{"id":14511,"date":"2009-02-26T12:20:00","date_gmt":"2009-02-26T12:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14511"},"modified":"2009-02-26T12:20:00","modified_gmt":"2009-02-26T12:20:00","slug":"conversar-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/conversar-para\/","title":{"rendered":"Conversar para&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\u2026 ouvir ou ser ouvido <\/p>\n<p>Quando perguntamos Como est\u00e1, ou A sua sa\u00fade, ou Passou bem, normalmente o nosso interlocutor responde desfiando um rol de problemas. A crise, as doen\u00e7as, os jovens de agora, os computadores e a Internet, os telem\u00f3veis, s\u00e3o pretexto para as queixas habituais que nos caracterizam. Quando a nossa pergunta espera ouvir uma resposta, l\u00e1 ficamos algum tempo a escutar o que o outro tem para nos dizer. Se passou bem e como est\u00e1 a sa\u00fade. <\/p>\n<p>O que acontece, por\u00e9m, \u00e9 que, em grande parte das vezes, perguntamos para termos uma oportunidade para falarmos de n\u00f3s. \u00c9 ou n\u00e3o verdade que n\u00e3o nos ficamos pelo ouvir e aproveitamos uma pausa em que o outro p\u00e1ra para respirar, para lhe dizermos Pois \u00e9, eu tamb\u00e9m tenho esse problema, mas o meu \u00e9 mais grave, ou ent\u00e3o J\u00e1 sabe de fulano e sicrano que tamb\u00e9m teve essa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Compreendo que muitas vezes sejamos n\u00f3s quem mais precisa de falar e, por isso, ao encontrarmos um ouvido atento que, inocentemente, nos respondeu \u00e0 pergunta lan\u00e7ada como isco, desinteressamo-nos da resposta, para expormos os nossos problemas. Afinal, n\u00e3o queremos ouvir os outros, queremos \u00e9 que nos oi\u00e7am a n\u00f3s. <\/p>\n<p>(Ser\u00e1 f\u00e1cil testar esta teoria: observem-se as conversas num consult\u00f3rio, numa reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica; preste-se aten\u00e7\u00e3o aos di\u00e1logos de circunst\u00e2ncia que temos durante o dia. Quando algu\u00e9m lhe perguntar Como est\u00e1 ou Passou bem, responda laconicamente e retribua a pergunta. Talvez tenha uma surpresa e o outro lhe fa\u00e7a o resumo da sua vida nos \u00faltimos sete anos.)<\/p>\n<p>\u2026 fazer pensar, fazer crescer <\/p>\n<p>Ontem, conversaste com um grupo de rapazes e raparigas cujo passatempo preferido era achincalhar um colega. Entre os jogos de futebol e as conversas de amigos, l\u00e1 lhes sa\u00eda frequentemente um palavr\u00e3o ou um cognome nada elogioso com que presenteavam o outro. <\/p>\n<p>Quando os confrontaste com o \u201cbullying\u201d, souberam de imediato definir o conceito. At\u00e9 te admiraste por identificarem t\u00e3o rapidamente outras situa\u00e7\u00f5es similares, em que algu\u00e9m escolhe um alvo mais fraco para atingir de forma continuada \u2013 viol\u00eancia dom\u00e9stica, maus-tratos infantis. Espantaste-te por nenhum referir a not\u00edcia que h\u00e1 poucos dias chocou a opini\u00e3o p\u00fablica: uma rapariga foi agredida repetidas vezes por colegas da sua escola. Serenaste-os quando perguntaram se o outro era v\u00edtima de maus-tratos e sorriste com o al\u00edvio daqueles cuja preocupa\u00e7\u00e3o se estava a adensar. Disseste que o outro tinha \u2013 \u201cgra\u00e7as a Deus\u201d, invocaste o nome dEle \u2013 um \u00f3ptimo ambiente familiar. <\/p>\n<p>Tentaste que percebessem que quem \u00e9 alvo de chacota se sente triste. N\u00e3o chegaste a falar de humilha\u00e7\u00e3o, mas foste muito directa quando usaste a palavra cobardia. Contudo, nenhum se ofendeu, e todos assumiram que estavam a ser cobardes. Confessaste o teu espanto e sobretudo tristeza por aquilo ter acontecido e descobrires que n\u00e3o era recente. Acontecia desde a inf\u00e2ncia, h\u00e1 cerca de quatro anos, talvez. As crian\u00e7as conseguem ser cru\u00e9is, pensaste. Emocionaste-te quando alguns elementos do grupo confessaram que se estavam a sentir mal, com um peso na consci\u00eancia, e que iam pedir desculpa ao outro. <\/p>\n<p>Tiveste sorte porque este grupo conversou contigo, ouviu e reflectiu. Eles pareceram-te sinceros. Agora, n\u00e3o podes baixar a vigil\u00e2ncia e tens de estar atenta ao m\u00ednimo sinal de \u201cbullying\u201d. Mas\u2026 \u00e9s capaz de ter conseguido fazer pensar. Fazer crescer.<\/p>\n<p>\u2026 recordar e festejar<\/p>\n<p>Em Fevereiro, h\u00e1 200 anos, a 12, nasceu Charles Darwin, o famoso naturalista, que desenvolveu a Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o e Selec\u00e7\u00e3o Natural. H\u00e1 100 anos, Marconi recebeu o Pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica por ter inventado as telecomunica\u00e7\u00f5es sem fios. H\u00e1 100 anos, a 15, nasceu Miep Gies, que ajudou Anne Frank e a fam\u00edlia, durante a Segunda Guerra Mundial. Foi ela que descobriu os manuscritos do Di\u00e1rio de Anne Frank, que \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de vida para todos quantos o l\u00eaem. H\u00e1 100 anos, a 12, nasceu Carmen Miranda, uma das maiores embaixadoras da l\u00edngua portuguesa. H\u00e1 100 anos, a 11, nasceu Jesu\u00edna Pina de Almeida, a minha av\u00f3 materna, com quem festej\u00e1mos o anivers\u00e1rio no dia 14. Parab\u00e9ns, querida av\u00f3!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2026 ouvir ou ser ouvido Quando perguntamos Como est\u00e1, ou A sua sa\u00fade, ou Passou bem, normalmente o nosso interlocutor responde desfiando um rol de problemas. 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