{"id":14801,"date":"2009-03-25T18:09:00","date_gmt":"2009-03-25T18:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14801"},"modified":"2009-03-25T18:09:00","modified_gmt":"2009-03-25T18:09:00","slug":"escrita-medieval-no-arquivo-distrital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/escrita-medieval-no-arquivo-distrital\/","title":{"rendered":"Escrita medieval no Arquivo Distrital"},"content":{"rendered":"<p>Nos dias de hoje, fotocopiar, digitalizar e imprimir documentos e fotografias \u00e9 uma coisa ao alcance de qualquer pessoa que tenha um computador e uma impressora multifun\u00e7\u00f5es, como simples \u00e9 comprar o jornal ou um qualquer livro, ou mesmo consultar a mais diversa informa\u00e7\u00e3o na Internet.<\/p>\n<p>No entanto, nem sempre foi assim. Ainda h\u00e1 poucas d\u00e9cadas, a impress\u00e3o de jornais e livros era uma actividade demorada, feita por tip\u00f3grafos experientes, que manuseavam os pequenos caracteres de chumbo, e as gravuras eram reproduzidas atrav\u00e9s de m\u00e9todos complicados como as zinco-gravuras. Mesmo assim, as famosas \u201crotativas\u201d conseguiam imprimir algumas dezenas de milhar de jornais por noite.<\/p>\n<p>Antes de Gutemberg ter inventado a impress\u00e3o, em meados do s\u00e9culo XV, a escrita e principalmente a c\u00f3pia de livros eram tarefas que estavam reservadas a especialistas, geralmente monges, que manual e minuciosamente copiavam livros, muitos deles aut\u00eanticas obras de arte de caligrafia e gravura.<\/p>\n<p>\u00c9 essa arte de copista que est\u00e1 patente ao p\u00fablico no Arquivo Distrital de Aveiro, na exposi\u00e7\u00e3o \u201cScriptorium Medieval\u201d, evento assessorado por Maria Jos\u00e9 Azevedo Santos, da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>O processo da escrita iniciava-se muito antes do pr\u00f3prio acto de escrever. Com toda a paci\u00eancia, o \u201cmonge\u201d preparava a pena, \u201ca terceira pena da asa do pato\u201d, retirando o \u201cpenacho\u201d para fazer a \u201cpena\u201d (designa\u00e7\u00e3o ainda hoje usada por muitos quando se referem \u00e0s canetas). A tinta tamb\u00e9m n\u00e3o se comprava em papelarias e supermercados como actualmente, mas era feita manualmente pelo \u201cmonge copista\u201d a partir de nozes, ac\u00e1cia e outros produtos naturais, os quais eram mo\u00eddos e misturados com goma, trabalho feito cerca de dia e meio antes de usar.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, o papel n\u00e3o se vendia \u00e0s resmas, mas era preparado a partir do pergaminho, um \u201cpapel\u201d \u00e1spero que o \u201ccopista\u201d \u201camaciava\u201d com a pele do peixe Lixa. Depois, essa folha de pergaminho era muito bem fixada no plano inclinado da \u201cescrivaninha\u201d. As cartas e testamentos eram escritos numa mesa vulgar.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de todo esse trabalho \u00e9 que o \u201ccopista\u201d colocava o livro a copiar no local sobre o plano inclinado, de modo a poder olhar para o livro e para o pergaminho onde escrevia\u2026 manualmente, com caligrafia art\u00edstica.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o havia luz el\u00e9ctrica, copiar um livro, por exemplo uma B\u00edblia, era um trabalho que poderia demorar meses, especialmente nos dias curtos e escuros de Inverno. No final de cada dia de trabalho, o \u201cmonge copista\u201d ficava com \u201cdores em todo o corpo\u201d, como explicou o \u201cmonge\u201d do Arquivo Distrital de Aveiro, ao dizer que \u201cd\u00f3i-me as m\u00e3os, d\u00f3i-me os olhos, d\u00f3i-me os rins. D\u00f3i-me o corpo todo!\u201d<\/p>\n<p>E qual era o pagamento de todo esse trabalho minucioso e art\u00edstico? \u201cNada!\u201d, por vezes \u201cum par de luvas ou um p\u00e1ssaro numa gaiola, para me fazer companhia\u201d, porque o trabalho de copista era feito em absoluto sil\u00eancio e num acto isolado.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das visitas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, que devem ser marcadas por telefone (234377990) ou por e-mail (mail@adavr.dgarq.gov.pt), h\u00e1 tamb\u00e9m visitas guiadas, com explica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, do mobili\u00e1rio e dos equipamentos usados pelos \u201cmonges copistas\u201d. No Arquivo Distrital de Aveiro foi montado um admir\u00e1vel \u201cScriptorium\u201d medieval, como os que existiam nos mosteiros e catedrais da Idade M\u00e9dia. <\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dias de hoje, fotocopiar, digitalizar e imprimir documentos e fotografias \u00e9 uma coisa ao alcance de qualquer pessoa que tenha um computador e uma impressora multifun\u00e7\u00f5es, como simples \u00e9 comprar o jornal ou um qualquer livro, ou mesmo consultar a mais diversa informa\u00e7\u00e3o na Internet. No entanto, nem sempre foi assim. 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