{"id":14291,"date":"2009-04-23T09:56:00","date_gmt":"2009-04-23T09:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14291"},"modified":"2009-04-23T09:56:00","modified_gmt":"2009-04-23T09:56:00","slug":"a-festa-da-pascoa-e-as-festas-religiosas-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-festa-da-pascoa-e-as-festas-religiosas-populares\/","title":{"rendered":"A Festa da P\u00e1scoa e as festas religiosas populares"},"content":{"rendered":"<p>V\u00e3o celebrar-se, nos pr\u00f3ximos meses e em todos cantos e recantos onde haja igreja ou capela, as festas religiosas tradicionais. N\u00e3o h\u00e1 santo que n\u00e3o tenha a sua festa, mesmo que a devo\u00e7\u00e3o por ele n\u00e3o seja tanta que a justifique.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o pesa muito na hist\u00f3ria de um povo, mesmo quando a vida dispersou a sua gente por outras terras. Se a tradi\u00e7\u00e3o se vem da lonjura do tempo, de av\u00f3s e bisav\u00f3s, o respeito e a fidelidade em a cumprir n\u00e3o se discutem. Nada conta mais. Nem leis dos bispos, imposi\u00e7\u00f5es dos padres, crises sociais, morte de vizinhos. \u00c9 festa, \u00e9 festa.<\/p>\n<p>O bairrismo dos lugares, a emula\u00e7\u00e3o dos mordomos, o que se viu noutros lados, o que a televis\u00e3o mostra servem de inspira\u00e7\u00e3o ao programa da festividade, publicitado em cartazes de gosto duvidoso, onde se misturam santos com cantores e conjuntos musicais, missas e prociss\u00f5es com arraiais e t\u00f4mbolas.<\/p>\n<p>O povo precisa da festa porque \u00e9 dura a vida de todos os dias. Mas as festas, por a\u00ed fora, s\u00e3o cada vez menos festas do povo que as criou. Os olhos s\u00e3o postos agora nos forasteiros, na gente que vai de fora e se disp\u00f5e a pagar, n\u00e3o para honrar o santo, que muitos nem sabem quem \u00e9 ele, mas para ver o artista conhecido, ouvir o conjunto de renome, encontrar clima prop\u00edcio a um maior gozo nem sempre honesto.<\/p>\n<p>Muitas festas tradicionais j\u00e1 pouco mais t\u00eam de religioso que o nome do santo, que ainda ali aparece como motivo para as ofertas da gente mais velha l\u00e1 da terra, que \u00e9 a que ainda conserva alguma devo\u00e7\u00e3o e faz promessas. Muita outra gente da comiss\u00e3o, anda mais preocupada em que n\u00e3o falte tempo para o leil\u00e3o e para a m\u00fasica, porque as despesas s\u00e3o muitas. At\u00e9 j\u00e1 pede que as coisas da igreja se reduzam \u00e0 missa e \u00e0 prociss\u00e3o, uma vez que esta n\u00e3o pode deixar de ser. Assim, n\u00e3o se demore muito com coisas s\u00f3 de alguns e, ao fazer das contas, n\u00e3o haja preju\u00edzos por causa da religi\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Uma ocasi\u00e3o de encontro de familiares e de amigos, que fazia vir \u00e0 terra desde longe os que por l\u00e1 andavam, foi-se tornando num momento de discut\u00edveis misturas e barulho, que faz sair alguns dos que l\u00e1 vivem \u00e0 procura de terras mais sossegadas, impedindo at\u00e9 que venham \u00e0 festa os que nunca faltavam. Afinal, deixou de ser a festa da terra com a sua m\u00edstica e originalidade, para ser uma igual a todas as outras.<\/p>\n<p>Importa-se tudo: ornamenta\u00e7\u00f5es, conjuntos, pessoas. O de fora \u00e9 que d\u00e1 lustro \u00e0 festa.<\/p>\n<p>Porque se chegou aqui? N\u00e3o faltam raz\u00f5es: o empobrecimento do sentido religioso nas pessoas, nas fam\u00edlias e na comunidade, a invas\u00e3o do profano, sempre passageiro e ef\u00e9mero, a publicidade aguerrida e teimosa de muitos intermedi\u00e1rios do espect\u00e1culo\u2026 Tudo foi descentrando as pessoas do essencial da festa e debilitando os la\u00e7os que, em momentos privilegiados como este, as uniam e tornavam solid\u00e1rias.<\/p>\n<p>Qualquer festa, com sentido crist\u00e3o, n\u00e3o pode deixar de se reportar \u00e0 Festa, a P\u00e1scoa de Cristo. Dela flui, de modo natural, verdadeira alegria, abertura fraterna, partilha espont\u00e2nea, vontade de prosseguir, valoriza\u00e7\u00e3o do sagrado, express\u00f5es de gratid\u00e3o e confian\u00e7a. Sem descobrir e viver a P\u00e1scoa, qualquer festa religiosa perde o sentido.<\/p>\n<p>A festa crist\u00e3 repete-se em cada Domingo, dia pascal por excel\u00eancia; nas celebra\u00e7\u00f5es sacramentais, acontecimentos pascais, por isso mesmo de Vida que nasce e cresce, se alimenta e recupera, se comunica e se compromete; na ac\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, gratuita e generosa; na solidariedade para com os mais pobres de todas as formas de pobreza.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de sentido crist\u00e3o de festas que por a\u00ed se fazem \u00e9 denunciada pela sua insensibilidade \u00e0s crises sociais, ao sofrimento e at\u00e9 ao luto que emerge em dia de festa do lugar, ao desgoverno das despesas que esquecem as necessidades do dia a dia da par\u00f3quia ou do lugar. Festas que atordoam e esqueceu as que pacificavam e uniam. Simples leis n\u00e3o invertem o processo. Quantas vezes, para n\u00e3o criar mais problemas, at\u00e9 a Igreja passa ao lado e faz o seu caminho. A festa \u00e9 \u00fatil e necess\u00e1ria, mas n\u00e3o assim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e3o celebrar-se, nos pr\u00f3ximos meses e em todos cantos e recantos onde haja igreja ou capela, as festas religiosas tradicionais. N\u00e3o h\u00e1 santo que n\u00e3o tenha a sua festa, mesmo que a devo\u00e7\u00e3o por ele n\u00e3o seja tanta que a justifique. 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