{"id":14512,"date":"2009-02-26T12:21:00","date_gmt":"2009-02-26T12:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14512"},"modified":"2009-02-26T12:21:00","modified_gmt":"2009-02-26T12:21:00","slug":"viagem-unica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/viagem-unica\/","title":{"rendered":"Viagem \u00fanica"},"content":{"rendered":"<p>Tem raz\u00e3o quem diz que os homens s\u00e3o o contr\u00e1rio das montanhas. Ao longe parecem grandes. Pr\u00f3ximos, nota-se a sua pequen\u00eas. Ao contr\u00e1rio das montanhas. O nosso pr\u00f3ximo \u00e9 mesmo um problema. Pr\u00f3ximo, no lugar e no tempo. De tal modo que muitas an\u00e1lises sociais, pol\u00edticas, culturais e religiosas consideram sempre melhor o que est\u00e1 longe no tempo e no espa\u00e7o. Assim se descrevem as maravilhas do passado. Nas fam\u00edlias, nas escolas, nas can\u00e7\u00f5es, na Igreja, na vida pol\u00edtica e nessa esp\u00e9cie de praga democr\u00e1tica que \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o telef\u00f3nica em f\u00f3runs de r\u00e1dio e televis\u00e3o. Se n\u00e3o se fala do passado evoca-se o distante: para l\u00e1 muito a Norte ou muito a Sul. Mas distante, inacess\u00edvel, burilado pela imagina\u00e7\u00e3o ou pelo indemonstr\u00e1vel. Para facilitar, diz-se \u201cl\u00e1 fora, no estrangeiro\u201d. Enfim, tudo o que n\u00e3o \u00e9 aqui ou agora.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o problema: fugir ao que est\u00e1 ao nosso alcance e ocupa o nosso quotidiano, as nossas conversas, as anedotas que contamos, as preocupa\u00e7\u00f5es que revelamos, aquilo para que a l\u00edngua est\u00e1 sempre afiada, distanciando-nos da responsabilidade, do compromisso, do interesse m\u00ednimo em oferecer o nosso contributo para a resolu\u00e7\u00e3o. Divertindo-nos com o enigmas para nos esquivarmos ao compromisso e ac\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma quest\u00e3o essencial no lugar e no momento que atravessamos. O lugar \u00e9 muito mais que o pequeno rect\u00e2ngulo a que temos relut\u00e2ncia, em certos momentos, de chamar p\u00e1tria, h\u00famus donde provimos e donde queremos um dia partir. Dizemos que \u00e9 \u201ceste pa\u00eds\u201dpara que nos n\u00e3o atinja nem comprometa, nem sequer envolva. Vamos resolvendo o nosso imediato e gerindo o resto de sorte que nos toca, de n\u00e3o estarmos sem abrigo e termos sobre a mesa, ainda que n\u00e3o muito abundante ou mesmo um pouco embolorado, o p\u00e3o de cada dia.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o \u00e9 exactamente esta: a n\u00edvel individual e colectivo assumirmos que este \u00e9 o nosso tempo e o nosso lugar, onde estamos \u201cinscritos\u201d na hist\u00f3ria e onde o nosso remo n\u00e3o pode ser entregue a mais ningu\u00e9m. Esta \u00e9 a nossa onda, o nosso mar e a nossa \u00fanica viagem antes do eterno. Quem somos n\u00f3s para nos colocarmos numa varanda imagin\u00e1ria a ver passar um cortejo a que queremos ser alheios? O nosso lugar, a nossa voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 aqui e agora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem raz\u00e3o quem diz que os homens s\u00e3o o contr\u00e1rio das montanhas. Ao longe parecem grandes. Pr\u00f3ximos, nota-se a sua pequen\u00eas. Ao contr\u00e1rio das montanhas. O nosso pr\u00f3ximo \u00e9 mesmo um problema. Pr\u00f3ximo, no lugar e no tempo. De tal modo que muitas an\u00e1lises sociais, pol\u00edticas, culturais e religiosas consideram sempre melhor o que est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-14512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14512"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14512\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}