{"id":14313,"date":"2009-05-21T14:32:00","date_gmt":"2009-05-21T14:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14313"},"modified":"2009-05-21T14:32:00","modified_gmt":"2009-05-21T14:32:00","slug":"acontecimentos-claros-e-juizos-complexos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/acontecimentos-claros-e-juizos-complexos\/","title":{"rendered":"Acontecimentos claros e ju\u00edzos complexos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es frequentes, pessoais e colectivas, que s\u00e3o de leitura dif\u00edcil, se n\u00e3o mesmo imposs\u00edvel, quando faltam a quem julga, crit\u00e9rios adequados \u00e0 sua total compreens\u00e3o. S\u00e3o as assim as manifesta\u00e7\u00f5es religiosas de f\u00e9, mormente quando envolvem multid\u00f5es de crentes, por vezes gente humilde e simples, mas com convic\u00e7\u00f5es profundas e consequentes e coragem para as afirmar.<\/p>\n<p>Esta leitura, j\u00e1 de si complexa, aparece muitas vezes deformada pelos cr\u00edticos e pela comunica\u00e7\u00e3o social que n\u00e3o vai al\u00e9m das apar\u00eancias e se prende em aspectos limitados. Assim \u00e9 com os peregrinos de F\u00e1tima, cumpridores ou n\u00e3o de promessas, chegados ao Santu\u00e1rio a p\u00e9 ou de outro modo, vindos de norte e sul e dos quatro cantos do mundo.<\/p>\n<p>A express\u00e3o religiosa da f\u00e9 traduz-se sempre de um modo cultural e, deste modo, \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o limitada, provis\u00f3ria e relativizada. Dela emergem, por\u00e9m, sentimentos respeit\u00e1veis, capazes de convocar e unir pessoas, derrubar muros interiores, abrir horizontes novos, quebrar rotinas e acordar esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil a coragem de se afirmar hoje, publicamente, como crist\u00e3o numa sociedade cada vez mais secularizada, religiosamente indiferente, que foi cortando as refer\u00eancias vitais com o transcendente. Pese, embora, o inc\u00f3modo de alguns, a verdade \u00e9 que n\u00e3o falta gente a afirmar a dimens\u00e3o religiosa e evang\u00e9lica da sua vida, e a dar raz\u00e3o da sua esperan\u00e7a com palavras convincentes, certas e s\u00e1bias. E f\u00e1-lo de modo livre.<\/p>\n<p>Com o prop\u00f3sito de ver para al\u00e9m do que os olhos v\u00eaem, quando tal se proporciona, gosto de caminhar por entre estes crist\u00e3os corajosos, quedo-me a admirar e a perscrutar o seu mundo interior e a tentar adivinhar o que os leva a exprimir assim a sua f\u00e9. <\/p>\n<p>As peregrina\u00e7\u00f5es s\u00e3o ocasi\u00e3o privilegiada para tal prop\u00f3sito. Foi assim, h\u00e1 dias, com perto de vinte mil peregrinos emigrantes que trabalham em diversos pa\u00edses da Europa e se deslocaram a Mont-Roland, em Fran\u00e7a. De igual modo, dois dias depois, em F\u00e1tima, deixando-me envolver, silenciosamente, e contemplando a multid\u00e3o que desafia, com um rosto sereno e confiante, o rigor do tempo, o cansa\u00e7o da caminhada, o inc\u00f3modo das cerim\u00f3nias longas, a incompreens\u00e3o dos cr\u00edticos f\u00e1ceis. <\/p>\n<p>As express\u00f5es populares de f\u00e9 n\u00e3o s\u00e3o apenas de pessoas simples e iletradas. Tamb\u00e9m as manifestam gente culta, que guarda a f\u00e9 bebida com o leite da sua m\u00e3e ou fez alguma experi\u00eancia de Deus, em momento t\u00e3o decisivo da vida, que n\u00e3o mais pode esquecer.<\/p>\n<p>Dizem alguns, mesmo da Igreja, que muita gente generosa numa peregrina\u00e7\u00e3o n\u00e3o exprime total coer\u00eancia de f\u00e9 na sua terra e no seu dia a dia. A coer\u00eancia da f\u00e9 adquire-se ao longo da vida, ante os desafios que a mesma vai pondo. A for\u00e7a unificadora do que se acredita e do que se vive n\u00e3o \u00e9 obra de um momento, mas sim de uma decis\u00e3o interior que se vai tornando vida no meio de inc\u00f3modos e obst\u00e1culos. Neste esfor\u00e7o de procura de coer\u00eancia e de unidade na vida, misturado de \u00eaxitos e de fracassos, vai a for\u00e7a que n\u00e3o deixa desistir, a gratid\u00e3o pelo que j\u00e1 se conseguiu, a aceita\u00e7\u00e3o das contrariedades inevit\u00e1veis, o gesto discreto de solidariedade, as express\u00f5es de amor, os prop\u00f3sitos de bem fazer, a coragem para permanecer na comunh\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p>O maior desafio que hoje se p\u00f5e aos crist\u00e3os e \u00e0s comunidades \u00e9 o da forma\u00e7\u00e3o que enra\u00edza e esclarece a f\u00e9 e o do testemunho que d\u00e1 sentido e abertura mission\u00e1ria \u00e0s suas vidas. \u00c9 esta uma responsabilidade permanente de quem serve. Servindo, se encontra maneira de interessar quem nisso precisa de ser servido e de que vai tendo consci\u00eancia.<\/p>\n<p>No tempo do peregrinar na vida, Deus n\u00e3o \u00e9 o juiz que contabiliza os resultados obtidos. \u00c9 o Pai atento que incita a ir mais longe, dando a m\u00e3o aos ca\u00eddos, o colo aos cansados, a palavra estimulante aos que caminham sempre, levando uma cruz pesada. A gente, iletrada ou culta, com f\u00e9 evang\u00e9lica, desperta adormecidos e desatentos e denuncia te\u00f3ricos, tardios em oferecer o seu ombro para ajudar os in\u00fameros feridos da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es frequentes, pessoais e colectivas, que s\u00e3o de leitura dif\u00edcil, se n\u00e3o mesmo imposs\u00edvel, quando faltam a quem julga, crit\u00e9rios adequados \u00e0 sua total compreens\u00e3o. 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