{"id":15257,"date":"2009-05-21T12:26:00","date_gmt":"2009-05-21T12:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15257"},"modified":"2009-05-21T12:26:00","modified_gmt":"2009-05-21T12:26:00","slug":"um-outro-1-o-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-outro-1-o-de-maio\/","title":{"rendered":"Um outro \u00ab1.\u00ba de Maio\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> O sangrento \u00ab1.\u00ba de Maio\u00bb de 1886 constitu\u00edu uma marco imorredoiro na hist\u00f3ria do trabalho humano. Entretando, quase de imediato, foi apropriado pela luta de classes, entre capital e trabalho; isto foi mais vis\u00edvel na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e no seu espa\u00e7o de influ\u00eancia, mas verificou-se tamb\u00e9m em in\u00fameros outros pa\u00edses. Dentro dessa tradi\u00e7\u00e3o, a mensagem fundamental do \u00ab1.\u00ba de Maio\u00bb parece consistir em quatro teses: (a) &#8211; existe um conflito insan\u00e1vel entre o capital e o trabalho; (b) &#8211; o trabalho deve lutar contra o capital, at\u00e9 \u00e0 \u00abvit\u00f3ria final\u00bb; (c) &#8211; durante o predom\u00ednio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, essa vit\u00f3ria consistia na universaliza\u00e7\u00e3o do seu modelo; (d) &#8211; agora, deixou de ser explicitada, prevalecendo talvez a ideia de revolu\u00e7\u00e3o permanente e o esp\u00edrito do \u00abMaio de 1968\u00bb.<\/p>\n<p>Ao longo de mais de um s\u00e9culo, os \u00ab1.\u00ba de Maio\u00bb v\u00eam passando \u00e0 margem de duas realidades candentes: (a)  &#8211; o capital \u00e9 indissoci\u00e1vel do trabalho, e vice-versa; (b) &#8211; para al\u00e9m da \u00abempresa capitalista\u00bb de \u00abexplora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem\u00bb, existem a economia familiar, a luta aut\u00f3noma pela subsist\u00eancia e as empresas, de menor ou maior dimens\u00e3o, que procuram actuar de acordo com a moral. Quando se alimenta a ideia de que, um dia, o traba-lho vencer\u00e1 o capital, afirma-se uma orienta\u00e7\u00e3o correcta, envolvida em miragem suicida: a orienta\u00e7\u00e3o correcta \u00e9 a de que o capital deve estar ao servi\u00e7o do trabalho e do bem comum (tese fundamental no pensamento social crist\u00e3o); a miragem consiste no pressuposto simplista de que a apropria\u00e7\u00e3o do capital, pela \u00abclasse oper\u00e1ria\u00bb ou pelo Estado, eliminaria automaticamente as ra\u00edzes do capitalismo; pelo contr\u00e1rio, a experi\u00eancia tem mostrado que o car\u00e1cter \u00abprolet\u00e1rio\u00bb ou \u00abp\u00fablico\u00bb da deten\u00e7\u00e3o do capital n\u00e3o lhe altera a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9ctica com o trabalho. Nesta ordem de ideias, j\u00e1 est\u00e1 consagrada, h\u00e1 muito, a express\u00e3o \u00abcapitalismo de Estado\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel que o \u00ab1.\u00ba de Maio\u00bb continue a ser um dia de luta contra a opress\u00e3o e contra o capitalismo; mas n\u00e3o se ultrapassar\u00e1 o primarismo intelectual e \u00e9tico enquanto prevalecer a tese manique\u00edsta de que o bem e o mal est\u00e3o s\u00f3 de um lado, e de que n\u00e3o existem outros dinamismos para al\u00e9m da luta. Em 1 de Maio ocorre a festividade de \u00abS. Jos\u00e9 Oper\u00e1rio\u00bb, cuja oficina simboliza um \u00ab1.\u00ba de Maio\u00bb diferente. Este n\u00e3o se op\u00f5e aos aspectos positivos do outro, mas traz ao de cima realidades complementares, tais como: as  referidas economia familiar, luta pela subsist\u00eancia, empresas norteadas pela moral, bem como os avan\u00e7os conseguidos no di\u00e1logo social, formal ou informal, na negocia\u00e7\u00e3o colectiva, na concerta\u00e7\u00e3o social, na legisla\u00e7\u00e3o laboral, na regula\u00e7\u00e3o da economia, na seguran\u00e7a social&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-15257","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15257\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}