{"id":15243,"date":"2009-05-21T12:01:00","date_gmt":"2009-05-21T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15243"},"modified":"2009-05-21T12:01:00","modified_gmt":"2009-05-21T12:01:00","slug":"ha-40-anos-dois-dias-de-liberdade-a-sonhar-com-a-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-40-anos-dois-dias-de-liberdade-a-sonhar-com-a-mudanca\/","title":{"rendered":"H\u00e1 40 anos: Dois dias de liberdade a sonhar com a mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Congresso Republicano <!--more--> M\u00e1rio Soares recordou interven\u00e7\u00e3o de h\u00e1 40 anos e a evolu\u00e7\u00e3o para o regime democr\u00e1tico<\/p>\n<p>Quando M\u00e1rio Soares apresentou o tema \u201cA Constitui\u00e7\u00e3o de 1933 e a evolu\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds\u201d, no II Congresso Republicano, realizado em Aveiro, nos dias 16 e 17 de Maio de 1969, teve cr\u00edticas e assobios.<\/p>\n<p>O antigo Presidente da Rep\u00fablica regressou no s\u00e1bado passado ao Teatro Aveirense, passados 40 anos, para recordar o evento. \u201cOs meus amigos comunistas n\u00e3o gostaram nada da tese que apresentei, porque podia levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um partido. Tive cr\u00edticas e assobios, mas n\u00e3o estava \u00e0 espera do contr\u00e1rio\u201d, afirmou, real\u00e7ando que os comunistas, contra os socialistas, os cat\u00f3licos progressistas e outras tend\u00eancias, queriam ter o monop\u00f3lio da oposi\u00e7\u00e3o ao Estado Novo. M\u00e1rio Soares defendeu em 1969 que, para haver democracia em Portugal, seria necess\u00e1rio acabar com o colonialismo e permitir ao autodetermina\u00e7\u00e3o das col\u00f3nias, rever a constitui\u00e7\u00e3o de maneira a permitir elei\u00e7\u00f5es livres, acabar com a censura e dar uma amnistia geral aos presos pol\u00edticos. <\/p>\n<p>O antigo Presidente da Rep\u00fablica serviu-se da invoca\u00e7\u00e3o do II Congresso Republicano de Aveiro (o primeiro foi em 1957 e o terceiro seria em 1973, com a designa\u00e7\u00e3o de \u201cCongresso da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica\u201d) para fazer uma hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o da democracia em Portugal, que, como \u00e9 sabido, tem nele um dos protagonistas.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Soares recordou que interveio em Aveiro depois de ter regressado de um ano no ex\u00edlio em S. Tom\u00e9, na sequ\u00eancia da \u201cprimavera marcelista\u201d. Fora aluno de Marcelo Caetano, um \u201cexcelente professor\u201d que cometeu a asneira de \u201cenveredar pela pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o congresso de Aveiro, o socialista confrontar-se-ia com comunistas no Porto e forma a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma alian\u00e7a com o PC. \u00c9 convidado para integrar as listas da Ac\u00e7\u00e3o Nacional (ex-Uni\u00e3o Nacional), mas recusa, \u201cobviamente\u201d, concorrendo com a CEUD em Lisboa, Porto e Braga, embora, ao contr\u00e1rio de outros, j\u00e1 n\u00e3o acreditasse que \u201cfosse poss\u00edvel democratizar o regime a partir de dentro\u201d. Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, \u00e9 \u201camea\u00e7ado de morte\u201d e faz um p\u00e9riplo por pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica. Regressa a Portugal por causa da morte do seu pai, mas \u00e9 for\u00e7ado pela DGS (ex-PIDE) e abandonar o pa\u00eds. Regressar\u00e1 no dia 28 de Abril de 1974, j\u00e1 com o PS constitu\u00eddo.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Soares n\u00e3o participou no III Congresso, que acabou com a interven\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia de Choque. \u201cMandei textos\u201d, diz. \u201cA Maria Barroso veio e foi uma das espancadas pela pol\u00edcia\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O socialista confessou que na altura da revolu\u00e7\u00e3o de Abril pensava que se a nova democracia durasse 16 anos como a I Rep\u00fablica j\u00e1 ficaria satisfeito. E sublinhou que se n\u00e3o fosse o 25 de Novembro de 1975, Portugal teria entrado noutra ditadura, agora de esquerda, \u201cmais dif\u00edcil do que a que durou 48 anos\u201d. Recordou ainda figuras como Sei\u00e7a Neves, Costa e Melo, M\u00e1rio Sacramento e Jo\u00e3o Sarabando e deixou uma palavra de admira\u00e7\u00e3o a Vale Guimar\u00e3es, que era governador civil na altura do congresso: \u201cQuando concorri pela primeira vez \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ele foi o meu mandat\u00e1rio no distrito de Aveiro\u201d.<\/p>\n<p>Figuras \u201cde refer\u00eancia\u201d<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, entre a assist\u00eancia desta iniciativa do Governo Civil, estava Ant\u00f3nio Rocha Andrade, como estivera h\u00e1 40 anos. \u201cTinha 27 anos em 1969. N\u00e3o t\u00ednhamos a consci\u00eancia que os jovens de 27 anos, agora, t\u00eam. Basta pensar que nunca t\u00ednhamos sa\u00eddo do pa\u00eds, ou que, uns anos antes, em toda a Universidade de Coimbra, havia duas estudantes que usavam cal\u00e7as!\u201d, recorda o advogado e vereador da C\u00e2mara Municipal de Aveiro. \u201cO Congresso, para n\u00f3s, jovens, significava ouvir os grandes vultos como Salgado Zenha e M\u00e1rio Soares e outros oradores de elei\u00e7\u00e3o. Era uma oportunidade para ouvir de viva voz o que s\u00f3 se ouvia e dizia clandestinamente\u201d. Rocha Andrade participaria a seguir no 3.\u00ba Congresso: \u201cO 2.\u00ba e o 3.\u00ba s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es diferentes, at\u00e9 pela sua localiza\u00e7\u00e3o. O 3.\u00ba, no Cinema Avenida [Av. Louren\u00e7o Peixinho] corresponde a uma maior abertura e participa\u00e7\u00e3o popular. Este, no Aveirense, \u00e9 algo mais discreto, de reflex\u00e3o, havia menos juventude e mais gente de refer\u00eancia. O terceiro \u00e9 mais de espect\u00e1culo\u201d.<\/p>\n<p>Em Aveiro \u201csempre sopraram ventos de liberdade\u201d, afirmou Filipe Neto Brand\u00e3o. Mas por uns dias, em 1957, 1969 e 1973, quando se falou abertamente de Rep\u00fablica e democracia, os ventos foram mais fortes. <\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>4\u00ba Congresso?<\/p>\n<p>Desafio a que se fa\u00e7a um 4.\u00ba Congresso \u2013 tarefa importante, mas facilitada. Desta vez, contrariamente \u00e0s outras tr\u00eas, n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio pedir autoriza\u00e7\u00e3o ao governador civil.<\/p>\n<p>Filipe Neto Brand\u00e3o, governador Civil de Aveiro<\/p>\n<p>D\u00edvida<\/p>\n<p>A sociedade actual deve muito ao congresso que celebramos. O II Congresso deu uma imagem de energia num corpo moribundo de uma \u00e9poca moribunda.<\/p>\n<p>\u00c9lio Maia, presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro<\/p>\n<p>Qualidade<\/p>\n<p>Em 2010 celebraremos o que devemos \u00e0 Rep\u00fablica e questionaremos a qualidade da vida democr\u00e1tica. Queremos procurar caminhos para uma Rep\u00fablica mais moderna, mais eficiente e mais democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Artur Santos Silva, presidente da Comiss\u00e3o para as comemora\u00e7\u00f5es dos 10 anos da Rep\u00fablica<\/p>\n<p>Heran\u00e7a das Luzes<\/p>\n<p>Aveiro \u00e9 sin\u00f3nimo de democracia. A celebra\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica representa \u201cuma pr\u00e1tica constante para todos quantos amam a heran\u00e7a das Luzes e os valores perenes da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.<\/p>\n<p>Rui Pereira, ministro da Administra\u00e7\u00e3o Interna<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Congresso Republicano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-15243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}