{"id":14823,"date":"2009-03-26T09:31:00","date_gmt":"2009-03-26T09:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14823"},"modified":"2009-03-26T09:31:00","modified_gmt":"2009-03-26T09:31:00","slug":"ha-quanto-tempo-nao-se-confessa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-quanto-tempo-nao-se-confessa\/","title":{"rendered":"H\u00e1 quanto tempo n\u00e3o se confessa?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 a segunda vez que me encontro com este monge beneditino de Munsterschwarzach, chamado Anselm Grun. A primeira foi num desconcertante livro sobre Deus e o sofrimento, com uma luta leal entre os dramas humanos e a s\u00e1bia provid\u00eancia de Deus. Desta vez, na livraria, olhei primeiro o t\u00edtulo, e quase no fim da introdu\u00e7\u00e3o voltei \u00e0 capa e reparei que o autor n\u00e3o me era estranho. Tem a ver com o sacramento da penit\u00eancia e com todas as lutas que travamos connosco pr\u00f3prios para a nossa reconci lia\u00e7\u00e3o interior, o di\u00e1logo sobre a nossa condi\u00e7\u00e3o de pecadores, a Igreja como lugar de reflexo do nosso arrependimento e do reconfortante perd\u00e3o de Deus. Sabendo n\u00f3s que podemos voltar a pecar e que mesmo assim n\u00e3o estamos abandonados nem por um momento \u00e0 nossa solid\u00e3o ou desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Faz-nos bem recordar que o sacramento do perd\u00e3o nem sempre teve as mesmas formula\u00e7\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria da Igreja. Mas sempre se revestiu duma desconcertante exposi\u00e7\u00e3o da miseric\u00f3rdia de Deus. Intrometeram-se culpabilidades doentias e humilhantes quase deixando, ao contr\u00e1rio do que fez Jesus, o pecador amaldi\u00e7oado por si mesmo em angustiado desprezo e repugn\u00e2ncia. O Sacramento da Penit\u00eancia entendido e vivido na sua profundidade \u00e9 um momento privilegiado de reconcilia\u00e7\u00e3o libertadora dos pr\u00f3prios medos. Nesse sentido o di\u00e1logo sobre n\u00f3s mesmos em plena celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 simples, transparente e revitalizador. Divino e humano, esse abra\u00e7o relan\u00e7a-nos num caminho pacificado que n\u00e3o apaga a nossa hist\u00f3ria de pecadores mas n\u00e3o se det\u00e9m nela. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, um cont\u00ednuo relan\u00e7amento do nosso futuro sob o olhar benigno e paternal de Deus. Bem diferente do pesadelo que o dizer-se pecador representou e ainda pode representar para alguns. Nem medo, nem ang\u00fastia, nem complexo. Apenas como o filho pr\u00f3digo que na estrada de regresso s\u00f3 imagina o abra\u00e7o paterno que afinal aconteceu. Na verdade o pai nem o deixou acabar a confiss\u00e3o. E acontecer\u00e1 muito mais vezes porque a nossa vida nunca \u00e9 uma vez \u00fanica de partir e regressar. \u00c9 a viagem constante da nossa limita\u00e7\u00e3o e da experi\u00eancia secreta do grande abra\u00e7o que Deus nos d\u00e1 a cada hora que regressamos. Custa at\u00e9 crer que este sacramento esteja, como se diz, em crise. \u00c9 um b\u00e1lsamo gratuito de Deus que nos liberta das nossas auto-flagela\u00e7\u00f5es. Complicado \u00e9 cada um estar abandonado a si pr\u00f3prio, enrolado no seu eu, sem refer\u00eancia, nem partilha, nem comunidade.<\/p>\n<p>Esta Penit\u00eancia de Anselm Grun \u00e9 mais um op\u00fasculo que um livro. Com a experi\u00eancia do autor como penitente e confessor. Para mais, ilustra-se com lev\u00edssimos desenhos que parecem os nossos passos de crian\u00e7as felizes no regresso a casa.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 redundante a pergunta: h\u00e1 quanto tempo n\u00e3o se confessa?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 a segunda vez que me encontro com este monge beneditino de Munsterschwarzach, chamado Anselm Grun. A primeira foi num desconcertante livro sobre Deus e o sofrimento, com uma luta leal entre os dramas humanos e a s\u00e1bia provid\u00eancia de Deus. 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