{"id":14752,"date":"2009-03-19T15:02:00","date_gmt":"2009-03-19T15:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14752"},"modified":"2009-03-19T15:02:00","modified_gmt":"2009-03-19T15:02:00","slug":"reflexao-serena-sobre-a-mulher-com-as-luzes-e-sombras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/reflexao-serena-sobre-a-mulher-com-as-luzes-e-sombras\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o serena sobre a mulher com as luzes e sombras"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos dias celebrou-se o Dia Mundial da Mulher. Multiplicaram-se as entrevistas e reportagens nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o faltaram artigos a falar do tema, ouviram-se opini\u00f5es de psicanalistas, soci\u00f3logos e juristas, mulheres das mais diversas condi\u00e7\u00f5es foram ouvidas, tanto na rua, como nos est\u00fadios, outras escreveram sobre as suas vidas.<\/p>\n<p>Nunca se diz tudo, \u00e9 certo. Mas, quando se segue, com alguma aten\u00e7\u00e3o, um acontecimento como este, e se analisam ecos vindos de todo o lado, fica-se com a sensa\u00e7\u00e3o fria de que se falou muito, mas se disse pouco, e se passou ao lado de problemas s\u00e9rios e importantes, perdendo-se, talvez, a ocasi\u00e3o de reflectir com a preocupa\u00e7\u00e3o de ver na globalidade e de tocar o essencial do tema em causa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Igreja, embora esta tenha sido e seja, historicamente, o espa\u00e7o onde a mulher mais tem sido defendida e dignificada, o problema n\u00e3o est\u00e1 por completo resolvido, se \u00e9 que h\u00e1 problemas humanos com resolu\u00e7\u00e3o definitiva. N\u00e3o se trata apenas de ver o que falta outorgar-lhes como servi\u00e7o ou tarefa e, de fora, se atirar pedras, por raz\u00f5es que nem sempre se explicam por uma verdadeira compreens\u00e3o do que \u00e9 a Igreja e a sua miss\u00e3o nas diversas culturas onde se professa a mesma f\u00e9. Tamb\u00e9m, por esta raz\u00e3o, o problema n\u00e3o se resolve uma vez por todas, nem \u00e0 base de leis ou de opini\u00f5es superiores, muito menos de grupos de press\u00e3o. J\u00e1 \u00e9 bom que se aceite que o problema da mulher n\u00e3o est\u00e1 por completo resolvido, embora o tempo n\u00e3o aceite muitas delongas. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, o  problema da mulher \u00e9 mais grave na sociedade ocidental e em diversas culturas do mundo, suficientemente conhecidas. Como nos toca mais o que melhor conhecemos, olhemos para o nosso espa\u00e7o geogr\u00e1fico e reflictamos a partir da\u00ed.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode negar que muitos passos se deram e est\u00e3o dando a favor de um estatuto mais humano e justo da mulher. Est\u00e3o \u00e0 vista, se confrontados com s\u00e9culos atr\u00e1s. Por\u00e9m, a vis\u00e3o redutora de uns, a press\u00e3o ideol\u00f3gica de outros, a deficiente leitura dos fen\u00f3menos sociais, a emancipa\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica sem limites humanos, naturais e sociais, v\u00eam provocando novos problemas e n\u00e3o ajudando a uma equilibrada solu\u00e7\u00e3o dos antigos. Hoje, para os que se julgam pioneiros da inova\u00e7\u00e3o social, h\u00e1 duas classes de mulheres: as que deitam abaixo todas a barreiras, e essas s\u00e3o louvadas e apoiadas, e as que mant\u00eam princ\u00edpios e valores, teimam em ser interiormente livres ante as press\u00f5es de uma sociedade acr\u00edtica, e essas s\u00e3o julgadas como retr\u00f3gradas e consideradas obst\u00e1culo \u00e0 modernidade e seus postulados.<\/p>\n<p>N\u00e3o vi ningu\u00e9m falar das esposas e m\u00e3es que n\u00e3o abdicam de ser uma coisa e outra; das mulheres fecundas, espiritual e socialmente, dedicadas a causas a que d\u00e3o vida; das jovens que, para viverem um ideal em que acreditam e poderem dar sentido \u00e0 sua vida, t\u00eam de entrar na clandestinidade pessoal, porque, neste pa\u00eds democr\u00e1tico, professores, colegas e at\u00e9 familiares, p\u00f5em a rid\u00edculo as suas leg\u00edtimas op\u00e7\u00f5es e fazem tudo para desvirtuar os seus prop\u00f3sitos; das mulheres, transformadas em objectos di\u00e1rios de prazer de um machismo irrespons\u00e1vel, de gente importante ou que se julga tal; das que deixam tudo e partem para serem m\u00e3es e irm\u00e3s em terras e miss\u00f5es dif\u00edceis onde o amor escasseia; das v\u00edtimas de leis que lhes tiram a palavra para a darem a prepotentes, que fazem da sua influ\u00eancia e dos seus interesses pessoais a sua for\u00e7a; das que s\u00e3o, pela sua ora\u00e7\u00e3o e radicalidade de entrega a valores permanentes que n\u00e3o perdem cota\u00e7\u00e3o, os permanentes p\u00e1ra-raios de uma sociedade progressivamente extraviada\u2026<\/p>\n<p>E todas estas s\u00e3o mulheres. O Dia Mundial tamb\u00e9m lhes dizia respeito. Se as mulheres perdem a dimens\u00e3o e a refer\u00eancia espiritual das suas vidas, a sociedade fica mais pobre, na fam\u00edlia, no trabalho, na conviv\u00eancia\u2026 Quem as ajuda a ser mulheres, sempre e s\u00f3 mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos dias celebrou-se o Dia Mundial da Mulher. Multiplicaram-se as entrevistas e reportagens nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o faltaram artigos a falar do tema, ouviram-se opini\u00f5es de psicanalistas, soci\u00f3logos e juristas, mulheres das mais diversas condi\u00e7\u00f5es foram ouvidas, tanto na rua, como nos est\u00fadios, outras escreveram sobre as suas vidas. 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