{"id":1496,"date":"2010-05-14T10:31:00","date_gmt":"2010-05-14T10:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1496"},"modified":"2010-05-14T10:31:00","modified_gmt":"2010-05-14T10:31:00","slug":"deus-e-como-o-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/deus-e-como-o-oceano\/","title":{"rendered":"Deus \u00e9 como o oceano&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Ascen\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C<\/p>\n<p>\u2026retira-se, para a terra aparecer. \u00c9 uma ideia que s\u00f3 vale por ser bonita e nos p\u00f4r a pensar na eterna \u00abcharada\u00bb dos seres humanos e Deus.<\/p>\n<p>O Novo Testamento torna Deus t\u00e3o pr\u00f3ximo, em Jesus Cristo, que o podemos sentir ao passear na praia, em banquetes e piqueniques, nas flores e desertos, nas tempestades ou no aconchego do lar. Em Jesus Cristo, Deus surgiu como uma pequena onda do lago e retirou-se como um grande oceano \u2013 obrigando a imensid\u00e3o de disc\u00edpulos a pisar terra firme e a descobrir paisagens novas. Jesus cumpriu t\u00e3o bem a sua miss\u00e3o que mereceu o nome de Cristo (o \u00abungido\u00bb, o predilecto de Deus) e ser reconhecido como \u00abo Senhor\u00bb  \u2013 como dizem as leituras, \u00abelevado ao c\u00e9u\u00bb e chamado a \u00absentar-se \u00e0 direita de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que todo o Novo Testamento reflecte o ambiente \u00abapocal\u00edptico\u00bb pr\u00f3prio do Juda\u00edsmo \u2013 uma maneira especial de olhar para a interac\u00e7\u00e3o de Deus com a hist\u00f3ria humana. Este ambiente \u00e9 bem retratado na \u00abliteratura apocal\u00edptica\u00bb, vigente sensivelmente entre os anos 200 a.C. e outros 200 d.C. A\u00ed se fala muito dos \u00ab\u00faltimos tempos\u00bb, do que se passar\u00e1 antes do \u00abfim do mundo\u00bb, desde cat\u00e1strofes a sinais prodigiosos que anunciam a vinda final de Deus derrotando para sempre as for\u00e7as do mal. Ent\u00e3o surgiria, em toda a perfei\u00e7\u00e3o e agrado, o Reino de Deus, reunindo todos aqueles que lutaram pelo bem.<\/p>\n<p>A leitura dos Actos termina com a promessa de que Jesus, com o poder de Deus, \u00abvir\u00e1 do mesmo modo que o viram ir para o c\u00e9u\u00bb. Imersos numa mentalidade apocal\u00edptica, os primeiros disc\u00edpulos estavam persuadidos que a manifesta\u00e7\u00e3o definitiva do Reino de Deus estava para muito breve, talvez ainda antes de eles morrerem (como se pode ver em v\u00e1rios textos do NT). Ali\u00e1s, \u00e9 caracter\u00edstico dos textos apocal\u00edpticos falarem da sua \u00e9poca como sendo \u00abos \u00faltimos tempos\u00bb. <\/p>\n<p>Curiosamente, o Livro do Apocalipse, que termina com a prece \u00abVem, Senhor Jesus\u00bb, deixa aos leitores uma grande imprecis\u00e3o de tempos: marca sobretudo ideias centrais e intemporais como a luta cont\u00ednua entre o bem e o mal, a sucess\u00e3o de tempos de paz e de calamidade, o papel de l\u00edderes orientados uns para o bem outros para o mal, e sobretudo que \u00e9 preciso resistir sempre e ser fiel \u00e0s convic\u00e7\u00f5es bem fundamentadas e continuamente postas \u00e0 prova (e portanto continuamente reavaliadas e melhoradas). Entre os livros do Novo Testamento, ser\u00e1 talvez o que melhor projecta a grande aventura da humanidade, quando o grande oceano deixa a descoberto plan\u00edcies e montanhas \u2013 o campo de ac\u00e7\u00e3o, vasto e ardiloso, para os seres humanos. <\/p>\n<p>\u2013 \u00abBom, ele foi-se de vez, n\u00e3o nos resta mais do que ir \u00e0 vida!\u00bb \u2013 n\u00e3o \u00e9 o que os disc\u00edpulos podiam ter pensado? (Lucas 24,13-14; Jo\u00e3o 21,1-3). A verdade \u00e9 que \u00e9 no ir \u00e0 nossa vida, como ela \u00e9, que manifestamos estar ou n\u00e3o de acordo com a mensagem de Jesus; n\u00e3o \u00e9 no aguardar nomea\u00e7\u00f5es como futuros \u00abministros\u00bb do sonhado \u00abreino de Israel\u00bb (Actos 1,6; Mateus 20,20-23). Os Actos dos Ap\u00f3stolos tentam abrir a hist\u00f3ria real dos disc\u00edpulos de Jesus, com todos os trope\u00e7os de quem n\u00e3o fica sentado a olhar.<\/p>\n<p>\u00c9 natural que os disc\u00edpulos tenham ficado tristes com a morte de Jesus (podemos senti-lo nos evangelhos e particularmente nas palavras com que Jesus se teria aberto com os disc\u00edpulos, na \u00faltima ceia, segundo o evangelho de Jo\u00e3o 13,33-17,25). Mas descobriram que o afastamento de Jesus lhes fez sentir o Reino de Deus como obra das nossas m\u00e3os, possibilitando um descontra\u00eddo qu\u00e3o estimulante \u00abaperto de m\u00e3o com Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o imp\u00f4s ideias aos disc\u00edpulos, mas exigiu atitudes: para com Deus como Pai, para com os outros como irm\u00e3os \u2013 pressupondo a grande exig\u00eancia de todos os profetas: a atitude de escutar. Quem o segue, segue-o livremente, com a originalidade e criatividade de quem abandonou a depend\u00eancia pr\u00f3pria da menoridade espiritual.<\/p>\n<p>O relato da Ascens\u00e3o \u00e9 a forma imaginosa de dar relevo ao sentido da morte de Jesus: com ela, os disc\u00edpulos \u00abperderam Jesus\u00bb mas \u00abacharam o Cristo\u00bb. E em Jesus Cristo se revelou especialmente \u00aba for\u00e7a de Deus\u00bb a acompanhar-nos pelos tempos fora. <\/p>\n<p>A \u00abeleva\u00e7\u00e3o\u00bb de Cristo na Ascens\u00e3o \u00e9 o mesmo \u00ablevantar-se\u00bb da morte (sentido geral dos termos gregos usados para descrever a ideia de ressurrei\u00e7\u00e3o). S\u00e3o duas imagens para ilustrar a riqueza de um \u00fanico fen\u00f3meno central. E a des-cri\u00e7\u00e3o aparentemente t\u00e3o materialista do \u00abcontacto\u00bb dos disc\u00edpulos com Jesus p\u00f3s-morte \u00e9 a mais expressiva maneira, nesse tempo, de afirmar como Jesus n\u00e3o era nem um fantasma nem um corpo chamado de novo \u00e0 vida \u2013 mas que existia realmente e podia ser sentido por quem dele se quisesse aproximar, como sendo o mesmo Jesus que viveu e morreu.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cada um de n\u00f3s \u00e9 uma onda que ora sobe ora se retira nas praias da vida. Ao subir, tanto pode destruir castelos de areia como excitar a alegria de crian\u00e7as que chapinham; e ao descer, tanto pode deixar destro\u00e7os como revelar as riquezas do fundo do mar. Afastamo-nos dos outros e dos problemas; investimos pelos outros e para vencer problemas. Em todas as mar\u00e9s, a presen\u00e7a de Deus faz-se sentir no vai e vem de muitas ondas. E quando parece que o perdemos de vista, deparamos com uma imensid\u00e3o de terra para trabalhar! <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-1496","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1496\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}