosso trabalho \u00e9 de manuten\u00e7\u00e3o da f\u00e9 das comunidades eclesiais de base e atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o social da par\u00f3quia. Significa apoio \u00e0 escola, promo\u00e7\u00e3o da cultura, do desporto e do lazer com a juventude, defesa e promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Caminha mais ou menos por a\u00ed.<\/p>\n<p>A mentalidade e as preocupa\u00e7\u00f5es dos povos ribeirinhos s\u00e3o diferentes das dos outros brasileiros?<\/p>\n<p>Sim. Os povos ribeirinhos vivem muito mais ao ritmo da natureza. H\u00e1 pouca preocupa\u00e7\u00e3o com o trabalho, com a tecnologia, com a explora\u00e7\u00e3o. Vivem o seu quotidiano com muita simplicidade, a partir do que a natureza oferece. H\u00e1 toda uma cultura e agricultura de subsist\u00eancia, muito simples. Colhem-se os produtos; v\u00e3o at\u00e9 \u00e0 cidade, vendem e voltam para o seu ambiente; pescam. Hoje estamos muito preocupados com a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e  da sa\u00fade. Porque quando essas comunidades n\u00e3o s\u00e3o bem atendias pelo munic\u00edpio, acontece o \u00eaxodo rural. Muitas comunidades ribeirinhas deixaram de existir porque as pessoas foram viver para a cidade, engrossando as bolsas de pobreza. Quanto mais atendimento houver no campo da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o, mais elas vivem com dignidade e n\u00e3o saem dos seus ambientes.<\/p>\n<p>O seu trabalho de mission\u00e1rio passa muito pelos Direitos Humanos\u2026<\/p>\n<p>Sim. Hoje a Amaz\u00f3nia tornou-se objecto de preocupa\u00e7\u00e3o do mundo todo. O mundo olha para a Amaz\u00f3nia. Creio que a Amaz\u00f3nia n\u00e3o ser\u00e1 preservada se n\u00f3s n\u00e3o conscientizarmos o amaz\u00f3nida, ou seja, aquele que vive l\u00e1, a lutar pela pr\u00f3pria protec\u00e7\u00e3o, a zelar pela sua cultura e seus valores. O amaz\u00f3nida compreende que \u00e9 necess\u00e1rio assumir um modo de viver que n\u00e3o agrida o ambiente e ao mesmo tempo tem de ser capaz de denunciar aqueles que v\u00eam de fora para destruir. Quem destr\u00f3i a Amaz\u00f3nia n\u00e3o s\u00e3o os povos amaz\u00f3nicos. S\u00e3o as pessoas que v\u00eam ou do sul do Brasil ou do estrangeiro, que compram grandes extens\u00f5es de terra e come\u00e7am a fazer aquilo que querem, destruindo, tirando a madeira de modo ilegal, ou outros produtos, plantando soja, criando gado\u2026<\/p>\n<p>Os Direitos Humanos est\u00e3o ligados \u00e0 protec\u00e7\u00e3o do meio-ambiente, que para n\u00f3s \u00e9 Cria\u00e7\u00e3o de Deus\u2026<\/p>\n<p>Sim, a consci\u00eancia ecol\u00f3gica \u00e9 muito importante: compreender e respeitar os solos, explorar a natureza de modo saud\u00e1vel. Isso \u00e9 insepar\u00e1vel da consci\u00eancia da dignidade humana: ter direito a transportes, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, \u00e0 escola, \u00e0 sa\u00fade. Os povos ribeirinhos n\u00e3o s\u00e3o povos exclu\u00eddos nem est\u00e3o entregues \u00e0s circunst\u00e2ncias da natureza. S\u00e3o pessoas que vivem geograficamente noutro contexto, mas t\u00eam os mesmos direitos.<\/p>\n<p>Anda muito de barco no seu trabalho?<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 barco. Manicor\u00e9 est\u00e1 a 340 km de Manaus, a capital do Estado, subindo para o interior, rumo \u00e0 Bol\u00edvia. Como transporte temos a hidrovia e o barco. N\u00e3o temos estrada. Avi\u00e3o e barco s\u00e3o os \u00fanicos dois meios que temos. Demoramos dois dias de barco de Manaus a Manicor\u00e9 ou 45 minutos de voo.<\/p>\n<p>Como \u00e9 a sua par\u00f3quia?<\/p>\n<p>Sou p\u00e1roco de uma par\u00f3quia com cerca de 250 km de extens\u00e3o [o equivalente \u00e0 dist\u00e2ncia de Aveiro a Lisboa], sempre nas margens do rio, com 75 comunidades. Eu estou mais no centro, cuidando de dez comunidades. O outro sacerdote, com um grupo de leigos, vai visitando as outras comunidades, rio abaixo, rio acima. Todos os anos fazemos uma assembleia dos l\u00edderes ribeirinhos. Na \u00faltima assembleia um dos assuntos abordado foi o desenvolvimento humano. \u00c9 cada vez mais uma preocupa\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as crist\u00e3s.<\/p>\n<p>No pouco tempo que esteve em Aveiro, passou por escolas, encontrou-se com leigos jovens e adultos\u2026<\/p>\n<p>Vejo que h\u00e1 sensibilidade. A Igreja de Aveiro \u00e9 muito aberta. H\u00e1 abertura mission\u00e1ria, uma sensibilidade solid\u00e1ria muito significativa. \u00c9 a segunda vez que estou aqui. Estive tamb\u00e9m em Janeiro de 2006 e vi essa preocupa\u00e7\u00e3o. A minha prov\u00edncia tem trabalhado com volunt\u00e1rios c\u00e1 de Aveiro. Tivemos o Pedro, depois a Ana, o Ant\u00f3nio, e agora vai a S\u00f3nia. Vim para me encontrar com a S\u00f3nia e a sua fam\u00edlia. A partilha da experi\u00eancia mission\u00e1ria \u00e9 partilha de Igreja.<\/p>\n<p>Do seu ponto de vista, qual \u00e9 a grande vantagem de um jovem fazer a experi\u00eancia de voluntariado mission\u00e1rio?<\/p>\n<p>Estamos hoje num mundo globalizado. A globaliza\u00e7\u00e3o significa o interc\u00e2mbio de produtos, de ideias, mas tamb\u00e9m de valores, de experi\u00eancias de vida, preocupa\u00e7\u00f5es com a dignidade humana. Vejo que a experi\u00eancia do voluntariado \u00e9 muito significativa para sermos mais humanos, para sermos mais saud\u00e1veis e dignos. \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de que todos somos respons\u00e1veis uns pelos outros.<\/p>\n<p>Na sua comunidade recebe apenas jovens de Aveiro?<\/p>\n<p>Temos um projecto chamado VIPA &#8211; Voluntariado Internacional para a Amaz\u00f3nia. Acolhemos jovens de It\u00e1lia, Pol\u00f3nia, Portugal, Jap\u00e3o\u2026 Tem sido uma experi\u00eancia muito rica.<\/p>\n<p>O que recebe a sua comunidade dos jovens que acolhe?<\/p>\n<p>Do ponto de vista t\u00e9cnico recebem o que cada um leva em termos de forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica e profissional. Mas recebem tamb\u00e9m a sensibilidade, o desejo de querer partilhar, a conviv\u00eancia, o servi\u00e7o concreto, nem que seja para estar com os jovens no desporto ou dar aulas. Essa vis\u00e3o de partilha \u00e9 a grande contribui\u00e7\u00e3o. A sua presen\u00e7a. O volunt\u00e1rio que sai daqui n\u00e3o vai para resolver nenhum problema l\u00e1 fora. Vai para partilhar o seu ser, a sua sensibilidade, o seu cora\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a \u00e9 um dos maiores gestos de solidariedade.<\/p>\n<p>&#8220;De mente, cora\u00e7\u00e3o e bra\u00e7os abertos&#8221;<\/p>\n<p>S\u00f3nia Pinho, de Lombome\u00e3o (Vagos), parte hoje, como volunt\u00e1ria, para Manicor\u00e9. Licenciada em L\u00ednguas e Rela\u00e7\u00f5es Empresariais, a jovem de 25 anos deixa a sua profiss\u00e3o de gestora de exporta\u00e7\u00e3o para trabalhar na reabilita\u00e7\u00e3o de jovens atrav\u00e9s de actividades educativas e recreativas. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que vai trabalhar numa miss\u00e3o, porque j\u00e1 esteve em Mo\u00e7ambique, no Ver\u00e3o de 2005, mas agora \u00e9 por mais tempo: um ano. O desafio \u00e9 encarado \u201ccom serenidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma decis\u00e3o muito maturada e, por isso, vai resistindo a alguns medos naturais pr\u00e9-partida\u201d, afirma S\u00f3nia Pinho. \u201cO maior receio \u2013  continua \u2013 \u00e9 mesmo o da hip\u00f3tese de n\u00e3o conseguir estar \u00e0 altura da viv\u00eancia que me aguarda. Neste momento, a minha ideia, ainda muito incipiente, \u00e9  que terei a oportunidade de aprender muito, de fazer coisas, tamb\u00e9m, claro. Mas sei que vou aprender muito e, dessa forma, potenciar os trabalhos futuros c\u00e1. Vou de mente, cora\u00e7\u00e3o e bra\u00e7os abertos para o que for necess\u00e1rio, para o j\u00e1 programado e para o imprevisto\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rio da Amaz\u00f3nia acolhe jovens de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-14076","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14076"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14076\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}