{"id":14447,"date":"2009-05-13T12:01:00","date_gmt":"2009-05-13T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14447"},"modified":"2009-05-13T12:01:00","modified_gmt":"2009-05-13T12:01:00","slug":"confusoes-graves-que-persistem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/confusoes-graves-que-persistem\/","title":{"rendered":"Confus\u00f5es graves que persistem"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja, o Papa e alguns bispos v\u00eaem-se, com crescente frequ\u00eancia, na pra\u00e7a p\u00fablica, em virtude do que dizem e at\u00e9 do que n\u00e3o dizem. Tanto a palavra como o sil\u00eancio s\u00e3o ocasi\u00e3o de aprecia\u00e7\u00e3o e de julgamento p\u00fablico, de acolhimento e de rejei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Agora, foi-se mais longe. Na B\u00e9lgica e na Espanha, pa\u00edses de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, mas de h\u00e1 muito sob a influ\u00eancia de um laicismo mort\u00edfero e arrasador, que n\u00e3o se priva de nada para destruir tudo e todos quantos, no mundo de hoje, falam de Deus ou apelam aos valores transcendentes da vida, foram os parlamentos, nacional e regional, que decidiram, por vota\u00e7\u00e3o de maioria, fazer com que o Papa se retratasse e pedisse perd\u00e3o ao mundo pelas interven\u00e7\u00f5es dissonantes, de ordem \u00e9tica e moral. Nada menos.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 progressivamente manipuladora. As pessoas ouvem e repetem sem reflectir. Minimizam-se ou desconhecem-se as raz\u00f5es contr\u00e1rias, mesmo se expressas por gente n\u00e3o afecta \u00e0 Igreja, mas aberta ao bom senso e a exig\u00eancias \u00e9ticas normais.<\/p>\n<p>Neste contexto, a Igreja e os seus mais respons\u00e1veis s\u00e3o ditos a express\u00e3o p\u00fablica do que \u00e9 ser reaccion\u00e1rio e o obs-t\u00e1culo maior a que o mundo v\u00e1 para a frente\u2026<\/p>\n<p>Esta rejei\u00e7\u00e3o do cristianismo e do que ele significa e ensina, n\u00e3o \u00e9 novidade. N\u00e3o acabar\u00e1, e o clima social actual at\u00e9 a far\u00e1 aumentar. N\u00e3o se muda por via de decretos, cruzadas ou influ\u00eancias. Faz parte da mensagem crist\u00e3 ser sinal de contradi\u00e7\u00e3o, num mundo em que a verdade e os valores morais essenciais n\u00e3o favorecem os seus objectivos. Aumentam os intolerantes que exigem respeito, mas n\u00e3o sabem respeitar.<\/p>\n<p>A Igreja, servidores e comunidades, n\u00e3o pode alhear-se a esta realidade e ter\u00e1 de aprender a confrontar-se com as cr\u00edticas e a saber discernir o seu significado e o apelo que comportam \u00e0 sua purifica\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o, bem como \u00e0 sua linguagem habitual. Para o crente n\u00e3o h\u00e1 muros a separar praticantes e n\u00e3o praticantes, amigos e inimigos. H\u00e1 gente que Deus ama e quer salvar, fazendo da sua Igreja, tal como ela se entende a si pr\u00f3pria, mediadora deste projecto. Em tudo, por isso mesmo, ela deve acolher e discernir os \u201csinais dos tempos\u201d, que s\u00e3o o novo modo de Deus se revelar. Deve acordar e advertir, no complexo mundo actual, onde \u00e9 enviada em miss\u00e3o, que \u00e9 este o seu mundo, e n\u00e3o aquele j\u00e1 passado, que parece ainda encher cabe\u00e7as paradas e cora\u00e7\u00f5es nost\u00e1lgicos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Igreja, vivida, por s\u00e9culos, em pa\u00edses e continentes, est\u00e1 repleta de ac\u00e7\u00f5es permanentes e s\u00e9rias, ao servi\u00e7o das pessoas e da sociedade. Chamada a agir num mundo dominado por uma nova cultura, pelo di\u00e1logo necess\u00e1rio com uma sociedade marcada por vazio e ansiedades, a Igreja depara com s\u00e9rias dificuldades, na sua comunica\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o pode regredir em rela\u00e7\u00e3o ao caminho tra\u00e7ado pelas suas ra\u00edzes evang\u00e9licas, retomado, com nova sensibilidade e vigor, pelo Conc\u00edlio Vaticano II. A exig\u00eancia de caminhos novos num mundo plural, levam-na a assumir, sempre mais, a sua identidade de Povo de Deus, peregrino na sociedade e na hist\u00f3ria. Um Povo humilde de servidores, com todos os seus membros a gozar da mesma dignidade e a realizar uma miss\u00e3o comum: Um Povo que tem de mostrar vontade e coragem para n\u00e3o se identificar, nem aparecer como uma sociedade \u00e0 maneira humana, desligando-se, por isso, de atitudes e roupagens hist\u00f3ricas, que nunca foram fundamentais \u00e0 sua vida e ac\u00e7\u00e3o, e que constituem, hoje, um peso que prejudica e dificulta a sua imagem e miss\u00e3o. Caminho novo \u00e9 desejar que o magist\u00e9rio do Papa, sem que perca a dimens\u00e3o pessoal pr\u00f3pria, se torne mais colegial; \u00e9 contar, em quest\u00f5es importantes e decisivas para a miss\u00e3o, com os bispos, com o saber e experi\u00eancia de quem conhece e sente os desafios que tocam a vida dos que lhes foram confiados; \u00e9 dar mais valor \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais de cada pa\u00eds, estruturas necess\u00e1rias, mas pouco aproveitadas; \u00e9 tentar que os seus servidores a tempo inteiro, cl\u00e9rigos e consagrados, se assumam como dom Deus \u00e0 Igreja e \u00e0 sociedade, centrando a sua vida e ac\u00e7\u00e3o no essencial, e investindo os seus talentos, pessoais e comunit\u00e1rios, na causa permanente da evangeliza\u00e7\u00e3o, e no que esta exige, em testemunho de vida, marcado pela unidade, comunh\u00e3o e coer\u00eancia; \u00e9 dar aos leigos, que vivem a sua f\u00e9 no meio das contradi\u00e7\u00f5es e da dureza da vida, mais forma\u00e7\u00e3o adequada, mais tempo para os escutar, mais respeito pelas suas opini\u00f5es, interven\u00e7\u00f5es e autonomia no que lhes \u00e9 pr\u00f3prio; \u00e9 escutar os jovens, penetrar no seu cora\u00e7\u00e3o, perscrutar-lhes os sonhos, adivinhar-lhes os seus desejos e projectos\u2026 Ent\u00e3o, o rosto e a linguagem da Igreja ir\u00e1 mudando e o mundo que \u00e9 chamada a amar come\u00e7ar\u00e1 a entend\u00ea-la e apreci\u00e1-la.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o ou vem de dentro ou nunca se dar\u00e1. \u00c9 preciso que quem se sente Igreja o entenda e o assuma. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja, o Papa e alguns bispos v\u00eaem-se, com crescente frequ\u00eancia, na pra\u00e7a p\u00fablica, em virtude do que dizem e at\u00e9 do que n\u00e3o dizem. Tanto a palavra como o sil\u00eancio s\u00e3o ocasi\u00e3o de aprecia\u00e7\u00e3o e de julgamento p\u00fablico, de acolhimento e de rejei\u00e7\u00e3o. Agora, foi-se mais longe. 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