{"id":1429,"date":"2010-05-05T10:36:00","date_gmt":"2010-05-05T10:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1429"},"modified":"2010-05-05T10:36:00","modified_gmt":"2010-05-05T10:36:00","slug":"mateus-ricci-introdutor-do-cristianismo-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mateus-ricci-introdutor-do-cristianismo-na-china\/","title":{"rendered":"Mateus Ricci, introdutor do cristianismo na China"},"content":{"rendered":"<p>Efem\u00e9ride <!--more--> O Padre Mateus Ricci foi um sacerdote jesu\u00edta, fil\u00f3sofo, cart\u00f3grafo, astr\u00f3nomo e matem\u00e1tico. Nasceu em Macerata, It\u00e1lia, a 6 de Outubro de 1552 e faleceu em Pequim, China, a 11 de Maio de 1610. \u00c9 conhecido pela sua actividade mission\u00e1ria na China da dinastia Ming, onde era tratado por \u201cL\u00ec Mad\u00f2u\u201d. Atribui-se-lhe a introdu\u00e7\u00e3o do cristianismo na China. Morreu h\u00e1 400 anos<\/p>\n<p>1.Recebeu a sua primeira forma\u00e7\u00e3o na cidade natal, partindo depois para Roma onde estudou Humanidades, Leis e Ci\u00eancias. A 15 de Agosto de 1571, ingressou na Companhia de Jesus. Em Floren\u00e7a estudou Humanidades e, no Col\u00e9gio Romano (antecessor da Universidade Gregoriana), estudou Filosofia e Teologia, ao e, ao mesmo tempo, Astronomia, Cosmologia e Matem\u00e1ticas. Aqui, teve como professor o famoso Padre Crist\u00f3v\u00e3o Clavius, que veio a ser mais tarde professor no Col\u00e9gio de Santo Ant\u00e3o, em Lisboa, onde hoje est\u00e1 implantado o Hospital de S\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Aconselhado pelo Padre Alexandre Valignano, Visitador da Companhia de Jesus nas miss\u00f5es da \u00cdndia e do Jap\u00e3o, partiu para Lisboa (1577), onde continuou os estudos de Teologia na Universidade de Coimbra, durante quase um ano. <\/p>\n<p>A 24 de Mar\u00e7o de 1578, partiu da capital portuguesa para Goa. Ap\u00f3s completar os estudos de Teologia em Goa, ordenou-se sacerdote a 26 de Julho de 1580. E, durante quase dois anos, foi professor em Goa e em Cochim. A 7 de Agosto de 1582, chegou a Macau, com o fim de entrar na China, sob a dinastia Ming. <\/p>\n<p>2. A entrada de um ocidental na China n\u00e3o era nada facilitada, pois eram tomados como feiticeiros e intrusos de \u00edndole perigosa. A cultura chinesa considerava-se a mais elevada do mundo, n\u00e3o tendo que aprender nada de ningu\u00e9m, antes pelo contr\u00e1rio. Os primeiros crist\u00e3os entrados na China, no s\u00e9c. VII, foram mission\u00e1rios nestorianos, que ali deixaram alguns sinais. H\u00e1 not\u00edcias de que, tamb\u00e9m nos s\u00e9cs. XIII e XIV, se dirigiram \u00e0 China monges diversos, que ter\u00e3o originado pequenas comunidades dispersas, que se dissolveram ao longo dos anos. E mais nada.<\/p>\n<p>3. O primeiro mission\u00e1rio a entrar na China, secundando o \u201csonho\u201d irrealizado de S\u00e3o Francisco Xavier (1552), foi o jesu\u00edta portugu\u00eas Melchior Nunes Barreto, natural do Porto, que conseguiu estar duas vezes em Cant\u00e3o, um m\u00eas de cada vez (1555), nunca dando a entender que ia por fins religiosos e, muito menos, deixando perceber que ele pr\u00f3prio era sacerdote. Se isso fosse conhecido, seria maltratado e expulso de imediato.<\/p>\n<p>O dominicano Frei Gaspar da Cruz foi tamb\u00e9m um m\u00eas at\u00e9 Cant\u00e3o. Em 1568, 1575, 1579 e 1582, v\u00e1rios jesu\u00edtas, agostinhos e franciscanos foram tentando ir \u00e0 China, tendo em vista assistir j\u00e1 alguns crist\u00e3os; mas acabaram sempre por ser expulsos ou perseguidos.<\/p>\n<p>4. No Ver\u00e3o de 1583, foi a vez do Padre Ricci penetrar no Imp\u00e9rio Celeste, juntamente com o Padre Miguel Ruggieri, italiano, ambos treinados com as novas ideias de missionar atrav\u00e9s da amizade e da sabedoria, inspiradas pelo Padre Valignano. Dirigiram-se \u00e0 resid\u00eancia do vice-rei de Kuangtong e Kuangsi, na regi\u00e3o de Cant\u00e3o, onde o padre Ruggieri j\u00e1 tinha estado em 1581 e 1582. Apresentam-se como cientistas, astr\u00f3nomos e matem\u00e1ticos ocidentais. A 10 de Setembro, recebem autoriza\u00e7\u00e3o para permanecer em Ch\u00e3o k\u2019ing. Em Novembro de 1584, inauguraram a primeira casa da miss\u00e3o na China, com a presen\u00e7a do padre Francisco Cabral, reitor do Col\u00e9gio de Macau. <\/p>\n<p>Ao longo dos tempos, o Padre Ricci fez algumas modifica\u00e7\u00f5es no seu modo de vestir e nas atitudes dos mission\u00e1rios, ensinando astronomia e explicando os elementos fundamentais da cosmologia \u2013 o que o fazia muito admirado pelos s\u00e1bios chineses \u2013 com o fim de melhorar as rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a e de amizade com eles e obter depois bons resultados nas miss\u00f5es. Falava bem o mandarim, vestia-se \u00e0 chinesa, observando os ritos e costumes chineses que n\u00e3o colidissem com o dogma cat\u00f3lico, ganhando assim a confian\u00e7a e a amizade de todos. <\/p>\n<p>5. Depois de estar seguro da validade do seu apostolado, decidiu dirigir-se a Pequim, a capital, para poder dali irradiar o cristianismo. Chegou a 7 de Setembro de 1595. <\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, foi para Nanquim, onde foi tratado com grande cortesia pelo vice-rei. A\u00ed instaurou uma nova comunidade crist\u00e3. De Nanquim, sa\u00edram alguns dos grandes mandarins crist\u00e3os, como Paulo Siu, In\u00e1cio Keui-taisou, Paulo-Chiu, entre outros. <\/p>\n<p>De Macau, chegaram entretanto refor\u00e7os para a miss\u00e3o de Ricci, com presentes para o imperador, que se sentia muito honrado com eles (rel\u00f3gios de corda, espelhos c\u00f4ncavos, etc.). Os fi\u00e9is de Nanquim ficaram entregues ao padre Jo\u00e3o Rocha. Pela terceira vez, Ricci partiu para Pequim, agora com o padre Diogo de Pantoja.<\/p>\n<p>Chegaram \u00e0 corte imperial chinesa, a 24 de Janeiro de 1601. O Imperador Manlik ficou maravilhado com os presentes que os mission\u00e1rios levaram. Concedeu licen\u00e7a para fundarem uma miss\u00e3o em Pequim, tal como j\u00e1 tinha sido feito em Cant\u00e3o e Chincheu. Mateus Ricci captou a simpatia do Imperador com os seus livros, o Livro das 25 Palavras e sobretudo o Tien-Chush\u2019ei (famosa obra prima de Metaf\u00edsica). <\/p>\n<p>6. Por ter estudado o mandarim, os costumes e a cultura chinesa em Macau, durante anos, o jesu\u00edta ganhou grande prest\u00edgio junto \u00e0s classes cultas da China, a ponto de ser apresentado \u00e0 corte Imperial. Era um homem culto e carism\u00e1tico, e encantou a corte imperial com a sua bondade, os seus conhecimentos e a sua f\u00e9. <\/p>\n<p>Demonstrou aos chineses que a terra era redonda, pintou o mapa-mundi com a China no centro do mundo, confeccionou os primeiros planisf\u00e9rios em l\u00edngua chinesa, construiu rel\u00f3gios mec\u00e2nicos e traduziu pela primeira vez obras ocidentais para o mandarim, como os seis primeiros livros dos Elementos, de Euclides. Foi o autor do primeiro trabalho sinol\u00f3gico da hist\u00f3ria: um pequeno dicion\u00e1rio portugu\u00eas-chin\u00eas. S\u00e3o tamb\u00e9m importantes os escritos dirigidos aos ocidentais, como as suas \u201cCartas\u201d. Para al\u00e9m disso, escreveu mais doze obras, ainda hoje conhecidas.<\/p>\n<p>7. Ricci morreu com 58 anos incompletos, a 11 de Maio de 1610 (faz agora 400 anos). Depois de fundar cinco resid\u00eancias, de baptizar mais de 700 fi\u00e9is e de encarnar a metodologia jesu\u00edtica da missiona\u00e7\u00e3o, tendo em conta os costumes, a l\u00edngua e os preceitos religiosos dos lugares onde actuavam. Conseguiu, para al\u00e9m de todo esse labor, evangelizar e arranjar ainda tempo para escrever e viajar no Imp\u00e9rio do Meio.<\/p>\n<p>Recebeu o mais alto sinal de reconhecimento concedido a um estrangeiro na China: o privil\u00e9gio imperial de ser sepultado na capital do pa\u00eds. Nenhum estrangeiro tinha merecido dos chineses um tal gesto at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>8. Sobre Mateus Ricci, escreveu recentemente (2009) o bispo de Macerata e presidente da Comiss\u00e3o das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais da Confer\u00eancia Episcopal Italiana: \u201cO Padre Ricci \u00e9 um gigante da cultura e da f\u00e9. Dotado de extraordin\u00e1rios dotes intelectuais, mostrou-se verdadeiro g\u00e9nio da incultura\u00e7\u00e3o, por meio da qual abriu o caminho ao di\u00e1logo entre ocidente e oriente e para a evangeliza\u00e7\u00e3o da China\u201d.<\/p>\n<p>9. No passado m\u00eas de Dezembro (2009), o Santo Padre Bento XVI acedeu ao pedido de que fosse retomada a sua Causa de Canoniza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Cani\u00e7o, S.J. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Efem\u00e9ride<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-1429","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1429\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}