{"id":14158,"date":"2009-02-05T14:46:00","date_gmt":"2009-02-05T14:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14158"},"modified":"2009-02-05T14:46:00","modified_gmt":"2009-02-05T14:46:00","slug":"a-pergunta-que-todos-colocamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-pergunta-que-todos-colocamos\/","title":{"rendered":"A pergunta que todos colocamos"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra <!--more--> V Domingo do Tempo Comum \u2013 Ano B<\/p>\n<p>Job 7,1-4.6-7; Sl 146; 1 Cor 9,16.22-23; Mc 1,29-39<\/p>\n<p>Sabemos a for\u00e7a que tinha no pensamento religioso do povo judeu do Antigo Testamento (AT) a doutrina da retribui\u00e7\u00e3o. Segundo esta doutrina, tanto o justo como o \u00edmpio recebem j\u00e1, nesta vida, a recompensa das suas ac\u00e7\u00f5es. Assim, infelicidade, pobreza, doen\u00e7a e sofrimento s\u00e3o os males merecidos pelo pecador. Felicidade, abund\u00e2ncia, sa\u00fade e alegria s\u00e3o os bens que deve receber aquele que \u00e9 fiel a Deus. Mas hoje, na primeira leitura, deparamo-nos com uma hist\u00f3ria diferente e surpreeendente para a mentalidade do AT. Trata-se da hist\u00f3ria de Job, um homem justo, bom, fiel a Deus, que vive submerso num grande sofrimento e sem esperan\u00e7a: \u201cComo o escravo que suspira pela sombra e o trabalhador espera pelo seu sal\u00e1rio, assim eu recebi em heran\u00e7a meses de desilu\u00e3o\u201d (Job 7,2-3).<\/p>\n<p>Neste caso \u00e9 o inocente que sofre, e a pregunta existencial que perpassa por todo o libro de Job \u00e9 tremendamente actual: Por que sofre o justo, o inocente, aquele que n\u00e3o fez sen\u00e3o o bem? Se lermos o libro at\u00e9 ao fim, vemos que Job n\u00e3o recebe da parte de Deus nenhuma resposta te\u00f3rica \u00e0s suas interroga\u00e7\u00f5es sobre o mal. O que descobrimos \u00e9 que Job aprende que, quando o homem est\u00e1 mergulhado na dor e no sofrimento, \u00e9 necess\u00e1rio que continue a dialogar, a procurar, a crer e a esperar em Deus. Se perseverar nesta experi\u00eancia, purificam-se as falsas imagens de Deus, aquelas que s\u00e3o projec\u00e7\u00f5es humanas. Por isso, quase no final do libro, Job pode afirmar com convic\u00e7\u00e3o: \u201cEu conhcecia-te s\u00f3 por ouvir. Agora, por\u00e9m, os meus olhos v\u00eaem-Te\u201d (Job 42,5). <\/p>\n<p>Perante as experi\u00eancias quotidianas que nos fazem sentir a nossa inutilidade, perante as m\u00e1s noticias ou os sofrimentos da vida, muitas vezes tamb\u00e9m n\u00f3s, como Job, manifestamos o nosso pesimismo: \u201cCouberam-me em sorte noites de amargura\u2026 Os meus olhos nunca mais ver\u00e3o a felicidade\u201d (Job 7,3.7). Acompanhados e apoiados na experi\u00eancia de Job, a Escritura convida-nos a aproveitar estas circunst\u00e2ncias como uma oportunidade. <\/p>\n<p>Chegou o momento de nos abrirnos diante de Deus e de ter com Ele um di\u00e1logo frente a frente, um di\u00e1logo honesto, existencial, sincero, claro, colocando a Deus as nossas perguntas e medos. Se a nossa atitude, como Job, for de sinceridade, o Senhor mostrar-nos-\u00e1 o seu rosto e rezaremos com confian\u00e7a e em verdade, a partir da nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia vital, o que afirma o salmo da liturgia de hoje: \u201cO Senhor curou os cora\u00e7\u00f5es dilacerados e ligou as suas feridas\u2026 o Senhor conforta os humildes e abate os \u00edmpios at\u00e9 ao ch\u00e3o\u201d, por isso, \u201clouvai o Senhor, que salva os cora\u00e7\u00f5es atribulados\u201d (Sl 146).<\/p>\n<p>Se duvidarmos desse amor compassivo do Senhor pelos que sofrem, olhemos atentamente para Jesus no Evangelho de hoje: Jesus, o rosto do Deus vivo, n\u00e3o deixa o que sofre na sua dor, mas dele se aproxima. Escuta-o, toca-lhe, cura-o.<\/p>\n<p>Estrella Rodr\u00edguez,  FMVD<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz da Palavra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-14158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14158"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14158\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}