{"id":15148,"date":"2009-05-06T12:13:00","date_gmt":"2009-05-06T12:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15148"},"modified":"2009-05-06T12:13:00","modified_gmt":"2009-05-06T12:13:00","slug":"espacos-de-opiniao-livre-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/espacos-de-opiniao-livre-na-igreja\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7os de opini\u00e3o livre na Igreja"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Braga, bispo de Angra do Hero\u00edsmo, face a um movimento de opini\u00e3o no seio da Igreja diocesana, que levantou, mais uma vez, o problema da poss\u00edvel cria\u00e7\u00e3o de uma nova diocese nos A\u00e7ores, disse \u201colhar com sinceridade e tranquilidade para esta possibilidade\u201d, acrescentando que \u201c este assunto n\u00e3o est\u00e1 a ser aprofundado\u2026 mas as pessoas t\u00eam direito \u00e0 sua opini\u00e3o e devemos discuti-la\u201d. Num encontro sobre o tema, que decorreu na Matriz de Ponta Delgada, no \u00e2mbito dos \u201cDi\u00e1logos sobre a f\u00e9\u201d, intervieram, como oradores principais, o vig\u00e1rio geral da Diocese, o vig\u00e1rio episcopal da ilha de S. Miguel e leigos ligados \u00e0 vida da Igreja.<\/p>\n<p>Independentemente do resultado, esta iniciativa, vista pelo bispo diocesano de modo sereno e sensato, constitui um caminho novo para problemas importantes, sen\u00e3o mesmo urgentes da Igreja. Trazem, ao de cima, a necessidade de um espa\u00e7o aberto de reflex\u00e3o livre, sobre problemas que a Igreja enfrenta. N\u00e3o s\u00e3o, muitas deles, apenas problemas do Papa, dos bispos e padres, mas de todo o Povo de Deus. Todos s\u00e3o protagonistas de uma hist\u00f3ria que lhes diz respeito, a que n\u00e3o se podem furtar impunemente e, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual, ningu\u00e9m, legitimamente, os pode impedir de participar, mesmo na fase de reflex\u00e3o. N\u00e3o se trata de discuss\u00f5es de rua ou de procura de maiorias.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de liberdade de opini\u00e3o no seio da Igreja vem de Pio XII, que a viu de modo positivo. A l\u00f3gica do Conc\u00edlio Vaticano II refor\u00e7ou, teoricamente, esta possibilidade e a import\u00e2ncia de tal reflex\u00e3o. Os \u00f3rg\u00e3os de corresponsabilidade, ent\u00e3o institu\u00eddos, apontam nesta linha. A experi\u00eancia mostra, por\u00e9m, que eles n\u00e3o s\u00e3o suficientes e que, muitas vezes, n\u00e3o exprimem o sentir legitimo das comunidades crist\u00e3s e dos leigos mais preparados para intervir, sem que tenham espa\u00e7o para o poderem fazer.<\/p>\n<p>Na Igreja n\u00e3o deve haver temas tabus. H\u00e1 problemas, por si n\u00e3o discut\u00edveis dada a sua natureza. N\u00e3o s\u00e3o muitos, mas, mesmo assim, podem-se reflectir, de modo aberto, para melhor se compreenderem e comunicarem. Muitos problemas da Igreja, trazem consigo uma carga hist\u00f3rica, que os foi sedimentando e, por vezes, os tornou dogm\u00e1ticos e intoc\u00e1veis. Precisam, agora, de ser abanados e confrontados com novas situa\u00e7\u00f5es sociais e culturais, que lhes d\u00eaem vida e os tornem mais actuais, ricos e expressivos.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, assistimos a mudan\u00e7as na Igreja: reforma da Semana Santa, jejum eucar\u00edstico, missas vespertinas, minist\u00e9rios laicais, rela\u00e7\u00f5es ecum\u00e9nicas, leigos na C\u00faria Romana e nas c\u00farias diocesanas\u2026 Coisas que pareciam intoc\u00e1veis, mas n\u00e3o o eram.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II mandou que fosse repensada a teologia e a hist\u00f3ria do primado, porque n\u00e3o queria que ele fosse obst\u00e1culo \u00e0 unidade dos crist\u00e3os. H\u00e1 hoje situa\u00e7\u00f5es em retrocesso. Passam-se \u00e0 margem do Vaticano II e de uma s\u00e3 tradi\u00e7\u00e3o, faltando coragem para reflectir em voz alta e em clima de comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Os problemas da Igreja n\u00e3o se resolvem por votos de maiorias. Mas, respeitada a leg\u00edtima decis\u00e3o, a quem esta compete, n\u00e3o ter\u00e3o boa solu\u00e7\u00e3o \u00e0 margem do Povo de Deus, uma vez que os seus membros tamb\u00e9m participam do munus prof\u00e9tico de Cristo e exprimem o \u201csentido da f\u00e9\u201d, muito importante quando tomado a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Neste sentido, com a aten\u00e7\u00e3o devida ao essencial, parece importante que se abram na Igreja espa\u00e7os livres de opini\u00e3o, com a preocupa\u00e7\u00e3o de manter e promover a unidade da f\u00e9 e a fidelidade ao Esp\u00edrito, sempre em ordem \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o comum.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o e a fidelidade aos sinais dos tempos, acolhidos, lidos e discernidos, obriga a mais comunh\u00e3o na Igreja, para evitar vis\u00f5es unidimensionais e solu\u00e7\u00f5es pastorais inconsequentes. A reflex\u00e3o e o confronto na Igreja, onde, em muitas coisas, o opin\u00e1vel \u00e9 enriquecedor, \u00e9 caminho a estimular. Na Igreja n\u00e3o h\u00e1 problemas pastorais tabus. Se os houver, a sua ac\u00e7\u00e3o empobrece, dia-a-dia, e o Povo de Deus perde valor. N\u00e3o h\u00e1 melhor e mais r\u00e1pida maneira de desinteressar, que impedir de falar ou ouvir, sempre e s\u00f3, os mesmos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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