{"id":15030,"date":"2009-05-06T10:27:00","date_gmt":"2009-05-06T10:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15030"},"modified":"2009-05-06T10:27:00","modified_gmt":"2009-05-06T10:27:00","slug":"em-aveiro-realizei-o-meu-sonho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/em-aveiro-realizei-o-meu-sonho\/","title":{"rendered":"Em Aveiro realizei o meu sonho"},"content":{"rendered":"<p>Vidas que marcam <!--more--> \u201cA ter de decidir-me pela imita\u00e7\u00e3o de Cristo, eu desejava que fosse de uma maneira radical. Teimosa como era, n\u00e3o estava no meu feitio deter-me a meio caminho. (\u2026)<\/p>\n<p>Um dia decidi-me. N\u00e3o esque\u00e7ais que sou mulher: tenho a ast\u00facia das filhas de Eva. Meu pai regressava de Arzila, da guerra contra os mouros. Regressava vitorioso. Vesti o meu vestido de veludo verde. O verde \u00e9 a cor da esperan\u00e7a. Adornei-me com as minhas j\u00f3ias. Dizem que ia bonita. Quando meu pai desceu em terra, dirigi-me a ele para o saudar. Era a mim que me competia faz\u00ea-lo, dada a minha condi\u00e7\u00e3o. Pus em jogo todos os recursos liter\u00e1rios que os meus mestres me haviam ensinado.<\/p>\n<p>Recordo-me de que o discurso terminava assim: Quanto os antigos imperadores regressavam vitoriosos de alguma campanha b\u00e9lica, para mostrar a sua gratid\u00e3o aos deuses ofereciam-lhes o melhor que tinham, dando para o seu servi\u00e7o a filha mais prendada. Vossa Majestade \u2013 que \u00e9 crist\u00e3o \u2013 n\u00e3o ser\u00e1 menos generoso para com o Deus verdadeiro do que os pag\u00e3os o eram para com os seus \u00eddolos. Pe\u00e7o-lhe que me permita fazer profiss\u00e3o de vida religiosa onde Deus for servido chamar-me.<\/p>\n<p>Senti que uma nuvem de tristeza perpassou pelo semblante de meu pai. Meu irm\u00e3o e os outros nobres que o acompanhavam n\u00e3o esconderam a sua reprova\u00e7\u00e3o, olhando uns para os outros e vozeando. Fiz de conta que n\u00e3o percebi. O que interessava era que o meu pai dissesse que sim. E meu pai disse que sim.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabeis, queridos mo\u00e7os e mo\u00e7as, quantas barreiras foi preciso vencer para seguir a minha estrela, at\u00e9 os representantes do povo fizeram sua a quest\u00e3o: que eu n\u00e3o tinha direito de dispor de mim mesma, que havia raz\u00f5es de Estado que se sobrepunham \u00e0 minha pr\u00f3pria vontade\u2026<\/p>\n<p>Consegui sair (sempre debaixo de escolta), para o convento cisterciense de Odivelas, nas arrabaldes de Lisboa. Pois mesmo ali vieram acompanhados de testemunhas e not\u00e1rios, os procuradores do povo, tentando impedir primeiro com promessas e depois com amea\u00e7as, que eu seguisse o meu caminho.<\/p>\n<p>Mas estava decidido. Havia uma for\u00e7a interior que me impelia. N\u00e3o era o mundo que eu detestava. Longe disso. Era o amor de Jesus Cristo que me chamava, e me chamava para segui-l\u2019O, onde mais de perto O pudesse imitar e servir.<\/p>\n<p>De Odivelas consegui chegar a Coimbra. N\u00e3o imaginais o que foi essa viagem no pino de Ver\u00e3o de 1472. A minha comitiva, da qual fazia parte o meu pr\u00f3prio pai, insistia em que eu ficasse em Coimbra, no mesmo mosteiro onde tinha ficado a Rainha Santa, D. Isabel de Portugal. Era um convento grande \u2013 diziam \u2013 \u00e0 beira de uma bela cidade. N\u00e3o me faltariam ali visitas, conforto e amizade. Mas eu n\u00e3o tinha sa\u00eddo de casa para isso.<\/p>\n<p>O meu desejo e a minha meta era o Mosteiro de Jesus de Aveiro \u2013 n\u00e3o o mosteiro engrandecido que v\u00f3s agora conheceis, mas a casa pobre e humilde, fundada por D. Brites Leit\u00e3o, longe do bul\u00edcio do mundo. Eu estava informada de que em Aveiro, a minha pequena Lisboa, podia encontrar a humildade e a pobreza.<\/p>\n<p>Houve relut\u00e2ncia \u00e0 minha volta. Senti-me a combater sozinha. Foi preciso impor-me. Mas vale a pena ser teimosa, quero dizer, ser l\u00facida e ter firmeza. S\u00f3 quando a firmeza se alia com a verdade \u00e9 que a teimosia \u00e9 virtude. Foi em Aveiro que realizei o meu sonho\u2026\u201d<\/p>\n<p>Excerto da \u201cCarta da Princesa Santa Joana aos Jovens\u201d, escrita por D. Manuel de Almeida Trindade para o dia 12 de Maio de 1979<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vidas que marcam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-15030","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15030","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15030"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15030\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}