{"id":14670,"date":"2009-03-11T18:06:00","date_gmt":"2009-03-11T18:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14670"},"modified":"2009-03-11T18:06:00","modified_gmt":"2009-03-11T18:06:00","slug":"uma-mulher-uma-crista-a-minha-homenagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-mulher-uma-crista-a-minha-homenagem\/","title":{"rendered":"Uma mulher&#8230; uma crist\u00e3&#8230; a minha homenagem"},"content":{"rendered":"<p>O dia 8 de Mar\u00e7o \u00e9 anualmente dedicado \u00e0 Mulher. Tal data faz-me passar, como em filme, os exemplos maravilhosos de Mulheres do tempo passado e do nosso tempo, que se distinguiram \u2013 ou distinguem \u2013 em ac\u00e7\u00f5es merit\u00f3rias de bem-fazer. Neste sentido e particularizando, trago hoje \u00e0 ribalta apenas uma delas, cuja dedica\u00e7\u00e3o a pessoas e a institui\u00e7\u00f5es sempre me impressionou. A isto tamb\u00e9m me incentivou o testemunho autobiogr\u00e1fico de uma leitora an\u00f3nima, publicado no \u00faltimo n\u00famero do Correio do Vouga. O meu depoimento despretensioso poder\u00e1 significar um gesto de participa\u00e7\u00e3o no rescaldo comemorativo daquele dia.<\/p>\n<p>N\u00e3o interessa o nome desta Mulher, que ali\u00e1s \u00e9 invulgar, sen\u00e3o \u00fanico: Aneluegira Merahia Seprino; para maior facilidade, seria prefer\u00edvel que se chamasse Maribel C\u00e2ndida de Caria \u2013 o que vai dar no mesmo. Uma vez, depois de apanhada fortemente por Deus at\u00e9 \u00e0 medula no seio da sua comunidade paroquial, encontrou-se a reflectir no desabafo do profeta Jeremias (cf. 20, 7-9): &#8211; \u00abSeduziste-me, Senhor; e eu me deixei seduzir! Dominaste-me e obtiveste o triunfo. [\u2026] Em face das dificuldades e incompreens\u00f5es, eu caio na tenta\u00e7\u00e3o de dizer a mim pr\u00f3pria: n\u00e3o mais mencionarei Deus e nem falarei em seu nome. Mas, no meu \u00edntimo, h\u00e1 um fogo devorador, encerrado nos meus ossos. Esgoto-me a refre\u00e1-lo, mas n\u00e3o o consigo.\u00bb E tal medita\u00e7\u00e3o \u00e9-lhe frequente.<\/p>\n<p>E assim tem vivido e porfia em viver, deixando transparecer o incessante entusiasmo e a expansiva alegria em qualquer momento ou em qualquer circunst\u00e2ncia, mesmo nas horas aflitivas das suas dores f\u00edsicas. Para ela, o sofrimento n\u00e3o \u00e9 um peso sem sentido nem um drama sem esperan\u00e7a; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 caminho de reden\u00e7\u00e3o, \u00e9 oportunidade de crescimento e \u00e9 an\u00fancio de bem-aventuran\u00e7a. O Esp\u00edrito Santo a conduz e lhe d\u00e1 o aux\u00edlio necess\u00e1rio para superar todas as provas. Nela se verifica o que o nosso Bispo escreveu em 11 de Fevereiro passado: &#8211; \u00abQuantas vezes o sofrimento nos aproxima, nos liberta, nos faz irm\u00e3os, nos desvela a n\u00f3s pr\u00f3prios e nos abre sentidos novos \u00e0 vida, com marcas de esperan\u00e7a e com tra\u00e7os de consola\u00e7\u00e3o, de serenidade e de paz!\u00bb<\/p>\n<p>Nem a doen\u00e7a continuada, nem o cansa\u00e7o teimoso, nem as agruras variadas, nem as maledic\u00eancias alheias\u2026 nada disso a demove de persistir em ser o que \u00e9: &#8211; Mulher fiel ao projecto de Deus, que aceitou com determina\u00e7\u00e3o. Sofre com autenticidade os problemas da sua comunidade, sem descurar os deveres profissionais e as responsabilidades familiares com o marido e com os filhos. N\u00e3o manda nem pede para fazer, mas faz; n\u00e3o julga nem critica, mas insere-se nas tribula\u00e7\u00f5es dos humildes; n\u00e3o sabe parar nem estar quieta, mas caminha; pratica o bem com amor, sem nada esperar em troca. Para se realizar humanamente, comunica sempre com toda a gente, a prop\u00f3sito e a desprop\u00f3sito, qual fonte borbulhante cujas \u00e1guas nunca faltam. Em todas as eventualidades, quer ter o desejo de S. Paulo (Fil. 1, 21): &#8211; \u00abPara mim viver \u00e9 Cristo.\u00bb Por isso, numa confiss\u00e3o sa\u00edda do seu cora\u00e7\u00e3o, p\u00f4de afirmar-me um dia: &#8211; \u00abConfio que Cristo conduz a minha barca, sobretudo nas \u00e1guas adversas; n\u00e3o desisto e espero nunca desistir, apesar de parecer que Ele n\u00e3o est\u00e1 comigo. Nestas alturas de tormento, talvez Ele esteja mais pr\u00f3ximo, a levar-me carinhosamente ao seu colo.\u00bb<\/p>\n<p>Esta Mulher crist\u00e3, sentindo-se escolhida por Deus n\u00e3o para ser um privil\u00e9gio mas para ser um servi\u00e7o aos demais, aparece como mensageira surpreendente da f\u00e9 em Jesus Cristo; como testemunha fidedigna da virtude pelo exemplo; como conselheira sol\u00edcita dos que dizem n\u00e3o ter d\u00favidas; como muleta s\u00f3lida e firme dos titubeantes e indecisos. A Aneluegira aproveita o tempo que lhe \u00e9 concedido, sem cruzar os bra\u00e7os, gastando com utilidade o seu \u00abquarto de hora de sentinela\u00bb \u2013 na express\u00e3o repetida por D. Manuel de Almeida Trindade. Decerto que anseia por cumprir a recomenda\u00e7\u00e3o do autor b\u00edblico Ben-Sirac (7, 36-39): &#8211; \u00abEstende a m\u00e3o aos pobres\u2026 d\u00e1 de boa vontade aos vivos\u2026 n\u00e3o deixes de consolar os que choram\u2026 aproxima-te dos que est\u00e3o aflitos\u2026 s\u00ea diligente em visitar os doentes\u2026 pois \u00e9 assim que te firmar\u00e1s na caridade.\u00bb Embora ela nem sequer pense nisso, vejo-a como uma imitadora do Santo Ap\u00f3stolo (1Cor. 9, 22-23): &#8211; \u00abFiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos; fiz-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo; e tudo isto eu fa\u00e7o por causa do Evangelho, para dele me tornar participante.\u00bb <\/p>\n<p>Talvez o leitor julgue que esta Mulher \u00e9 uma mera utopia. Garanto-lhe que n\u00e3o. Ela anda por a\u00ed nas ruas deste nosso mundo. Se algu\u00e9m a descobrir com os olhos do cora\u00e7\u00e3o, nessa altura terei a alegria de apenas n\u00e3o ser eu a encontr\u00e1-la. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil descobri-la, porque, na sua simplicidade, jamais ambicionou nem ambiciona dar nas vistas. Desta maneira, corresponde ao conselho de Jesus Cristo (cf. Mt. 6, 1-3): &#8211; \u00abN\u00e3o pratiqueis as vossas boas obras diante dos homens para serdes vistos por eles (\u2026); n\u00e3o saiba a tua m\u00e3o esquerda o que faz a tua direita.\u00bb Decerto que os gestos de amor de tal Mulher v\u00e3o certamente perdurar na mem\u00f3ria e no cora\u00e7\u00e3o dos que s\u00e3o singularmente favorecidos por ela, dos que t\u00eam o privil\u00e9gio de a conhecerem e dos que casualmente ouvem falar da sua bondade.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que provocam espontaneamente uma interroga\u00e7\u00e3o no \u00edntimo da nossa pr\u00f3pria consci\u00eancia: &#8211; Donde lhes vem o alento que lhes d\u00e1 tanta afoiteza arrojada, tanta ousadia destemida e tanto entusiasmo apaixonado? Eu pessoalmente respondo, desde j\u00e1, com fundada raz\u00e3o: &#8211; S\u00f3 de Deus\u2026 e de mais ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 8 de Mar\u00e7o \u00e9 anualmente dedicado \u00e0 Mulher. Tal data faz-me passar, como em filme, os exemplos maravilhosos de Mulheres do tempo passado e do nosso tempo, que se distinguiram \u2013 ou distinguem \u2013 em ac\u00e7\u00f5es merit\u00f3rias de bem-fazer. 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