{"id":14632,"date":"2009-03-11T17:27:00","date_gmt":"2009-03-11T17:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14632"},"modified":"2009-03-11T17:27:00","modified_gmt":"2009-03-11T17:27:00","slug":"simone-weil-a-mistica-que-ficou-a-porta-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/simone-weil-a-mistica-que-ficou-a-porta-da-igreja\/","title":{"rendered":"Simone Weil, a m\u00edstica que ficou \u00e0 porta da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Vidas que marcam <!--more--> Teria completado cem anos no dia 3 de Fevereiro passado, mas morreu jovem, com 34 anos. Simone Adolphine Weil (Paris, 3 de Fevereiro de 1909 \u2013 Ashford, 24 de Agosto de 1943) \u00e9 a m\u00edstica crist\u00e3 que n\u00e3o chegou a ser baptizada, a revolucion\u00e1ria que n\u00e3o acreditava no fascismo nem no comunismo, a convertida que quis ficar no escuro da porta do farol (\u201c\u00c0 porta do farol faz escuro\u201d \u00e9 o t\u00edtulo que re\u00fane em portugu\u00eas alguns dos seus poemas, ed. Apostolado de Ora\u00e7\u00e3o), a fil\u00f3sofa que achava que a reflex\u00e3o s\u00f3 vale para melhorar a ac\u00e7\u00e3o (as suas \u201cObras completas\u201d perfazem oito volumes).<\/p>\n<p>Simone Weil nasceu numa fam\u00edlia judia, em Fran\u00e7a, mas teve educa\u00e7\u00e3o agn\u00f3stica. Na cr\u00f3nica semanal no Di\u00e1rio de Not\u00edcias, o P.e Anselmo Borges recordou recentemente epis\u00f3dios da vida deste esp\u00edrito inquieto (DN 31-01-2009). Com apenas 11 anos, participa em manifesta\u00e7\u00f5es dos grevistas parisienses. Mais tarde torna-se oper\u00e1ria da Renault para compreender o quotidiano das f\u00e1bricas. Ainda Anselmo Borges: \u201cSimone de Beauvoir refere nas suas \u00abMem\u00f3rias\u00bb um encontro na Sorbonne: Weil jura apenas pela Revolu\u00e7\u00e3o que \u00abdaria de comer a toda a gente\u00bb e a Beauvoir, que sustenta que o verdadeiro problema \u00e9 o de \u00abencontrar um sentido para a exist\u00eancia\u00bb, replica: \u00abV\u00ea-se bem que nunca passaste fome!\u00bb\u201d<\/p>\n<p>Na busca intermin\u00e1vel de Simone Weil teve import\u00e2ncia uma passagem por Portugal. Em 1935, na P\u00f3voa do Varzim, assistiu a uma prociss\u00e3o de velas de mulheres de pescadores e ficou abismada com os c\u00e2nticos populares. \u201c\u00c9 ent\u00e3o que ela recebe uma luz que a guiar\u00e1 at\u00e9 ao fim dos seus dias: d\u00e1-se conta de que a religi\u00e3o de Cristo crucificado \u00e9, n\u00e3o pode deixar de ser, a religi\u00e3o universal de todos os homens e mulheres, de todos os tempos e condi\u00e7\u00f5es, marcados pela brasa da desventura, da desgra\u00e7a do \u00abmalheur\u00bb (que o nosso voc\u00e1bulo \u00abinfelicidade\u00bb n\u00e3o consegue exprimir)\u201d, escreve Jos\u00e9 M. Pacheco Gon\u00e7alves na apresenta\u00e7\u00e3o da obra \u201cEspera de Deus\u201d (ed. Ass\u00edrio&#038;Alvim).<\/p>\n<p>Simone Weil morre em 1943, na Inglaterra, para onde tinha emigrado (ap\u00f3s uma estadia nos EUA), para se juntar \u00e0 resist\u00eancia francesa. Afectada por uma tuberculose, morre de fome, num sanat\u00f3rio, por solidariedade para com os france-ses em guerra. N\u00e3o chegou a ser baptizada, apesar dos esfor\u00e7os do P.e Joseph-Marie Perrin. Sentia-se \u201ccrist\u00e3 fora da Igreja\u201d. Tolentino Mendon\u00e7a, no pref\u00e1cio de um outro livro (\u201cOs imperdo\u00e1veis\u201d, de Cristina Campo), escreve: \u201cEquivocou-se, no fundo, o Padre Perrin, mestre espiritual da Simone, que lhe concedeu o m\u00e1ximo e lhe pediu o m\u00ednimo. \u00abPosso baptizar-te mesmo assim\u00bb, disse a Simone Weil o Padre Perrin e, inevitavelmente, Simone Weil deu um passo atr\u00e1s. Um mais profundo e rigoroso te\u00f3logo ter-lhe-ia simplesmente negado o baptismo sem tentar nem as concilia\u00e7\u00f5es nem o pathos. E Simone Weil teria, provavelmente, ca\u00eddo de joelhos\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Bom porto<\/p>\n<p>\u201cAquilo a que chamo bom porto \u00e9, como sabe, a cruz. Se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que me seja dado merecer participar, um dia, na de Cristo, que o seja ao menos na do bom ladr\u00e3o. De todos os seres de que se fala no Evangelho para al\u00e9m de Cristo, o bom ladr\u00e3o \u00e9, de longe, o que mais invejo. Ter estado ao lado de Cristo e nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, durante a crucifix\u00e3o, parece-me um privil\u00e9gio muito mais invej\u00e1vel do que o de estar \u00e0 sua direita na sua gl\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Simone Weil, excerto de uma carta ao P.e Perrin, in \u201cEspera de Deus\u201d (ed Ass\u00edrio&#038; Alvim)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vidas que marcam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-14632","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14632\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}