{"id":14165,"date":"2009-02-05T14:56:00","date_gmt":"2009-02-05T14:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14165"},"modified":"2009-02-05T14:56:00","modified_gmt":"2009-02-05T14:56:00","slug":"sal-e-pesca-na-origem-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sal-e-pesca-na-origem-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Sal e pesca na origem de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p>1050 Anos <!--more--> Foi no long\u00ednquo dia 26 de Janeiro de 959 que surgiu aquela que \u00e9 tida ainda hoje como a primeira refer\u00eancia documental \u00e0 terra de Aveiro. A C\u00e2mara Municipal de Aveiro assinalou o dia 26 de Janeiro, e os 1050 anos do documento conhecido por \u201cTestamento da Condessa Mumadona Dias\u201d, com um vasto programa que incluiu uma sess\u00e3o evocativa, uma homenagem aos antigos e actuais autarcas, a inaugura\u00e7\u00e3o de duas exposi\u00e7\u00f5es e o hastear de uma bandeira gigante. Textos de Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Na sess\u00e3o evocativa, realizada no edif\u00edcio da antiga Capitania de Aveiro, a aveirense Maria Helena da Cruz Coelho, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, historiou os primeiros s\u00e9culos de Aveiro e da sua regi\u00e3o, nomeadamente desde o per\u00edodo da reconquista crist\u00e3 do norte de Portugal (s\u00e9culo VIII &#8211; IX) at\u00e9 ao final da dinastia afonsina (s\u00e9culo XIV) e chegada da Infanta Joana (Santa Joana) a Aveiro (s\u00e9culo XV), passando pela fase final da ocupa\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>No entanto, a palestra que proferiu centrou-se na figura de Mumadona Dias, mulher da alta nobreza, propriet\u00e1ria de terras entre Coimbra e a Galiza, entre as quais Aveiro e Guimar\u00e3es. \u00c9 precisamente na doa\u00e7\u00e3o das suas imensas propriedades ao Convento de Guimar\u00e3es, que ela fundou e junto ao qual mandou erguer o castelo de Guimar\u00e3es para o proteger, que a condessa faz a men\u00e7\u00e3o a Alav\u00e1rio, top\u00f3nimo que deu origem a Aveiro.<\/p>\n<p>Nesse tempo long\u00ednquo, a pesca e sobretudo a produ\u00e7\u00e3o de sal eram j\u00e1 refer\u00eancias econ\u00f3micas da regi\u00e3o de Aveiro. Como principais actividades econ\u00f3micas ent\u00e3o desenvolvidas, constitu\u00edam factor de atrac\u00e7\u00e3o e de ocupa\u00e7\u00e3o humana. <\/p>\n<p>Maria Helena da Cruz Coelho referiu v\u00e1rios donat\u00e1rios e propriet\u00e1rios das terras de Aveiro, e da sua regi\u00e3o, tanto nobres (entre os quais os fidalgos da Casa do Marnel), como conventos (nomeadamente os de Guimar\u00e3es e do Lorv\u00e3o), a Igreja (com des-taque para a S\u00e9 de Coimbra) e a fam\u00edlia real (real\u00e7ando o papel do Infante D. Pedro e da Infanta D. Joana).<\/p>\n<p>Testamento de Mumadona Dias<\/p>\n<p>Por testamento datado de 26 de Janeiro de 959, a condessa Mumadona Dias, ent\u00e3o vi\u00fava do Conde D. Hermenegildo Gon\u00e7alves, doou ao Convento de Guimar\u00e3es um vasto conjunto de propriedades, entre as quais \u201cin territ\u00f3rio colimbrie uilla Alcaroubim quomodo illa obtinuit froyla guntesindiz per incartatione de gondisindo suariz cum omnibus prestationibus, suis terras in Alauario et salinas que ibidem comparauimus\u201d, texto que Mon. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, no seu livro \u201cEixo na Hist\u00f3ria\u201d, traduziu para portugu\u00eas actual: \u201cno territ\u00f3rio de Coimbra, a Vila de Alquerubim, tal como a obteve Froila Gosendes , por encarta\u00e7\u00e3o de Gosendo Soares, com todas as suas obriga\u00e7\u00f5es (;e) as suas terras no Alav\u00e1rio (Aveiro) e as salinas que a\u00ed compr\u00e1mos\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Mattoso presente na cerim\u00f3nia<\/p>\n<p>O historiador Jos\u00e9 Mattoso (na foto, com o Bispo de Aveiro), considerado o maior especialista em Hist\u00f3ria Medieval Portuguesa, actualmente a residir no lugar do Carvoeiro (Albergaria), foi um dos presentes na inaugura\u00e7\u00e3o das duas exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao \u201cCorreio do Vouga\u201d, referiu que, como historiador, acha muito salutar\u201deste evento, porque \u201ctodas as comunidades que existem devem procurar a sua identidade na viv\u00eancia do passado. Quando n\u00e3o o fazem, n\u00e3o \u00e9 sinal de vida, \u00e9 como se estivessem doentes\u201d. Jos\u00e9 Mattoso considera importante \u201cprocurar meditar no passado, na altura das efem\u00e9rides\u201d, n\u00e3o s\u00f3 quando essas efem\u00e9rides correspondem a \u201cgl\u00f3rias do passado\u201d, mas tamb\u00e9m  quando isso significa derrotas e momentos menos bons\u201d. \u201c\u00c9 preciso procurar o que \u00e9 aut\u00eantico no passado\u201dremata.<\/p>\n<p>\u201cAveiro: dos artefactos \u00e0 escrita\u201d<\/p>\n<p>Na Galeria da antiga Capitania est\u00e1 patente a exposi\u00e7\u00e3o \u201cAveiro: dos artefactos \u00e0 escrita\u201d, que apresenta diversos achados arqueol\u00f3gicos, alguns dos quais com mais de 25.000 anos.<\/p>\n<p>Para os coordenadores desta mostra, Paulo Morgado e S\u00f3nia Filipe (na foto), a exposi\u00e7\u00e3o pretende mostrar os \u201cdocumentos\u201d que provam a ocupam humana no actual concelho de Aveiro muito antes do aparecimento da escrita.<\/p>\n<p>Na exposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o em destaque os lugares arqueol\u00f3gicos, e respectivos achados, do Vale de Videira, Mamoa de Mamodeiro, Agra do Crasto, Lugar da Torre, Lugar da Marinha Baixa e Forno Cer\u00e2mico de Eixo.<\/p>\n<p>\u201cBI\u201d no Museu da Cidade<\/p>\n<p>O Museu da Cidade apresenta a exposi\u00e7\u00e3o intitulada \u201cBI\u201d, coordenada por Maria Helena da Cruz Coelho (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) e Maria Jos\u00e9 Azevedo Santos (Arquivo Hist\u00f3rico da Universidade de Coimbra). A mostra ficar\u00e1 para a posterioridade no excelente cat\u00e1logo agora editado.<\/p>\n<p>Em exposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o alguns dos mais relevantes documentos para a hist\u00f3ria de Aveiro, e que normalmente est\u00e3o em arquivos fora da cidade, nomeadamente no Arquivo Nacional Torre do Tombo (em Lisboa), como \u00e9 o caso do designado \u201cTestamento de Mumadona Dias\u201d.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o pode ser vista de ter\u00e7a a Domingo, das 10h00 \u00e0s 12h30 e das 14h30 \u00e0s 19h00. O Museu da Cidade fica na Rua Jo\u00e3o Mendon\u00e7a, 9-11<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1050 Anos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-14165","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14165\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}