{"id":15190,"date":"2009-05-13T11:37:00","date_gmt":"2009-05-13T11:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15190"},"modified":"2009-05-13T11:37:00","modified_gmt":"2009-05-13T11:37:00","slug":"peregrinar-e-rezar-com-os-pes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/peregrinar-e-rezar-com-os-pes\/","title":{"rendered":"Peregrinar \u00e9 rezar com os p\u00e9s"},"content":{"rendered":"<p>Iniciativa <!--more--> Peregrinos de Aveiro prop\u00f5em percurso alternativo para F\u00e1tima. Um caminho mais bonito, saud\u00e1vel e seguro<\/p>\n<p>Aveiro, 9 de Maio de 2009. 7h30 da manh\u00e3. Um grupo de trinta peregrinos sai do largo da S\u00e9 em direc\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima. Dever\u00e1 ter chegado ao santu\u00e1rio ontem \u00e0 tarde, dia 12. Destes, mais de uma dezena repete o percurso. Outros percorrem-no pela primeira vez, geralmente \u201carrastados\u201d por \u201crepetentes\u201d. A maioria \u00e9 de Aveiro. Mas entre os que pela primeira vez se p\u00f5em a caminho do santu\u00e1rio mariano est\u00e3o dois jovens de Viana do Castelo e uma fam\u00edlia de Lamego, emigrante na Alemanha, que conheceu a peregrina\u00e7\u00e3o e o seu mentor atrav\u00e9s do blogue Meia Bota Bota e Meia (http:\/\/meiabotabotaemeia.blogspot.com).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Cruz, 48 anos, casado, pais de dois rapazes, \u00e9 o mais velho do grupo e principal organizador da peregrina\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00f3 por saber que uma fam\u00edlia na Alemanha conheceu o blogue e agora pode cumprir a ida a F\u00e1tima, j\u00e1 valeu a pena\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A peregrina\u00e7\u00e3o deste grupo n\u00e3o ser\u00e1 muito diferente das de outros, embora tenha algumas regras m\u00ednimas. A principal \u00e9 \u201cO peregrino n\u00e3o exige; agradece\u201d, como escreveu Jos\u00e9 Cruz num e-mail que dirigiu aos colegas de percurso dias antes da partida. \u201cO peregrino agradece os locais onde fica, mesmo que as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam as melhores. N\u00e3o vamos para comer bem ou descansar. J\u00e1 estivemos para mudar um local de estadia, mas fomos t\u00e3o bem acolhidos que agora repetimos esse local. Peregrinar \u00e9 aceitar o que se nos d\u00e1\u201d, afirma. Mas num aspecto esta peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente: o percurso.<\/p>\n<p>Certa ocasi\u00e3o, ap\u00f3s uma ida a Compostela, querendo um percurso semelhante que evitasse as congestionadas e perigosas EN 1 e EN 109, Jos\u00e9 Cruz pegou no mapa e reparou que para chegar a p\u00e9 a F\u00e1tima seria poss\u00edvel seguir um terceiro caminho. Tentou uma vez e teve que fazer 10 km na EN 1, perto de Pombal. Na segunda tentativa encontrou caminhos agr\u00edcolas de modo a nunca ser necess\u00e1rio andar pela EN 1. O percurso est\u00e1 agora assim definido (ver destaque).<\/p>\n<p>A parte inicial segue a EN 335. Caminha-se depois nas margens do Mondego. De Alfarelos a Pombal segue-se por caminhos agr\u00edcolas e pelas margens do Arunca. O percurso \u00e9 seguro, bonito e saud\u00e1vel. A partir de Pombal o caminho pela serra \u00e9 feito com todos os outros peregrinos que chegam do litoral norte.<\/p>\n<p>Com Jos\u00e9 Cruz seguem outros peregrinos mais dados \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de percursos, como \u00e9 o caso do Jo\u00e3o Paulo, que j\u00e1 assinalou o percurso em s\u00edtios de mapas na Internet (indicados no blogue).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Cruz considera que agora seria ben\u00e9fico que as autoridades sinalizassem no terreno o percurso, \u00e0 maneira dos sinais que existem no caminho de Compostela: \u201cN\u00e3o era preciso muito. N\u00e3o queremos marcos de granito. Bastariam setas azuis, algumas nas estradas principais e principalmente nos caminhos agr\u00edcolas. Numa das peregrina\u00e7\u00f5es, pintei umas setas azuis no pavimento, com spray, que desapareceram logo. Mas nos caminhos de terra batida n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pintar. E n\u00e3o \u00e9 correcto pintar as \u00e1rvores. Penso que as autoridades, com a colabora\u00e7\u00e3o das dioceses deviam sinalizar este caminho com pequenas placas de madeira ou de metal\u201d. O percurso implica apenas com duas dioceses, a de Aveiro e a de Coimbra e seis concelhos: Aveiro, Oliveira do Bairro, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Soure e Pombal. Depois de Pombal (que \u00e9 diocese de Coimbra), entra-se na diocese de Leiria-F\u00e1tima e o percurso est\u00e1 bem definido.<\/p>\n<p>Outra sugest\u00e3o deixada pelo peregrino: \u201cCom pouco dinheiro e alguma boa vontade, acho que seria poss\u00edvel fazer pequenos albergues de apoio ao peregrino. As par\u00f3quias podiam assumir esse servi\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 preciso muito: s\u00f3 um duche para poder tomar um banho ou lavar os p\u00e9s, um fog\u00e3o para aquecer um leite ou umas papas, porque o peregrino n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 para provar a gastronomia, e um canto onde passar a noite. At\u00e9 poderia ser uma fonte de rendimento para a par\u00f3quia ou para a junta de freguesia\u201d. O grupo que saiu de Aveiro passou a primeira noite nos Bombeiros de Cantanhede e as outras duas em espa\u00e7os cedidos por restaurantes, gastando 25 euros\/pessoa pelas tr\u00eas dormidas.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Cruz d\u00e1 sentido espiritual \u00e0s peregrina\u00e7\u00f5es. Geralmente oferece-as por algu\u00e9m que sabe estar a passar dificuldades. Mas h\u00e1 pessoas que caminham consigo que n\u00e3o partilham da mesma f\u00e9. S\u00f3 que\u2026 \u201cMuda sempre algo\u201d, afirma. \u201cAs pessoas v\u00eam modificadas\u201d. Por \u00faltimo deixa um alerta para os que peregrinam como se fosse uma corrida: \u201cH\u00e1 pessoas que fazem o percurso em dois dias. Andam 50 km por dia e dormem 4 horas. Penso que assim n\u00e3o t\u00eam tempo para comungar das pessoas e das coisas. Peregrinar \u00e9 rezar com os p\u00e9s\u201d. Se a peregrina\u00e7\u00e3o for preparada, dividida em etapas razo\u00e1veis e equilibradas, por lugares seguros e bonitos, melhor se caminha. Mais e melhor se reza. J.P.F.<\/p>\n<p>Compostela ou F\u00e1tima?<\/p>\n<p>Conhecedor dos caminhos para Santiago, aonde costuma ir todos os anos, nos \u00faltimos tr\u00eas Jos\u00e9 Cruz tem ido a F\u00e1tima e a Compostela. \u201c\u00c9 diferente. Ir a Santiago \u00e9 como ir ter com um amigo. Conhecemos gente de todos os cantos do mundo. Chegamos l\u00e1 com alegria exterior, mas o que valeu foi o esfor\u00e7o, o caminho at\u00e9 l\u00e1 chegar. Com F\u00e1tima \u00e9 diferente. \u00c9 como ir ter com a m\u00e3e. Com o amigo a gente bebe uns copos. Com a m\u00e3e a gente d\u00e1 um abra\u00e7o. E fica l\u00e1. E chora. A alegria \u00e9 interior\u201d, afirma, adiantando que nas duas peregrina\u00e7\u00f5es anteriores o grupo desfez-se em l\u00e1grimas ao entrar no santu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Novo caminho proposto<\/p>\n<p>De Aveiro a F\u00e1tima s\u00e3o 134 km assim repartidos:<\/p>\n<p>\u2022 Primeiro dia &#8211; 37 km (20+17)<\/p>\n<p>07h30 &#8211; Aveiro (S\u00e9 ) &#8211; Aradas &#8211; Palha\u00e7a &#8211; Mamarrosa (Almo\u00e7o) &#8211; Pocari\u00e7a &#8211; Cantanhede (jantar e dormida).<\/p>\n<p>\u2022 Segundo dia &#8211; 38 km (19+19)<\/p>\n<p>07h30 &#8211; Cantanhede &#8211; Arazede &#8211; Carapinheira (almo\u00e7o) &#8211; Campos do Mondego &#8211; Pista Olimpica de Montemor &#8211; Alfarelos &#8211; (pela margem do rio Arunca) \u2013 Soure (janter e dormida).<\/p>\n<p>\u2022 Terceiro dia &#8211; 33 km (16+17)<\/p>\n<p>07h00 &#8211; Soure &#8211; Casal da Venda &#8211; Sim\u00f5es &#8211; Venda da Cruz &#8211; Pombal (almo\u00e7o) &#8211; Flandres &#8211; Barrac\u00e3o (jantar e dormida).<\/p>\n<p>Quarto dia &#8211; 06h00 &#8211; 26 Km<\/p>\n<p>Barrac\u00e3o &#8211; Caranguejeira &#8211; Santa Catarina da Serra (almo\u00e7o) &#8211; F\u00e1tima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-15190","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15190","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15190"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15190\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15190"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15190"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15190"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}