{"id":14393,"date":"2009-02-18T17:59:00","date_gmt":"2009-02-18T17:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14393"},"modified":"2009-02-18T17:59:00","modified_gmt":"2009-02-18T17:59:00","slug":"a-primeira-enciclica-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-primeira-enciclica-global\/","title":{"rendered":"A primeira enc\u00edclica global"},"content":{"rendered":"<p>Enc\u00edclicas sociais dos Papas &#8211; Pacem in Terris (2) <!--more--> As enc\u00edclicas sociais de Jo\u00e3o XXIII (a \u201cMater et Magistra\u201d e a \u201cPacem in Terris\u201d) fazem parte de uma segunda etapa do pensamento da Igreja sobre as quest\u00f5es sociais. A doutrina social da Igreja (DSI) alarga-se em dois sentidos. Sai do campo estrito das quest\u00f5es relativas ao trabalho (direitos e deveres de patr\u00f5es e trabalhadores, sindicatos, sal\u00e1rio justo, etc.) e da oposi\u00e7\u00e3o entre sistemas e doutrinas (socialismos\/capitalismo e cristianismo) para abra\u00e7ar as quest\u00f5es dos direitos humanos, do desenvolvimento, das desigualdades. No sentido geogr\u00e1fico, \u00e9 o mundo todo que passa a destinat\u00e1rio da DSI. N\u00e3o \u00e9 que antes o n\u00e3o fosse, mas os efeitos da revolu\u00e7\u00e3o industrial apenas se sentiam na Europa e na Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada do in\u00edcio das comunica\u00e7\u00f5es globais por sat\u00e9lite, das viagens intercontinentais a jacto, da maior parte das independ\u00eancias nacionais no Terceiro Mundo, da prolifera\u00e7\u00e3o nuclear que a todos amea\u00e7a, a \u201cPacem in Terris\u201d \u00e9 a primeira enc\u00edclica da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vejamos tr\u00eas dos temas principais.<\/p>\n<p>*  O primeiro \u00e9 o dos direitos humanos (DH), vistos na dupla perspectiva dos direitos e deveres (algo que a Declara\u00e7\u00e3o Universal de 1948 n\u00e3o faz). O Papa entende os DH n\u00e3o como consequ\u00eancia da ideia de toler\u00e2ncia (que parece ser hoje o grande modo de entender a vida social), mas alicer\u00e7ados na dignidade que tem raiz \u201cna lei natural que os confere ou os imp\u00f5e\u201d. \u201cAo direito de todos \u00e0 exist\u00eancia, por exemplo, corresponde o dever de conservar a vida; ao direito a um n\u00edvel de vida digno, o dever de viver dignamente; e ao direito \u00e0 liberdade na busca da verdade, o dever de a procurar todos os dias mais ampla e profundamente\u201d (PT 29). Hoje, mais do que nunca, \u00e9 preciso falar dos deveres humanos \u2013 ainda que n\u00e3o seja simp\u00e1tico.<\/p>\n<p>* O segundo \u00e9 a crescente interdepend\u00eancia das na\u00e7\u00f5es, em muitos aspectos, ao ponto de se falar de um \u201cbem comum universal\u201d, o \u201cbem comum de toda a fam\u00edlia humana\u201d. \u201cCresce a interdepend\u00eancia entre as economias nacionais. Estas entrosam-se gradualmente umas nas outras, quase como partes integrantes de uma \u00fanica economia mundial\u201d (PT 130), escreve o Papa em 1963. \u201c\u00c9 claro de ver que cada Estado n\u00e3o pode atender como conv\u00e9m ao seu pr\u00f3prio proveito (\u2026) isolado dos outros, porque a crescente prosperidade de um Estado \u00e9, em parte, efeito e, em parte, causa da crescente prosperidade de todos os outros\u201d (PT 131). N\u00e3o ser\u00e1 em Jo\u00e3o XXIII que agora os economistas e pol\u00edticos pensam para delinear medidas para ultrapassar a primeira recess\u00e3o global que estamos a viver, mas a situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito estava diagnosticada. Talvez na d\u00e9cada de 1960 (a ONU tinha 15 anos) se pensasse que um governo mundial estivesse pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>* Terceira ideia entre as muitas abordadas (desarmamento, refugiados, minorias, colabora\u00e7\u00e3o entre cat\u00f3licos e n\u00e3o-cat\u00f3licos): a gradualidade na ac\u00e7\u00e3o social. \u201cN\u00e3o faltam pessoas dotadas de particular generosidade que, ao enfrentar situa\u00e7\u00f5es pouco ou nada conformes com as exig\u00eancias da justi\u00e7a, se sentem arder no desejo de tudo renovar, deixando-se arrebatar por \u00edmpeto tal, que at\u00e9 parecem propender para uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o\u201d (PT 161). Hoje, perante a persist\u00eancia dos problemas sociais (pensemos que em Portugal, ao longo das duas \u00faltimas d\u00e9cadas o n\u00famero de pobres manteve-se nos dois milh\u00f5es), este princ\u00edpio tem de ser lembrado precisamente pela raz\u00e3o oposta. \u00c9 poss\u00edvel mudar.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enc\u00edclicas sociais dos Papas &#8211; Pacem in Terris (2)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-14393","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14393"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14393\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}