{"id":14980,"date":"2009-04-22T16:05:00","date_gmt":"2009-04-22T16:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=14980"},"modified":"2009-04-22T16:05:00","modified_gmt":"2009-04-22T16:05:00","slug":"o-trabalho-continua-a-ser-a-chave-da-questao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-trabalho-continua-a-ser-a-chave-da-questao-social\/","title":{"rendered":"O trabalho continua a ser a chave da quest\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p>Enc\u00edclicas Sociais: Laborem Exercens (2) <!--more--> \u201cO ensino da Igreja exprimiu sempre a firme e profunda convic\u00e7\u00e3o de que o trabalho humano n\u00e3o diz respeito simplesmente \u00e0 economia, mas implica tamb\u00e9m sobretudo valores pessoais\u201d, escreve Jo\u00e3o Paulo II na \u201cLaborem Exercens\u201d, n.\u00ba 15.<\/p>\n<p>Esta frase-s\u00edntese lembra que na quest\u00e3o do trabalho, como em todas, a doutrina social tem uma vis\u00e3o personalista. \u201cO trabalho humano \u00e9 a chave, provavelmente a chave essencial, de toda a quest\u00e3o social, se procurarmos v\u00ea-la verdadeiramente sob o ponto de vista do bem da pessoa\u201d (LE 3).<\/p>\n<p>Nesta \u201cchave essencial\u201d, o principal conflito passa-se entre trabalho (trabalhadores) e capital (detentores dos meios de produ\u00e7\u00e3o). Iniciou-se com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e ainda n\u00e3o foi superado. Continuamos a viv\u00ea-lo com mais for\u00e7a nestes tempos de crise econ\u00f3mica. Ora a LE diz que neste conflito tem prioridade o trabalho humano (LE 12). Uma consequ\u00eancia imediata deste princ\u00edpio ser\u00e1 o n\u00e3o despedimento de trabalhadores em per\u00edodos de dificuldade, algo que as correntes econ\u00f3micas mais liberais dizem que n\u00e3o podem acolher, sob colapso das estruturas produtivas, mas que de algum modo \u00e9 amparado pelos sistemas de seguran\u00e7a social \u2013 os quais s\u00e3o suportados pelos impostos sobre o trabalho e o capital.<\/p>\n<p>Neste contexto a doutrina social da Igreja lembra que o \u201cpleno emprego\u201d continua a ser um ideal que a sociedade deve concretizar. Todos os que podem trabalhar devem, de facto, ter trabalho. Se n\u00e3o h\u00e1 trabalho para todos, \u00e9 porque o conjunto da sociedade est\u00e1 mal ordenado. Quais as medidas para conseguir trabalho para todos \u00e9 que j\u00e1 \u00e9 mais complicado apontar. Os economistas n\u00e3o est\u00e3o de acordo: h\u00e1 os que dizem que quanto mais f\u00e1cil for contratar\/despedir, mais din\u00e2mica \u00e9 a economia e mais emprego se gera a prazo (e algumas legisla\u00e7\u00f5es laborais liberais coexistem com baixas taxas de desemprego); e h\u00e1 os que preferem legisla\u00e7\u00e3o mais protectora do posto de trabalho e de maior apoio no desemprego (e toda a gente conhece casos de desempregados que at\u00e9 nem se importam da situa\u00e7\u00e3o enquanto o subs\u00eddio dura).<\/p>\n<p>A DSI, que n\u00e3o que ser uma terceira via entre capitalismo e socialismo, neste ponto pende claramente para o \u201celo mais fraco\u201d: o trabalhador. \u201cO papel das institui\u00e7\u00f5es [econ\u00f3micas e pol\u00edticas que determinam o sistema pol\u00edtico-financeiro] \u00e9 actuar contra o desemprego, que \u00e9 sempre um mal\u201d (LE 18). A LE n\u00e3o fica pelo princ\u00edpio vago; aponta que deve ser criado um \u201cbanco de trabalho\u201d, com planifica\u00e7\u00e3o global e colabora\u00e7\u00e3o internacional (LE 18).<\/p>\n<p>A LE devia ser conhecida pelos trabalhadores crist\u00e3os e ainda mais pelos empres\u00e1rios e gestores crist\u00e3os \u2013 mesmo que os princ\u00edpios que afirma, com consequ\u00eancias econ\u00f3micas, provoquem discuss\u00f5es (h\u00e1 sectores cat\u00f3licos que praticamente ignoram a doutrina social\u2026). H\u00e1 na LE, contudo, uma parte sobre a espiritualidade do trabalho que todos dev\u00edamos conhecer. Que outra vis\u00e3o do mundo diz que \u201ctrabalhar \u00e9 participar na obra do Criador\u201d (em vez de vis\u00f5es falsamente crist\u00e3s que associam o trabalho ao \u201ccastigo\u201d b\u00edblico)? Que outra religi\u00e3o ou f\u00e9 tem na sua origem um artes\u00e3o, o carpinteiro de Nazar\u00e9? Tamb\u00e9m sobre o trabalho humano, composto de direito e dever, de prazer e fadiga, de esfor\u00e7o e recompensa, incide a luz da Cruz e da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enc\u00edclicas Sociais: Laborem Exercens (2)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-14980","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14980\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}