{"id":14957,"date":"2009-04-08T10:40:00","date_gmt":"2009-04-08T10:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14957"},"modified":"2009-04-08T10:40:00","modified_gmt":"2009-04-08T10:40:00","slug":"esperanca-que-orienta-e-estimula-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/esperanca-que-orienta-e-estimula-a-vida\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a que orienta e estimula a vida"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 anos, V\u00edtor Cunha Rego, com a profundidade que sabia dar aos seus escritos, escreveu no DN, de que foi director, um coment\u00e1rio curioso sobre os feriados da P\u00e1scoa que, para muita gente, s\u00e3o apenas a ponte alargada que permite sa\u00eddas mais longas. Ansioso, interrogava-se, procurando com sinceridade, o essencial que pudesse dar sentido \u00e0 sua vida. E perguntava, ent\u00e3o, qual a raz\u00e3o dessa t\u00e3o desejada ponte que surgia, cada ano, a contento de toda a gente, crente ou n\u00e3o crente. N\u00e3o dei-xou de lamentar, por fim, que tantos se aproveitassem dela sem irem at\u00e9 ao acontecimento, maravilhoso e \u00fanico, da P\u00e1scoa de Cristo, que a todos a permitia gozar. <\/p>\n<p>Na P\u00e1scoa evoca-se e celebra-se o mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, Filho de Deus, com todo o seu significado, pessoal e social. Acontecimento \u00fanico, com sentido definitivo para a hist\u00f3ria de cada crist\u00e3o convicto e da pr\u00f3pria humanidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 vidas serenas, mesmo em momentos de tempestade, dor e incompreens\u00e3o. Outras s\u00e3o vidas tumultuosas, sem raz\u00f5es v\u00e1lidas para tanta perturba\u00e7\u00e3o e instabilidade. Todos os dias o vemos em graus diferentes e em gente concreta e com a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Porque acontece assim? Causas profundas e subtis comandam a vida e suas reac\u00e7\u00f5es e escapam, frequentemente, ao olhar de quem v\u00ea de fora e, \u00e0s vezes, at\u00e9 ao pr\u00f3prio. <\/p>\n<p>H\u00e1 na vida de cada um de n\u00f3s coisas que nos condicionam. F\u00e1ceis de verificar se s\u00e3o exteriores e se tornam objecto das nossas cr\u00edticas, louvores ou desculpas. Outras h\u00e1 que nos determinam, t\u00eam dentro de n\u00f3s as suas ra\u00edzes, cultivadas ainda que escondidas. Tudo isto se vai tornando claro, de harmonia com a aten\u00e7\u00e3o e o sentido que damos \u00e0 vida, e o cuidado que prestamos \u00e0s nossas ac\u00e7\u00f5es e comportamentos.<\/p>\n<p>Quem vive de exterioridades ou de emo\u00e7\u00f5es passageiras n\u00e3o percebe ou n\u00e3o d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o ao que se passa em si pr\u00f3prio ou \u00e0 sua volta. Sabe da ponte para a aproveitar, mas n\u00e3o se debru\u00e7a para lhe alcan\u00e7ar as margens, a for\u00e7a que nelas existe e o est\u00edmulo que pode vazar dentro de n\u00f3s, mais importante que os dias feriados que proporciona. \u00c9 este passar pelas coisas sem lhes descobrir o sentido, que faz escassear a esperan\u00e7a, empobrecer a vida e menosprezar as exig\u00eancias que a comandam e as riquezas que cont\u00e9m.<\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 P\u00e1scoa. Com ela, \u00e0 possibilidade de uma nova ponte, que tanto d\u00e1 para passear, como para, serena-mente, vivenciar a experi\u00eancia de se sentir amado, vivo e liberto, e de se poder saciar na Fonte inesgot\u00e1vel, de onde dimana felicidade e paz. <\/p>\n<p>A P\u00e1scoa \u00e9, para os crist\u00e3os, a Festa por excel\u00eancia. N\u00e3o se resume a flores e am\u00eandoas.<\/p>\n<p>Traz consigo energias renovadoras que d\u00e3o sentido di\u00e1rio \u00e0queles que celebram na f\u00e9 a sua vida, e permanecem, unidos na esperan\u00e7a, a todos os outros crentes, para os quais Jesus Cristo, vencedor da morte, \u00e9 a figura central da hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p>P\u00e1scoa \u00e9 \u201cpassagem da morte \u00e0 vida\u201d. S\u00f3 o amor \u00e9 capaz de a realizar em todos e em todas as circunst\u00e2ncias. Diariamente. O amor de um Deus, rico em miseric\u00f3rdia, que nos d\u00e1 o Seu Filho. O amor redentor de um Filho que se entregou \u00e0 morte para a todos dar vida. Ele venceu a morte e, pela f\u00e9 que n\u00b4Ele depositamos e pelo dom d\u00b4Ele que recebemos, nos torna, tamb\u00e9m a n\u00f3s, verdadeiros vencedores. <\/p>\n<p>Nesta certeza reside a nossa esperan\u00e7a. Ao crist\u00e3o coerente, o \u00fanico que est\u00e1 vivo como crist\u00e3o, se pede que d\u00ea raz\u00f5es da sua esperan\u00e7a a uma sociedade que teme a verdade, n\u00e3o tem horizontes de vida e despreza os est\u00edmulos que a convidam a ir mais al\u00e9m.<\/p>\n<p>Sem se descobrir e viver a P\u00e1scoa, n\u00e3o se saboreia a alegria e a paz que no Aleluia pascal se manifesta. A luz da Igreja \u00e9 Cristo Ressuscitado. Sem esta luz, nada tem valor. A vida crist\u00e3 ou \u00e9 pascal ou n\u00e3o \u00e9 vida. Apelo que n\u00e3o se pode iludir nem adiar. Uma vida pascal \u00e9 o melhor contributo do crist\u00e3o \u00e0 sociedade. S\u00f3 ele \u00e9 consequente e carregado da esperan\u00e7a que pode ajudar a sua necess\u00e1ria e urgente humaniza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 anos, V\u00edtor Cunha Rego, com a profundidade que sabia dar aos seus escritos, escreveu no DN, de que foi director, um coment\u00e1rio curioso sobre os feriados da P\u00e1scoa que, para muita gente, s\u00e3o apenas a ponte alargada que permite sa\u00eddas mais longas. 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