{"id":14810,"date":"2009-03-25T18:20:00","date_gmt":"2009-03-25T18:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14810"},"modified":"2009-03-25T18:20:00","modified_gmt":"2009-03-25T18:20:00","slug":"ate-onde-nos-leva-o-infinito-ate-onde-quisermos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ate-onde-nos-leva-o-infinito-ate-onde-quisermos\/","title":{"rendered":"&#8220;At\u00e9 onde nos leva o infinito? At\u00e9 onde quisermos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAt\u00e9 onde pode ir o infinito\u201d? A pergunta foi o mote para ouvir as reflex\u00f5es existenciais do Bispo e as certezas e hip\u00f3teses do cientista<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 onde pode ir o infinito?\u201d \u00c0 volta desta quest\u00e3o dialogaram o te\u00f3logo e o cientista: D. Ant\u00f3nio Marcelino, \u201cuma refer\u00eancia de cidadania\u201d, nas palavras de H\u00e9lder Castanheira, que moderou a \u00abconversa\u00bb, e Carlos Fiolhais, o professor de Coimbra que \u00e9 o autor cient\u00edfico portugu\u00eas mais citado a n\u00edvel mundial (crit\u00e9rio especialmente apreciado em ambientes acad\u00e9micos). Aconteceu na Universidade de Aveiro, no dia 11 de Mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Comecemos pelo cientista, embora tenha falado primeiro D. Ant\u00f3nio Marcelino. Carlos Fiolhais evitou falar do \u201cinfinito teol\u00f3gico\u201d para se dedicar ao infinito matem\u00e1tico (algo que uma crian\u00e7a pode atingir quando se apercebe de que pode acrescentar sempre mais n\u00fameros \u00e0quele at\u00e9 ao qual sabia contar) e ao infinito f\u00edsico. Quanto a esta segunda infinitude, as teorias n\u00e3o s\u00e3o consensuais. \u201cDizia Galileu que o livro da natureza est\u00e1 escrito em linguagem matem\u00e1tica\u201d, lembrou o professor, \u201cmas se todos aceitam o infinito matem\u00e1tico, nem todos aceitam o f\u00edsico\u201d. As discuss\u00f5es dividem-se entre estarmos num universo fechado ou aberto no espa\u00e7o e no tempo. \u201cEinstein pensava que o universo era fechado, \u00e0 maneira dos medievais. Mais tarde reconheceu que foi o maior disparate da sua vida\u201d, afirmou Carlos Fiolhais, lembrando a seguir uma frase c\u00e9lebre do maior cientista do s\u00e9c. XX: \u201cS\u00f3 h\u00e1 duas coisas infinitas: o universo e a estupidez. Mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira, n\u00e3o tenho a certeza\u201d.<\/p>\n<p>Fiolhais considera ser mais razo\u00e1vel aceitar o infinito do espa\u00e7o e do tempo no sentido do futuro: \u201cO universo come\u00e7ou h\u00e1 15 mil milh\u00f5es de anos. O tempo \u00e9 infinito para a frente, n\u00e3o para tr\u00e1s\u201d. E real\u00e7ou que hoje n\u00e3o h\u00e1 alternativa cred\u00edvel ao \u201cBig Bang\u201d, a teoria que refere que na origem do universo esteve uma grande explos\u00e3o que desencadeou aquilo que conhecemos como espa\u00e7o e tempo. Antes disso\u2026 N\u00e3o faz sentido, sequer, falar de um \u201cantes\u201d.<\/p>\n<p>\u00c2nsia de infinito<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o esperem de mim uma reflex\u00e3o de cientista, mas de crente\u201d, afirmou D. Ant\u00f3nio Marcelino, que logo acrescentou uma resposta \u00e0 pergunta inicial: \u201cAt\u00e9 onde me leva o infinito? At\u00e9 onde eu o levar\u201d. O Bispo em\u00e9rito de Aveiro partilhou uma vis\u00e3o existencial da quest\u00e3o: \u201cA f\u00e9 \u00e9 a chave que abre portas ao infinito. Levamos connosco a \u00e2nsia do infinito. H\u00e1 uma for\u00e7a que me leva sempre mais al\u00e9m. \u00abSempre mais e melhor\u00bb, diziam os latinos. \u00abUltreia\u00bb, \u00abmais al\u00e9m\u00bb, diziam os peregrinos\u201d. \u201cPara o crente \u2013 disse, reportando-se ao encontro de S. Paulo com os atenienses \u2013, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil a ci\u00eancia de ser de estirpe divina. Todos temos capacidades inexploradas. O tempo n\u00e3o mata as capacidades criativas (\u2026). O valor das pessoas n\u00e3o est\u00e1 nas oscila\u00e7\u00f5es de mercado. Jesus Cristo p\u00f4s o homem no cento do universo. Por isso, \u00e0 pergunta \u00abat\u00e9 onde me leva o infinito\u00bb, respondo: \u00abMuito longe, se n\u00e3o mutilar o que vai dentro de mim\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino acrescentou exemplos de toques no infinito: o de P\u00f3voa dos Reis, padre e cientista, que nas algas microsc\u00f3picas da Ria e do Vouga vislumbrava as maravilhas de Deus Criador; o dos mission\u00e1rios perseguidos no Sud\u00e3o, que, perante a pergunta de Paulo VI, \u00abE agora, o que podem fazer?\u00bb, respondem: \u00abCuidar da sa\u00fade e voltar para o Sud\u00e3o\u00bb; o de Madre Teresa de Calcut\u00e1, que de um recolhido na rua, ao acordar numa cama lavada e com os cuidados das religiosas, ouve: \u00abIsto \u00e9 o c\u00e9u? V\u00f3s sois deuses?\u00bb, e lhe responde: \u201cN\u00e3o, tu \u00e9s Deus\u201d; o de Santo Agostinho que acaba por encontrar nele pr\u00f3prio o que muito procurara no mundo\u2026<\/p>\n<p>\u201cO sentido divino da vida humana \u00e9 a resposta para o infinito\u201d, rematou D. Ant\u00f3nio, que acrescentou ainda que \u201c\u00e9 preciso ensinar a n\u00e3o dizer \u00abn\u00e3o sou capaz\u00bb\u201d e a \u201cdar um pontap\u00e9 no imposs\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>O infinito matem\u00e1tico e f\u00edsico s\u00e3o cient\u00edficos, mas praticamente indiferentes para o sentido da vida. O infinito teol\u00f3gico escapa \u00e0 ci\u00eancia, mas \u00e9 o \u00fanico que altera a vis\u00e3o humana de todas as coisas, do universo. \u201cAt\u00e9 onde nos leva o infinito? At\u00e9 onde quisermos\u201d.   <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAt\u00e9 onde pode ir o infinito\u201d? A pergunta foi o mote para ouvir as reflex\u00f5es existenciais do Bispo e as certezas e hip\u00f3teses do cientista \u201cAt\u00e9 onde pode ir o infinito?\u201d \u00c0 volta desta quest\u00e3o dialogaram o te\u00f3logo e o cientista: D. 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