{"id":14160,"date":"2009-02-05T14:49:00","date_gmt":"2009-02-05T14:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14160"},"modified":"2009-02-05T14:49:00","modified_gmt":"2009-02-05T14:49:00","slug":"dietrich-bonhoeffer-prisioneiro-com-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dietrich-bonhoeffer-prisioneiro-com-cristo\/","title":{"rendered":"Dietrich Bonhoeffer: prisioneiro com Cristo"},"content":{"rendered":"<p>Vidas que fascinam <!--more--> 1939. Dietrich Bonhoeffer, alem\u00e3o, pastor luterano e te\u00f3logo, encontra-se nos Estados Unidos, a convite de uma universidade. A II Guerra Mundial est\u00e1 prestes a come\u00e7ar. A tens\u00e3o internacional assim faz prever. Bonhoeffer, proibido de ensinar na Alemanha desde 1936, e de residir em Berlim desde 1938, tem agora a oportunidade de continuar fora o seu pa\u00eds uma carreira brilhante de te\u00f3logo. Mas decide voltar ao pa\u00eds natal. \u201cTenho de viver este dif\u00edcil per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria nacional, com o povo crist\u00e3o da Alemanha\u201d, escreve no seu Di\u00e1rio. E ao te\u00f3logo norte-americano que o convidara, responde: \u201cN\u00e3o terei o direito de participar na reconstru\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3 na Alemanha depois da guerra se n\u00e3o partilhar as dificuldades deste tempo com o meu povo\u201d. Os poucos anos que lhe restam at\u00e9 ser enforcado pelos nazis, em 1945, com a guerra quase a acabar, s\u00e3o vividos como consequ\u00eancia da \u201cespiritualidade do seguimento\u201d de Jesus Cristo, a quem chamava \u201cirm\u00e3o mais velho\u201d ou \u201co homem para os outros\u201d.<\/p>\n<p>Bonhoeffer (1906-1945) morreu com 39 anos e \u00e9 um dos grandes te\u00f3logos do s\u00e9culo XX. Preso pela Gestapo em 1943, \u00e9 acusado de \u201ccontribuir para abrandar a moral vitoriosa do povo\u201d, e implicado numa tentativa de assassinar Hitler. Na realidade, n\u00e3o participara no acto, mas era irm\u00e3o de um e cunhado de dois dos que participam na conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Doutor em Teologia aos 21 anos, foi her\u00f3i e m\u00e1rtir no momento da morte (ver destaque), mas j\u00e1 havia dado provas do seguimento de Cristo noutros contextos. Primeiro, porque se recusa a pertencer \u00e0 fac\u00e7\u00e3o da igreja luterana que v\u00ea com bons olhos o regime de Hitler. Depois, pelo seu empenhamento social. Antes da guerra, acompanha crist\u00e3os num bairro oper\u00e1rio de Berlim e, de visita aos EUA, p\u00f5e-se em contacto com o bairro negro do Harlem, conhecido pelos problemas sociais. Durante um ano acompanhou como pastor a comunidade alem\u00e3 de Barcelona, o que lhe permitiu viver em ambiente cat\u00f3lico e desfazer ju\u00edzos cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o ao catolicismo. Mais tarde (1941), passar\u00e1 v\u00e1rias temporadas no mosteiro beneditino de Ettal (Munique), sentindo a cordialidade dos monges e acrescentando novos dados \u00e0 sua vis\u00e3o do catolicismo.<\/p>\n<p>Dietrich Bonhoeffer nasceu num 4 de Fevereiro, h\u00e1 precisamente 103 anos. Se tiv\u00e9ssemos santos n\u00e3o cat\u00f3licos, este deveria ser um deles.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Dados biogr\u00e1ficos<\/p>\n<p>1906 \u2013 Nasce em Breslau (hoje, Pol\u00f3nia), no dia 4 de Fevereiro<\/p>\n<p>1928 \u2013 Pastor em Barcelona<\/p>\n<p>1933 \u2013 Manifesta-se contra o nazismo. Adere \u00e0 Igreja Confessante (crist\u00e3os protestantes que se op\u00f5em ao nazismo)<\/p>\n<p>1940-43 \u2013 Escreve \u201c\u00c9tica\u201d (ed. port. Ass\u00edrio&#038;Alvim)<\/p>\n<p>1943 \u2013 Preso pela Gestapo.  Escreve as \u201cCartas do Cativeiro\u201d<\/p>\n<p>1945 \u2013 Enforcado no dia 9 de Abril (Hitler suicidar-se-ia no dia 30 do mesmo m\u00eas)<\/p>\n<p>\u201cAbandonado \u00e0s m\u00e3os de Deus\u201d<\/p>\n<p>\u201cVi o pastor Bonhoeffer de joelhos, diante do seu Deus, numa intensa ora\u00e7\u00e3o. A forma como este homem rezava, com uma submiss\u00e3o perfeita e com a certeza de ser acolhido, impressionou-me profundamente. No lugar da execu\u00e7\u00e3o, ainda rezou, depois subiu corajosamente as escadas do cadafalso. A morte demorou poucos segundos. Em cinquenta anos de pr\u00e1tica, nunca vi morrer um homem t\u00e3o totalmente abandonado \u00e0s m\u00e3os de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Testemunho do m\u00e9dico do campo de concentra\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vidas que fascinam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-14160","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14160\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}