{"id":14965,"date":"2009-04-22T15:44:00","date_gmt":"2009-04-22T15:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14965"},"modified":"2009-04-22T15:44:00","modified_gmt":"2009-04-22T15:44:00","slug":"sao-nuno-de-santa-maria-alvares-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sao-nuno-de-santa-maria-alvares-pereira\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Nuno de Santa Maria \u00c1lvares Pereira"},"content":{"rendered":"<p>O Condest\u00e1vel ser\u00e1 canonizado por Bento XVI, em Roma, no dia 26 de Abril. Apresenta-se a biografia oficial divulgada pelo Vaticano<\/p>\n<p>Nuno \u00c1lvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ileg\u00edtimo de fr. \u00c1lvaro Gon\u00e7alves Pereira, cavaleiro dos Hospital\u00e1rios de S. Jo\u00e3o de Jerusal\u00e9m e Prior do Crato, e de D. Iria Gon\u00e7alves do Carvalhal. Cerca de um ano ap\u00f3s o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educa\u00e7\u00e3o cavalheiresca t\u00edpica dos filhos das fam\u00edlias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica vi\u00fava, D. Leonor de Alvim. Da sua uni\u00e3o nascem tr\u00eas filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. Jo\u00e3o I, D. Afonso, primeiro duque de Bragan\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos var\u00f5es, o seu irm\u00e3o D. Jo\u00e3o, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. Jo\u00e3o, o qual o nomeou Condest\u00e1vel, isto \u00e9, Comandante supremo do ex\u00e9rcito. Nuno conduziu o ex\u00e9rcito portugu\u00eas repetidas vezes \u00e0 vit\u00f3ria, at\u00e9 se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar a resolu\u00e7\u00e3o do conflito.<\/p>\n<p>Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela Eucaristia e pela Virgem Maria s\u00e3o a trave-mestra da sua vida interior. Ass\u00edduo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o mariana, jejuava em honra da Virgem Maria \u00e0s quartas-feiras, \u00e0s sextas, aos s\u00e1bados e nas vig\u00edlias das suas festas. Assistia diariamente \u00e0 missa, embora s\u00f3 pudesse receber a eucaristia por ocasi\u00e3o das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como ins\u00edgnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir \u00e0s suas pr\u00f3prias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vit\u00f3ria, na Batalha.<\/p>\n<p>Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas n\u00fapcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcan\u00e7ou a paz, distribuiu grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acaba por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando ent\u00e3o o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Esp\u00edrito recomendada pela Regra do Carmo: era a op\u00e7\u00e3o por uma mudan\u00e7a radical de vida em que sela o percurso da f\u00e9 aut\u00eantica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma long\u00ednqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ningu\u00e9m pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribui\u00e7\u00e3o quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condest\u00e1vel do rei de Portugal, o Comandante supremo do ex\u00e9rcito e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privil\u00e9gios e assume como pr\u00f3pria a condi\u00e7\u00e3o mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao servi\u00e7o do Senhor, de Maria \u2014a sua terna Padroeira que sempre venerou\u2014, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.<\/p>\n<p>Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o Domingo de P\u00e1scoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de \u201csanto\u201d pelo povo, que desde ent\u00e3o o come\u00e7a a chamar \u201cSanto Condest\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canoniza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obst\u00e1culos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o P.e Anastasio Ronci, ent\u00e3o postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno \u201cdesde tempos imemoriais\u201d, acabando este por ser felizmente conclu\u00eddo, apesar das dificuldades pr\u00f3prias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.<\/p>\n<p>As suas rel\u00edquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, at\u00e9 que, em 1961, por ocasi\u00e3o do sexto centen\u00e1rio do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrina\u00e7\u00e3o do precioso relic\u00e1rio de prata que as continha; mas pouco tempo depois \u00e9 roubado, nunca mais tendo sido encontradas as rel\u00edquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do t\u00famulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compat\u00edveis com as rel\u00edquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.<\/p>\n<p>O Postulador Geral da Ordem, P.e Felipe M. Amen\u00f3s y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada gra\u00e7as a um poss\u00edvel milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investiga\u00e7\u00f5es, o Santo Padre, Papa Bento XVI, disp\u00f5e a 3 de Julho de 2008 a promulga\u00e7\u00e3o do decreto sobre o milagre em ordem \u00e0 canoniza\u00e7\u00e3o e durante o Consist\u00f3rio de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no \u00e1lbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Condest\u00e1vel ser\u00e1 canonizado por Bento XVI, em Roma, no dia 26 de Abril. 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