{"id":14598,"date":"2009-03-11T16:16:00","date_gmt":"2009-03-11T16:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14598"},"modified":"2009-03-11T16:16:00","modified_gmt":"2009-03-11T16:16:00","slug":"ha-menos-trabalho-mas-as-empresas-vao-se-aguentando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-menos-trabalho-mas-as-empresas-vao-se-aguentando\/","title":{"rendered":"H\u00e1 menos trabalho, mas as empresas v\u00e3o-se aguentando"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 menos trabalho. O posto de trabalho pode estar em perigo. E h\u00e1 quem trabalhe mais e ganhe menos. Movimentos crist\u00e3os ligados ao mundo do trabalho promoveram um encontro para ouvir outros trabalhadores sobre o panorama laboral<\/p>\n<p>Testemunho 1. \u201cO meu filho trabalhava por conta pr\u00f3pria na constru\u00e7\u00e3o civil, mas ningu\u00e9m lhe pagava. Teve de emigrar para a Su\u00ed\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Testemunho 2. \u201cNa empresa onde trabalho, o subs\u00eddio de f\u00e9rias chegou com atraso. H\u00e1 m\u00e1quinas que est\u00e3o paradas por diminui\u00e7\u00e3o de encomendas. Trabalhamos a 50 por cento. Tem havido dispensas, a come\u00e7ar pelos mais velhos\u201d.<\/p>\n<p>Testemunho 3. \u201cNa minha empresa, h\u00e1 redu\u00e7\u00f5es nos contratos a prazo e no trabalho tempor\u00e1rio. O grupo tem outras empresas no pa\u00eds e numa delas houve uma redu\u00e7\u00e3o de 50 por cento do pessoal. A empresa exporta muito, mas os mercados exteriores est\u00e3o em contrac\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 uma grande dificuldade nos recebimentos. Estou l\u00e1 h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas e nunca houve ordenados em atraso. E se algu\u00e9m \u00e9 despedido, paga-se a indemniza\u00e7\u00e3o e tudo aquilo a que t\u00eam direito. Mas nota-se que h\u00e1 apreens\u00e3o nos empregados. E tamb\u00e9m um esp\u00edrito de \u00abvamos dar o nosso melhor\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o apenas tr\u00eas testemunhos das duas dezenas que a LOC-MTC (Liga dos Oper\u00e1rios Cat\u00f3licos \u2013 Movimento dos Trabalhadores Crist\u00e3os) da Diocese de Aveiro quis ouvir, tendo convidado colaboradores das empresas de regi\u00e3o de Aveiro e tamb\u00e9m alguns desempregados para uma sess\u00e3o que decorreu no Centro Universit\u00e1rio, na noite de 27 de Fevereiro.<\/p>\n<p>No meio do panorama laboral cinzento, houve quem dissesse que as suas empresas est\u00e3o a admitir pessoal. Uma do ramo alimentar, outra do ramo da celulose, est\u00e3o a contratar pessoas. Mas o tom geral dos testemunhos foi de apreens\u00e3o. A crise est\u00e1 instalada e poucos lhe s\u00e3o imunes \u2013 o emprego \u00e9 um bem raro. E alertou-se para os empres\u00e1rios menos escrupulosos. H\u00e1 alguns que se aproveitam da crise. Despedem para contratar colaboradores com sal\u00e1rios mais baixos.<\/p>\n<p>Impot\u00eancia perante a crise<\/p>\n<p>Do encontro sobressaiu que os empregados t\u00eam consci\u00eancia de que a crise ultrapassa os poderes das inst\u00e2ncias superiores. Empresa e Estado s\u00e3o impotentes para lidar com as dificuldades. \u201cAs empresas n\u00e3o podem ter stocks. O tempo do produto armazenado acabou. Ter stock, com cargas e descargas, movimentos e manuten\u00e7\u00e3o, \u00e9 perda de dinheiro. As empresas produzem em fun\u00e7\u00e3o dos planos, que h\u00e1 dez anos eram de meio ano, agora s\u00e3o de uma semana. Por isso, h\u00e1 subcontratos de 15 dias e empresas de trabalho tempor\u00e1rio\u201d, explica um funcion\u00e1rio de uma multinacional. Um empregado banc\u00e1rio acrescenta explica\u00e7\u00f5es que remetem para o modelo em que temos vivido. \u201cAcabou-se o cr\u00e9dito a torto e a direito. H\u00e1 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com o cr\u00e9dito malparado. E por isso os bancos est\u00e3o mais virados para a capta\u00e7\u00e3o do dinheiro do que para emprestar\u201d \u2013 o que tanto cria dificuldades para os empres\u00e1rios que querem investir como para o consumo, motor da economia. O mesmo banc\u00e1rio denunciou o encerramento de balc\u00f5es que n\u00e3o d\u00e3o lucro &#8211; mas cumprem um servi\u00e7o social nas pequenas povoa\u00e7\u00f5es &#8211; e os rendimentos fabulosos de alguns gestores. \u201cAqui n\u00e3o se notam os cortes\u201d, afirmou. Um oper\u00e1rio de uma fundi\u00e7\u00e3o criticou a \u201chospedagem de gestores em hot\u00e9is\u201d sem se saber \u201co que de \u00fatil fazem na empresa\u201d, quando os colaboradores \u201csaem da f\u00e1brica como se sai de uma mina: negros\u201d. E v\u00e1rios referiram que h\u00e1 horas extras que n\u00e3o s\u00e3o pagas.<\/p>\n<p>Igreja atenta<\/p>\n<p>Real\u00e7ou-se, por outro lado, a estrat\u00e9gia de algumas empresas para evitar o despedimento. Numa do sector autom\u00f3vel, h\u00e1 muito se usa o banco de horas para \u201cgerir as flutua\u00e7\u00f5es de actividade\u201d. Ao mesmo tempo, h\u00e1 trabalhadores que entram em programas de forma\u00e7\u00e3o devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da actividade laboral.<\/p>\n<p>A audi\u00e7\u00e3o incidiu em colaboradores de empresas das proximidades de Aveiro e ningu\u00e9m referiu despedimentos em massa ou fal\u00eancias \u2013 ao contr\u00e1rio do que tem acontecido no norte do distrito.<\/p>\n<p>No final do encontro que foi moderado por Graciete Marques (coordenadora da LOC-MTC) e contou com a colabora\u00e7\u00e3o de outros movimentos de Igreja relacionados com o mundo do trabalho, o P.e Lu\u00eds Barbosa (assistente da LOC-MTC) destacou a import\u00e2ncia da sess\u00e3o \u201cpara tomar consci\u00eancia dos problemas\u201d e sublinhou que estas quest\u00f5es s\u00e3o \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d, que na sua vis\u00e3o da sociedade defende o \u201cpleno emprego\u201d. O sacerdote notou que \u201ca crise obriga a repensar o modelo de vida\u201d \u2013 o que tanto se pode reflectir nas op\u00e7\u00f5es de consumo e de poupan\u00e7a, como na forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida e na pr\u00e1tica da solidariedade. <\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 menos trabalho. O posto de trabalho pode estar em perigo. E h\u00e1 quem trabalhe mais e ganhe menos. Movimentos crist\u00e3os ligados ao mundo do trabalho promoveram um encontro para ouvir outros trabalhadores sobre o panorama laboral Testemunho 1. \u201cO meu filho trabalhava por conta pr\u00f3pria na constru\u00e7\u00e3o civil, mas ningu\u00e9m lhe pagava. 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