{"id":14341,"date":"2009-05-28T11:26:00","date_gmt":"2009-05-28T11:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14341"},"modified":"2009-05-28T11:26:00","modified_gmt":"2009-05-28T11:26:00","slug":"uma-reflexao-necessaria-talvez-incomoda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-reflexao-necessaria-talvez-incomoda\/","title":{"rendered":"Uma reflex\u00e3o necess\u00e1ria, talvez inc\u00f3moda"},"content":{"rendered":"<p>O grande acontecimento da vida da Igreja \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, ponto alto da vida comunit\u00e1ria, \u201ccume e fonte da vida crist\u00e3\u201d, como a designa o Vaticano II.<\/p>\n<p>Uma preocupa\u00e7\u00e3o conciliar foi tornar esta celebra\u00e7\u00e3o mais digna e significativa Da\u00ed, entre outras coisas, a introdu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua vern\u00e1cula, a adapta\u00e7\u00e3o dos templos para real\u00e7ar o altar e o tornar vis\u00edvel a toda a assembleia como ponto de converg\u00eancia, a qualifica\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio de leitor, chamado a proclamar a Palavra e n\u00e3o apenas a l\u00ea-la, a insist\u00eancia na qualidade dos c\u00e2nticos, a maior participa\u00e7\u00e3o da assembleia, a beleza e a di-gnidade das alfaias lit\u00fargicas, tudo sempre marcado pelo mesmo sentido. Mas, um grande prop\u00f3sito esteve em garantir uma presid\u00eancia digna, pela consci\u00eancia que deve ter quem preside, bispo ou presb\u00edtero, de que o faz em nome do Senhor Jesus, segundo as normas da Igreja, e nunca em nome pr\u00f3prio. Assim, tudo o que diz e faz, o modo como o faz e se apresenta, deve ajudar a assembleia a reconhecer que \u00e9 o Senhor quem convoca e preside, e tudo deve ser digno d\u2019Ele. Do mesmo modo, lhe compete o dever de bem ordenar a celebra\u00e7\u00e3o, para que ela mantenha a sua dignidade e n\u00e3o haja elementos estranhos que a desvirtuem ou empobre\u00e7am o sentido de um acontecimento, eminentemente sagrado comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 se andou muito, mas h\u00e1 sempre caminho por fazer. N\u00e3o podemos deixar de verificar que, por desaten\u00e7\u00e3o, rotina, influ\u00eancia de modelos profanos, arbitrariedades pessoais, qui\u00e7\u00e1 com boa inten\u00e7\u00e3o mas pouco saber teol\u00f3gico e lit\u00fargico, se foram introduzindo, na celebra\u00e7\u00e3o, elementos alheios \u00e0 mesma. Podemos falar de alguns: ao celebrar a Eucaristia, o importante \u00e9 a assembleia dos crentes, reunida em nome do Senhor, irm\u00e3os entre si e com igual dignidade de filhos de Deus; uma assembleia a convergir para Jesus Cristo, que a convocou e a ela preside, n\u00e3o tendo, por isso, lugar sauda\u00e7\u00f5es particularizadas a pessoas e entidades, mesmo religiosas, com t\u00edtulos e superlativos, como se tratasse de uma sess\u00e3o profana; h\u00e1 homilias em que a Palavra de Deus e a realidade da vida quase n\u00e3o t\u00eam lugar e se transformam em recados para ausentes e afirma\u00e7\u00f5es de saber pr\u00f3prio; h\u00e1 improvisa\u00e7\u00f5es de momento, na linguagem e nos ritos, que empobrecem a comunica\u00e7\u00e3o; introduziu-se o abuso das palmas, por tudo e por nada, e interven\u00e7\u00f5es \u00e0 revelia do presidente; c\u00e2nticos desadequados, cortejos onde a imagina\u00e7\u00e3o impera; leitores alheios \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de leitor; posi\u00e7\u00f5es da assembleia marcadas pelo gosto e pela devo\u00e7\u00e3o pessoal; introduzem-se, por vezes, dentro da celebra\u00e7\u00e3o, actos alheios \u00e0 liturgia, que poder\u00e3o realizar-se no fim, antes da b\u00ean\u00e7\u00e3o; cresce o abuso dos fot\u00f3grafos amadores, que operam no templo como na rua, sem respeitar pessoas e momentos, n\u00e3o admitindo observa\u00e7\u00f5es pertinentes.<\/p>\n<p>As celebra\u00e7\u00f5es prolongam-se demasiado, rompe-se o seu equil\u00edbrio e unidade, atropelam-se momentos importantes, queima-se tempo necess\u00e1rio para o sil\u00eancio\u2026<\/p>\n<p>Uma celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 um cabide onde cada um dependura coisas a seu gosto, nem uma assembleia com v\u00e1rios pelouros de gente independente. Tem presid\u00eancia respons\u00e1vel, regras de culto p\u00fablico, minist\u00e9rios ao servi\u00e7o da assembleia. N\u00e3o tem o rigor de uma cerim\u00f3nia militar, mas n\u00e3o dispensa a ordena\u00e7\u00e3o correcta de um acontecimento respeit\u00e1vel. A Igreja quer que ela seja festiva, mas n\u00e3o a qualquer custo. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil extirpar abusos. Sei isso, por experi\u00eancia. Quando me vi surpreendido, j\u00e1 no altar, por interven\u00e7\u00f5es inesperadas e, na sacristia, chamei a aten\u00e7\u00e3o para isso, vi reac\u00e7\u00f5es de desagrado. Quando, terminada a celebra\u00e7\u00e3o quis encontrar-me com o grupo coral para dizer o que, por dever, me competia, ouvi: \u201cO senhor manda no altar, no coro mandamos n\u00f3s\u201d. Quando pedi a um coro que escolhesse c\u00e2nticos que o povo cantasse, foi-me respondido: \u201cNa igreja s\u00f3 tem direito a cantar quem faz parte do coro e vem aos ensaios\u201d. S\u00e3o os tais pelouros que se foram constituindo por falta de forma\u00e7\u00e3o e ganharam for\u00e7a ao verem e ouvirem o que se faz nas missas da televis\u00e3o e da r\u00e1dio, quando n\u00e3o mesmo por ali mais perto.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 sempre uma riqueza a defender, para bem do povo crente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande acontecimento da vida da Igreja \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, ponto alto da vida comunit\u00e1ria, \u201ccume e fonte da vida crist\u00e3\u201d, como a designa o Vaticano II. 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