{"id":14270,"date":"2009-02-11T15:28:00","date_gmt":"2009-02-11T15:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14270"},"modified":"2009-02-11T15:28:00","modified_gmt":"2009-02-11T15:28:00","slug":"urgencias-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/urgencias-do-tempo\/","title":{"rendered":"Urg\u00eancias do tempo"},"content":{"rendered":"<p>A crise da economia instalou-se. Come\u00e7ou por desacelerar o ritmo anunciado, depois es-tagnou o crescimento previsto e entrou em recess\u00e3o. Agora \u00e9 mais do que se v\u00ea e ouve. Que vir\u00e1 a seguir?! <\/p>\n<p>Tende a alargar-se a n\u00edvel nacional e mundial. A economia real, a das pessoas que contam os c\u00eantimos para custear as despesas obrigat\u00f3rias, vai dando sinais alarmantes: os que chegam aos meios de comunica\u00e7\u00e3o de multid\u00f5es e os que ficam nos grupos de atendimento caritativo da vizinhan\u00e7a ou de alguma associa\u00e7\u00e3o humanista e crist\u00e3. <\/p>\n<p>O tempo urge novas medidas. A consci\u00eancia humana tem de mostrar a sua face social e fazer-se solid\u00e1ria. Os cidad\u00e3os devem fazer ouvir a sua voz humanista e reivindicar os valores em todas as iniciativas de supera\u00e7\u00e3o. As empresas, na sua organiza\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o chamadas a revalorizar a sua componente \u00e9tica. As for\u00e7as sociais e pol\u00edticas h\u00e3o-de convergir nas suas propostas de ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja, ao verificar como est\u00e3o em jogo a pessoa e os direitos fundamentos que explicitam a sua dignidade, h\u00e1-de posicionar-se correctamente, com firmeza e humildade, defendendo propostas que eliminem ou atenuem os sacrif\u00edcios das pessoas e das classes mais desfavorecidas, reforcem a participa\u00e7\u00e3o de todos, desenvolvam a solidariedade entre os grupos s\u00f3cio-profissionais, fomentem a coopera\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito nacional e internacional. <\/p>\n<p>A Igreja, dentro da sua miss\u00e3o espec\u00edfica, h\u00e1-de opor-se a que sejam os empobrecidos a pagar \u201ca factura da crise\u201d e fomentar correntes de pensamento e de interven\u00e7\u00e3o que evitem privatizar os benef\u00edcios e generalizar as perdas. H\u00e1-de, com lucidez e valentia, cultivar e promover o sentido do bem comum, ainda que contrariando os interesses privados, pr\u00f3prios ou alheios, praticar e difundir um estilo de vida s\u00f3brio e solid\u00e1rio, educar para o uso dos bens, destacando o com\u00e9rcio justo e o consumo respons\u00e1vel num mundo de recursos escassos.<\/p>\n<p>O tempo do mercado desregu-lado e da globaliza\u00e7\u00e3o comandada pela \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d de quem pode dispor dos mecanismos controladores; o tempo da colectiviza\u00e7\u00e3o an\u00f3nima e despersonalizante e da centraliza\u00e7\u00e3o planificada e asfixiante da liberdade de iniciativa e de associa\u00e7\u00e3o, esse tempo encurtou ou melhor devia ter \u201cchegado ao fim\u201d. <\/p>\n<p>Uma nova forma de vida organizada est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o. Uma cultura que privilegie os valores dignos da condi\u00e7\u00e3o humana tem de ser preferida e desenvolvida. Uma religi\u00e3o que desvele \u00e0 pessoa a sua aut\u00eantica \u201cestatura e voca\u00e7\u00e3o\u201d que germinalmente est\u00e1 em si mas precisa de desabrochar continuamente, deve ser encarada como um bem para a humanidade e um valor a integrar nos dinamismos da sociedade. <\/p>\n<p>Entre o mercado livre e o Estado centralizador est\u00e1 a pessoa e a multiplicidade das associa\u00e7\u00f5es em que expressa a sociabilidade e constr\u00f3i a solidariedade, dimens\u00f5es fundamentais para a sua realiza\u00e7\u00e3o humana. S\u00e3o estas que constituem parte indispens\u00e1vel do tecido social que d\u00e1 consist\u00eancia e vitalidade ao circuito econ\u00f3mico: da extrac\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de bens \u00e0 sua comercializa\u00e7\u00e3o e consumo ou conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia do tempo surge clara no epis\u00f3dio da pris\u00e3o de Jo\u00e3o Baptista. Encarcerado por ordem de Herodes, cala-se a voz do profeta que reclama o direito e a justi\u00e7a, que aponta o machado posto \u00e0 raiz da \u00e1rvore pronto para a cortar, que proclama estar presente Algu\u00e9m que vem inaugurar uma \u201cnova era\u201d. <\/p>\n<p>Este Algu\u00e9m \u00e9 Jesus Cristo que, sabendo do que haviam feito a Jo\u00e3o, irrompe em p\u00fablico com a boa nova de que \u00e9 urgente uma mudan\u00e7a radical e total, a come\u00e7ar pelo interior de cada pessoa. A intelig\u00eancia devia colocar-se ao servi\u00e7o da verdade e procur\u00e1-la incansavelmente; o cora\u00e7\u00e3o abrir-se a todos e estabelecer rela\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias e fraternas de conviv\u00eancia; a vontade querer efectivamente o bem dos demais, tanto como se deseja o bem pr\u00f3prio; enfim, um olhar novo em que se espelha esta forma original de ser, de estar e de conviver ou seja um olhar que transmite a realidade nova vivida e anunciada por Jesus Cristo e confiada aos crist\u00e3os, seus disc\u00edpulos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise da economia instalou-se. Come\u00e7ou por desacelerar o ritmo anunciado, depois es-tagnou o crescimento previsto e entrou em recess\u00e3o. Agora \u00e9 mais do que se v\u00ea e ouve. Que vir\u00e1 a seguir?! Tende a alargar-se a n\u00edvel nacional e mundial. 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