{"id":15140,"date":"2009-05-06T12:06:00","date_gmt":"2009-05-06T12:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15140"},"modified":"2009-05-06T12:06:00","modified_gmt":"2009-05-06T12:06:00","slug":"capitalismo-refinado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/capitalismo-refinado\/","title":{"rendered":"\u00abCapitalismo refinado\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Acha-se consagrada a distin\u00e7\u00e3o entre o capitalismo r\u00edgido e o regulado; o primeiro caracteriza-se pela opress\u00e3o do capital sobre o trabalho e sobre a pessoa humana; o segundo obedece a normas jur\u00eddicas e morais. N\u00e3o se distinguem pela natureza, mas sim pelo quadro normativo. Diz-se, por vezes, que o capitalismo \u00e9 o melhor dos sistemas econ\u00f3micos existentes at\u00e9 hoje, porque deu origem a n\u00edveis de vida muito elevados numa parte significativa da popula\u00e7\u00e3o mundial. Mas tamb\u00e9m se diz que ele preserva a sua natureza opressora, n\u00e3o conseguindo inflectir para uma verdadeira \u00abeconomia social de mercado\u00bb que vem sendo esbo\u00e7ada na Europa desde o fim da II guerra mundial. Jo\u00e3o Paulo II, na enc\u00edclica \u00abLaborem Exercens\u00bb, n.\u00ba 14, mostra plena consci\u00eancia desta realidade, nomeadamente ao reconhecer que \u00aba posi\u00e7\u00e3o do capitalismo \u00abr\u00edgido\u00bb tem de ser continuamente submetida a uma revis\u00e3o (&#8230;)\u00bb. Reconhece tamb\u00e9m que o \u00aberro (&#8230;) do capitalismo e do liberalismo primitivos pode voltar a repetir-se (&#8230;)\u00bb (n.\u00ba 13). <\/p>\n<p>Nesta repeti\u00e7\u00e3o insere-se o fen\u00f3meno actual do \u00abcapitalismo refinado\u00bb; ele esmera-se no aperfei\u00e7oamento da regula\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, n\u00e3o consegue erradicar a opress\u00e3o t\u00edpica do capitalismo primitivo. Abundam exemplos desta preserva\u00e7\u00e3o, nos pr\u00f3prios esfor\u00e7os para debelar a crise actual: mant\u00eam-se as desigualdades gritantes e os seus mecanismos; admite-se como inevit\u00e1vel a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, sem horizontes de justi\u00e7a; os Estados revelam-se incapazes de entrentar os neg\u00f3cios escuros \u00e0 escala global; as for\u00e7as de contestata\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica favorecem esse mundo subterr\u00e2neo, deixando-se absorver pela luta pol\u00edtica mais superficial; a legisla\u00e7\u00e3o \u00abmoralizadora\u00bb dificilmente atinge o cerne desse mundo e, pelo contr\u00e1rio, alimenta n\u00e3o raro o clima de suspei\u00e7\u00e3o, cal\u00fania e \u00abjusti\u00e7a popular\u00bb; o cidad\u00e3o comum, as empresas e as institui\u00e7\u00f5es mais s\u00e9rias e mais fr\u00e1geis sentem-se desprezadas pelo Estado, pelas for\u00e7as contestat\u00e1rias e por toda a sociedade&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 patente o risco de evoluirmos para uma situa\u00e7\u00e3o que, ap\u00f3s a crise, ser\u00e1 mais regulada do que antes, mas igualmente injusta; refinadamente injusta. Face a isto, escasseiam correntes de opini\u00e3o, for\u00e7as pol\u00edticas e movimentos sociais empenhados numa inflex\u00e3o radical; os Estados, sozinhos, n\u00e3o t\u00eam capacidade para tal, e as for\u00e7as de contesta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica tudo exigem e pouco ou nada cooperam. Na doutrina social da Igreja, existe um fil\u00e3o riqu\u00edssimo que, remontando pelo menos a Jo\u00e3o XXIII (na enc\u00edclica \u00abMater et Magistra\u00bb, 1961, n.\u00bas 59-67), tem sido confirmado no magist\u00e9rio subsequente; sintetiza-se na palavra \u00absocializa\u00e7\u00e3o\u00bb. Pena \u00e9 que o laicado cat\u00f3lico o tenha votado ao abandono, e continue a ignor\u00e1-lo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-15140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}