{"id":14435,"date":"2009-02-19T09:48:00","date_gmt":"2009-02-19T09:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14435"},"modified":"2009-02-19T09:48:00","modified_gmt":"2009-02-19T09:48:00","slug":"o-gigantesco-segredo-do-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-gigantesco-segredo-do-cristao\/","title":{"rendered":"O gigantesco segredo do crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Tolentino Mendon\u00e7a<\/p>\n<p>Padre, Poeta<\/p>\n<p>Teria raz\u00e3o Kierkegaard quando defendia que o cristianismo olha para a hist\u00f3ria tomando o ponto de vista da alegria? Aparentemente n\u00e3o. O poeta Baudelaire lembra que, nos relatos dos Evangelhos, nem por um momento, Jesus sorri (expressando, no entanto, outro tipo de paix\u00f5es), recuperando uma cita\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo: \u00abEle chorou algumas vezes, mas nunca se riu\u00bb. Este aforisma ganhar\u00e1 em Nietzsche contornos de suspei\u00e7\u00e3o generalizada sobre o cristianismo moderno: o cristianismo surgiria mais cred\u00edvel se os crist\u00e3os parecessem satisfeitos. Encontra-se, de facto, a ideia culturalmente difusa de uma aus\u00eancia de alegria nos textos sagrados, na teologia e no viver crist\u00e3os, que vincariam sobretudo o peso da exig\u00eancia moral e o fantasma das culpabilidades. Sem d\u00favida, tal deriva de uma leitura insuficiente da proposta crist\u00e3, que \u00e9, desde o princ\u00edpio, o an\u00fancio de \u00abuma grande alegria\u00bb (Lc 2,10). O escritor G.K. Chesterton, conhecido tamb\u00e9m pelo seu bom-humor, desmente os que dizem que o paganismo \u00e9 uma religi\u00e3o de alegria e o Cristianismo uma religi\u00e3o de tristeza: \u00abO comum dos homens viu-se for\u00e7ado a ser alegre no que dizia respeito \u00e0s pequenas coisas, mas triste no que se refere \u00e0s grandes. No entanto n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio da condi\u00e7\u00e3o humana ser assim. O homem \u00e9 mais ele pr\u00f3prio, o homem \u00e9 mais semelhante ao homem, quando a alegria \u00e9 a coisa principal que se encontra nele, e a tristeza \u00e9 uma coisa acidental. A melancolia devia ser um inocente entreacto, uma terna e fugitiva moldura do esp\u00edrito, ao passo que a alegria deve ser a constante pulsa\u00e7\u00e3o da sua alma\u2026 A alegria \u00e9 o gigantesco segredo do crist\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>A alegria n\u00e3o \u00e9 um produto de consumo r\u00e1pido, nem \u00e9 uma quest\u00e3o cuja procura se possa substituir ou calar no cora\u00e7\u00e3o Humano, deixando-a apenas \u00e0 estrat\u00e9gia comercial das ind\u00fastrias do entretenimento. \u00abJesus estremeceu de alegria sob a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e disse: \u201cBendigo-te, \u00f3 Pai, Senhor do C\u00e9u e da Terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos\u201d\u00bb (Lc 10,21). Um dos dramas da hora presente \u00e9 ser t\u00e3o estreito o c\u00e2none da felicidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tolentino Mendon\u00e7a Padre, Poeta Teria raz\u00e3o Kierkegaard quando defendia que o cristianismo olha para a hist\u00f3ria tomando o ponto de vista da alegria? Aparentemente n\u00e3o. O poeta Baudelaire lembra que, nos relatos dos Evangelhos, nem por um momento, Jesus sorri (expressando, no entanto, outro tipo de paix\u00f5es), recuperando uma cita\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo: \u00abEle [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-14435","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14435\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}