{"id":14275,"date":"2009-02-11T15:34:00","date_gmt":"2009-02-11T15:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14275"},"modified":"2009-02-11T15:34:00","modified_gmt":"2009-02-11T15:34:00","slug":"picos-de-sensibilidade-confrontos-sem-ideias-oportunidades-mediaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/picos-de-sensibilidade-confrontos-sem-ideias-oportunidades-mediaticas\/","title":{"rendered":"Picos de sensibilidade, confrontos sem ideias, oportunidades medi\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>A crise que vivemos n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f3mica. \u00c9 ideol\u00f3gica, democr\u00e1tica, de sentido, de rela\u00e7\u00e3o e incapacidade de respeito m\u00fatuo e de di\u00e1logo construtivo. Por tudo isto \u00e9, tamb\u00e9m, uma crise de \u00e9tica e de valores morais que vai subvertendo os projectos e planos, necess\u00e1rios para que a vida pessoal e social tenha sentido e progrida. <\/p>\n<p>Como cheg\u00e1mos aqui, \u00e9 uma pergunta pertinente que pode e deve levar a uma reflex\u00e3o necess\u00e1ria e consequente. Nunca se chega de um salto, mas degrau a degrau.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o generalizada, h\u00e1 uma crescente e alargada sensibilidade com picos frequentes, que levam \u00e0 irrita\u00e7\u00e3o e \u00e0 n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o de qualquer cr\u00edtica ou opini\u00e3o contr\u00e1ria. Parece que todos est\u00e3o contra todos, que meio mundo se organizou para atacar o outro, que sobram armas nas n\u00e3os e cora\u00e7\u00f5es suspensos, sempre \u00e0 espera do primeiro disparo. Tudo isto na pol\u00edtica, no futebol, no mundo do trabalho, no interior do lar, na sala de aula, com azedume a extravasar para rua. Nesta, cada dia se ri menos, se sa\u00fada menos, mas onde n\u00e3o falta gente a falar sozinha em voz alta e de telem\u00f3vel na m\u00e3o a alimentar rela\u00e7\u00f5es virtuais. Parece um mundo a caminhar ao contr\u00e1rio e a perder riqueza e sentido. <\/p>\n<p>Os confrontos fazem-se no vazio das ideias e com uma carga de emo\u00e7\u00f5es e preconceitos. Se as discuss\u00f5es s\u00e3o p\u00fablicas, como acontece na televis\u00e3o, h\u00e1 sempre interlocutores que se atropelam, se ouvem mais a si pr\u00f3prios que aos outros, n\u00e3o parecendo preocupados em dizer o que pensam, o que nos faz julgar que, normalmente, n\u00e3o pensam nada. Um atordoamento interior a deitar para fora um vazio empobrecedor. <\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e9 muito dif\u00edcil reflectir e dialogar. Onde n\u00e3o h\u00e1 ideias, n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo. Tudo superficial e dominado pelos interesses do momento. Os partidos pol\u00edticos ou dizem o mesmo com palavras diferentes ou fixaram-se em chav\u00f5es emparedados. Se algu\u00e9m l\u00e1 dentro pensa e ousa o diferente, os choques surgem logo dentro de casa e \u00e9 atacado como se fosse inimigo ou intruso. Nas diversas for\u00e7as partid\u00e1rias gera-se a incapacidade de unir fileiras, em ordem a solu\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de interesse p\u00fablico. Ningu\u00e9m aceita n\u00e3o ser vencedor ou ter de abdicar dos louros da vit\u00f3ria. As contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o escandalosas, consoante se \u00e9 governo ou oposi\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a de poleiro leva \u00e0 perda de mem\u00f3ria e \u00e0s vezes de vergonha. As leis fazem-se de cima para baixo e, por vezes, desfasadas da realidade de quem as deve cumprir, porque o que parece contar s\u00e3o os interesses partid\u00e1rios, o agrado alguns, mais que o bem de todos.<\/p>\n<p>O panorama t\u00e3o matizado repete-se em outros sectores de vida, porque o ambiente tamb\u00e9m contagia. De tudo se aproveitam os meios de comunica\u00e7\u00e3o social que, em tal clima, nunca lhes falta mat\u00e9ria para vender papel ou audi\u00eancias. A eles se deve, e por isso lhe estamos gratos, a revela\u00e7\u00e3o de encobrimentos graves, mas a eles se deve tamb\u00e9m a anestesia da intelig\u00eancia e da capacidade cr\u00edtica, bem como um clima de falta de esperan\u00e7a, pessoal e colectiva. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 afirma\u00e7\u00f5es sem reservas, nem gente da ribalta sem r\u00f3tulos. Sobra a imagina\u00e7\u00e3o e resta tempo para servir interesses. <\/p>\n<p>Por natureza somos criados para ver mais longe e para ir mais longe. Para isso n\u00e3o nos faltou desde o in\u00edcio a m\u00e3o amiga de algu\u00e9m. Hoje, quem corta asas, apaga horizontes e destr\u00f3i caminhos e fica enredado na teia que tece. Ao contr\u00e1rio, quem aponta rumos v\u00e1lidos cria futuro. Ter e dar esperan\u00e7a \u00e9 ser criador de futuro. <\/p>\n<p>Do lado do poder fala-se de \u201cpoderes ocultos\u201d, \u201ccabalas\u201d, \u201ccampanhas negras\u201d. Se existem, quem as fomenta ou as provoca? E porqu\u00ea? N\u00e3o se cria futuro a fomentar suspeitas e a semear d\u00favidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise que vivemos n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f3mica. \u00c9 ideol\u00f3gica, democr\u00e1tica, de sentido, de rela\u00e7\u00e3o e incapacidade de respeito m\u00fatuo e de di\u00e1logo construtivo. 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