{"id":14883,"date":"2009-04-02T15:28:00","date_gmt":"2009-04-02T15:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14883"},"modified":"2009-04-02T15:28:00","modified_gmt":"2009-04-02T15:28:00","slug":"visita-ao-herbario-da-universidade-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/visita-ao-herbario-da-universidade-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Visita ao Herb\u00e1rio da Universidade de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p>A Professora Rosa Pinho, respons\u00e1vel pelo Herb\u00e1rio da Universidade de Aveiro (UA), desde 1993, ano em que substituiu o Dr. \u00c2ngelo Pereira, guiou-nos por este \u201cmundo de plantas secas\u201d, onde se guarda um patrim\u00f3nio constitu\u00eddo por uma colec\u00e7\u00e3o com cerca de 13.000 originais e 53.000 duplicados, com espa\u00e7o para crescer um pouco mais.<\/p>\n<p>Instalado no Departamento de Biologia, o Herb\u00e1rio \u00e9, como diz Rosa Pinho, \u201cuma colec\u00e7\u00e3o de plantas secas, que est\u00e3o devidamente identificadas, e que passaram por todo o processo de herboriza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Cada etiqueta refere o herb\u00e1rio a que pertence, o nome cient\u00edfico da esp\u00e9cie, o n\u00famero de colheita, o local de colheita, o nome do colector e a data da colheita e o \u201chabito ecologia\u201d, isto \u00e9, o tipo de planta (\u00e1rvore, arbusto ou outro) e o tipo ecol\u00f3gico do local onde foi colhida (pastagem, bosque, margem de rio, etc.), o nome da pessoa que identificou essa esp\u00e9cie no herb\u00e1rio e a data em que essa identifica\u00e7\u00e3o foi efectuada.<\/p>\n<p>De herb\u00e1rio regional a nacional e internacional<\/p>\n<p>O Herb\u00e1rio foi iniciado em 1977, por \u00c2ngelo Pereira, com o objectivo de representar muito bem a flora do distrito de Aveiro. Seria um herb\u00e1rio regional, at\u00e9 porque existiam outros importantes herb\u00e1rios na regi\u00e3o, nomeadamente o Herb\u00e1rio de Coimbra e o Herb\u00e1rio da Universidade do Porto. Com o passar do tempo, o distrito ficou muito bem representado no Herb\u00e1rio e iniciou-se a colheita em outros pontos do pa\u00eds. Hoje, a colec\u00e7\u00e3o tem flora de norte a sul do pa\u00eds. <\/p>\n<p>Com o incremento dos estudos de impacte ambiental, obrigat\u00f3rios nas grandes obras, a Universidade de Aveiro tem sido convidada a participar em v\u00e1rios desses estudos, incluindo na inventaria\u00e7\u00e3o de descritores como a fauna, a flora, a hidrologia, entre outros. \u201cNo \u00e2mbito desse tipo de estudos para que somos solicitados, n\u00f3s aproveitamos tamb\u00e9m para fazermos as nossas recolhas. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aquele objectivo de \u00abvamos para o campo para colher\u00bb, mas \u00abtemos este estudo e vamos aproveitar para tamb\u00e9m colhermos flora enquanto o realizamos\u00bb. Isso aconteceu v\u00e1rias vezes\u201d, refere esta bi\u00f3loga. Como exemplos, Rosa Pinho citou o Estudo de Impacte Ambiental da cria\u00e7\u00e3o do Parque Arqueol\u00f3gico de Foz C\u00f4a, em que fez v\u00e1rias sa\u00eddas de campo, ou o estudo sobre a refloresta\u00e7\u00e3o da Ilha do Porto Santo. Um estudo em Timor possibilitou \u201cuma colec\u00e7\u00e3o muito interessante da flora timorense\u201d. J\u00e1 o Parque de Serralves, no Porto, onde o herb\u00e1rio da UA esteve dois anos a estudar e a identificar todas as \u00e1rvores e arbustos, permitiu recolher flora ex\u00f3tica. Em 2007 e 2008, o Herb\u00e1rio estudou e inventariou a Mata Nacional do Bu\u00e7aco. \u201cTemos colhido no \u00e2mbito de muitos trabalhos\u201d, resume Rosa Pinho.<\/p>\n<p>Agora, chegou uma colec\u00e7\u00e3o de plantas oriundas de Mo\u00e7ambique, fruto de uma colabora\u00e7\u00e3o entre a Universidade de Aveiro, a Universidade L\u00fario e o projecto de conserva\u00e7\u00e3o Maluanee, em que investigadores da UA realizaram uma expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Ilha de Vamizi, situada no nordeste da prov\u00edncia de Cabo Delgado.<\/p>\n<p>Permutas e empr\u00e9stimos entre herb\u00e1rios<\/p>\n<p>As colec\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito fr\u00e1geis, por isso o seu uso obedece a regras especiais, como confirma Rosa Pinho: \u201cSe for para confirmar a identidade de uma planta que trazemos do campo, podemos recorrer \u00e0s plantas que j\u00e1 temos nas colec\u00e7\u00f5es, porque \u00e9 s\u00f3 dar uma olhada. No caso de termos de mexer, recorrermos sempre aos duplicados, e mesmo nestes, sem os danificar\u201d.<\/p>\n<p>Quando os alunos precisam das colec\u00e7\u00f5es, usam os duplicados, mas s\u00f3 raramente isso ocorre porque os alunos trabalham mais com material fresco, colhido na v\u00e9spera ou no pr\u00f3prio dia. \u00c9 o melhor processo para eles identificarem as plantas.<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia os herb\u00e1rios solicitam a outros herb\u00e1rios, nacionais e estrangeiros, material por empr\u00e9stimo, como aconteceu h\u00e1 pouco com Paulo Silveira, da UA, que quando estudou a flora de Timor, solicitou plantas a v\u00e1rios herb\u00e1rios da Austr\u00e1lia e da Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>\u201cQuando nos pedem plantas para estudos, \u00e9 sempre por empr\u00e9stimo. O que n\u00f3s \u2013 e os outros herb\u00e1rios \u2013 enviamos s\u00e3o sempre os originais, os quais t\u00eam de ser devolvidos no prazo de seis meses\u201d. Os empr\u00e9stimos t\u00eam vantagens: \u201cN\u00f3s vamos ter esses nossos originais vistos por outros especialistas, e esses especialistas confirmam, ou n\u00e3o, a identifica\u00e7\u00e3o que n\u00f3s fizemos. Pode haver enganos\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m ofertas entre herb\u00e1rios. O Herb\u00e1rio da UA recebeu recentemente uma oferta do Dr. Ant\u00f3nio Lu\u00eds Crespi, respons\u00e1vel pelo Herb\u00e1rio da Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes, constitu\u00edda por cinquenta duplicados, oferta que o Herb\u00e1rio aveirense retribuiu. <\/p>\n<p>\u201cQuando colhemos duplicados, tamb\u00e9m o fazemos a pensar em poss\u00edveis ofertas, porque faz parte da praxis dos herb\u00e1rios oferecerem material a outros\u201d, real\u00e7a Rosa Pinho. \u201cA nossa colec\u00e7\u00e3o foi iniciada em 1977, mas n\u00f3s temos aqui plantas com data de colheita de 1926, porque o Herb\u00e1rio, logo no seu in\u00edcio, recebeu uma colec\u00e7\u00e3o bastante interessante oferecida por Coimbra. Al\u00e9m disso, h\u00e1 aqui uma colec\u00e7\u00e3o, de cerca de 4.000 exemplares, que era do Dr. Armando Reis Moura, que foi professor na UA logo no seu in\u00edcio. Quando se reformou vendeu essa sua colec\u00e7\u00e3o \u00e0 Reitoria da Universidade de Aveiro, e a reitoria ofereceu-a ao nosso herb\u00e1rio. \u00c9 uma colec\u00e7\u00e3o muito interessante, com plantas de Norte a Sul de Portugal, sobretudo de \u00e1reas protegidas, colheitas feitas com muito crit\u00e9rio porque ele sabia quais eram as esp\u00e9cies mais sens\u00edveis\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o das colec\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p>Rosa Pinho sublinha que o Herb\u00e1rio \u00e9 \u201cpatrim\u00f3nio da Universidade de Aveiro, em primeiro lugar, depois do pa\u00eds e at\u00e9 mesmo do mundo\u201d. \u201cN\u00f3s temos, sobretudo em herb\u00e1rios muito antigos, muitas esp\u00e9cies que j\u00e1 foram extintas. Um herb\u00e1rio pode ser um reposit\u00f3rio dessas esp\u00e9cies na natureza. \u00c9 sem d\u00favida nenhuma um patrim\u00f3nio important\u00edssimo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Esse patrim\u00f3nio requer uma manuten\u00e7\u00e3o rigorosa. Quando as plantas chegam, entram no processo de secagem, e s\u00f3 saem de l\u00e1 muito bem secas, para evitar problemas com fungos. Outro problema adv\u00e9m dos insectos que se alimentam de celulose, os quais podem destruir uma planta. Por isso, usa-se a desinfec\u00e7\u00e3o pelo congelamento dos tecidos, em arcas frigor\u00edficas. O insecto \u00e9 morto pelas baixas temperaturas. Mesmo assim, h\u00e1 uma empresa que, de tr\u00eas em tr\u00eas meses, vai ao Herb\u00e1rio da UA e pulveriza toda a colec\u00e7\u00e3o com insecticida que mata, por asfixia, esses organismos que se alimentam de celulose. O Herb\u00e1rio \u00e9 um tesouro a preservar. <\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n<p>Rigorosa identifica\u00e7\u00e3o das plantas da colec\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Com a vulgariza\u00e7\u00e3o da fotografia digital, \u201cabusa-se da fotografia\u201d, que \u201crealmente pode ser uma ajuda\u201d, diz Rosa Pinho. No entanto, n\u00e3o \u00e9 o recurso mais utilizado. \u201cQuando chegamos do campo, temos que pegar nas floras, na lupa, nas agulhas e p\u00f4r m\u00e3os \u00e0 obra para identificarmos aquela esp\u00e9cie. Muitas vezes, dada a nossa experi\u00eancia, esse trabalho \u00e9 mais para confirmar alguma coisa, porque j\u00e1 suspeit\u00e1vamos de que esp\u00e9cie era\u201d, explica.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga real\u00e7a que o Herb\u00e1rio alimenta o s\u00edtio Biorede (www.biorede.pt), do Departamento de Biologia, j\u00e1 duas vezes premiado. Um dos m\u00f3dulos dedica-se \u00e0 diversidade vegetal. \u201cA\u00ed, a imagem \u00e9 fundamental\u201d, remata.<\/p>\n<p>Trezentos visitantes nos dois primeiros meses do ano<\/p>\n<p>Neste in\u00edcio de 2009, o Herb\u00e1rio da UA j\u00e1 recebeu a visita de cerca de trezentos alunos de escolas. O percurso visit\u00e1vel vai desde a sala de montagem e de secagem at\u00e9 ao herb\u00e1rio propriamente dito, terminando na sala de exposi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>As exposi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas  s\u00e3o tem\u00e1ticas e tempor\u00e1rias. Recentemente estiveram patentes uma sobre o Baixo Vouga Lagunar (\u00e1rea onde o Herb\u00e1rio trabalha muito) e outra sobre flora aut\u00f3ctone de Portugal. Agora podemos amirar plantas de \u00e1reas protegidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Professora Rosa Pinho, respons\u00e1vel pelo Herb\u00e1rio da Universidade de Aveiro (UA), desde 1993, ano em que substituiu o Dr. \u00c2ngelo Pereira, guiou-nos por este \u201cmundo de plantas secas\u201d, onde se guarda um patrim\u00f3nio constitu\u00eddo por uma colec\u00e7\u00e3o com cerca de 13.000 originais e 53.000 duplicados, com espa\u00e7o para crescer um pouco mais. 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