{"id":15273,"date":"2009-05-28T10:21:00","date_gmt":"2009-05-28T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15273"},"modified":"2009-05-28T10:21:00","modified_gmt":"2009-05-28T10:21:00","slug":"justino-pioneiro-de-um-encontro-positivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/justino-pioneiro-de-um-encontro-positivo\/","title":{"rendered":"Justino, &#8220;pioneiro de um encontro positivo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Vidas que marcam <!--more--> Justino, o santo que a Igreja prop\u00f5e no dia 1 de Junho, pouco significar\u00e1 para a generalidade dos crist\u00e3os. Mas o seu modo de pensar marcou a Igreja e muito em especial a Teologia e a Filosofia. Este m\u00e1rtir do s\u00e9c. II \u00e9 justamente o patrono dos fil\u00f3sofos.<\/p>\n<p>Natural de Samaria, Justino viveu entre o ano 100 e o ano 165. Ap\u00f3s ter circulado pelas principais filosofias da \u00e9poca, abra\u00e7ou o cristianismo como \u201ca \u00fanica filosofia segura e vantajosa\u201d. O grande m\u00e9rito de Justino est\u00e1 em ter sido \u201cpioneiro dum encontro positivo com o pensamento filos\u00f3fico, sempre marcado por um prudente discernimento\u201d, conforme escreveu Jo\u00e3o Paulo II na enc\u00edclica \u201cF\u00e9 e Raz\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O cristianismo nascente, sa\u00ed-do da Judeia e entrado no mundo greco-romano, viu-se confrontado com um desafio intelectual (para al\u00e9m de ter de ultrapassar os tr\u00eas preconceitos habituais que o imp\u00e9rio tinha em rela\u00e7\u00e3o aos seguidores do Nazareno: \u201cos crist\u00e3os s\u00e3o ateus\u201d, diziam, pois adoram apenas um deus e um deus invis\u00edvel; \u201cpraticam o incesto\u201d, pois tratam-se por \u201cirm\u00e3os\u201d e \u201cirm\u00e3s\u201d; s\u00e3o antrop\u00f3fagos, pois comem um corpo e bebem um sangue). O desafio era mostrar a credibilidade do cristianismo perante a prestigiada filosofia grega, perante a raz\u00e3o. Esta tarefa \u00e9 assumida pelos pensadores crist\u00e3os que se seguem aos ap\u00f3stolos (que lidaram com Jesus) e aos padres apost\u00f3licos (que lidaram com os ap\u00f3stolos), que, por isso, ficaram conhecidos como \u201capologetas\u201d. Coube-lhes fazer a apologia (a defesa) do cristianismo no contexto da filosofia greco-romana. E fizeram-na, n\u00e3o como inquisi\u00e7\u00e3o, mas como justifica\u00e7\u00e3o e credibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Justino escreveu o \u201cDi\u00e1logo com Trif\u00e3o\u201d e duas \u201cApologias\u201d. Na primeira obra dialoga com o judeu Trif\u00e3o, que lentamente vai reconhecendo o valor do Evangelho. Nas \u201cApologias\u201d tem em vista os gregos e adianta um argumento que far\u00e1 hist\u00f3ria. Diz Justino que Cristo \u00e9 o Logos \u201cdo qual participa todo o g\u00e9nero humano\u201d. \u201cLogos\u201d (pode ser traduzido por Palavra, Verbo, Raz\u00e3o) \u00e9 um t\u00edtulo do Evangelho de S. Jo\u00e3o atribu\u00eddo a Cristo, mas tamb\u00e9m o motor da filosofia. Ora, Justino afirma que todos os que se esfor\u00e7aram por seguir o Logos (grego) estavam, mesmo sem o saber, a seguir o Logos crist\u00e3o, Cristo. Da\u00ed vem a tese das \u201csementes do Logos\u201d (ou \u201csementes do Verbo\u201d) espalhadas por todas as \u00e9pocas e culturas e a da possibilidade de salva\u00e7\u00e3o de todos os que, n\u00e3o conhecendo Jesus, tiveram comportamentos rectos. No fundo, foram crist\u00e3os sem o saberem, \u201ccrist\u00e3os an\u00f3nimos\u201d, para usar uma express\u00e3o do s\u00e9c. XX.<\/p>\n<p>Justino contribui para que o cristianismo fosse cred\u00edvel para os intelectuais da sua \u00e9poca e mostrou que a Igreja est\u00e1 aber-ta \u00e0s pessoas de boa vontade (\u00e9 o que permite que aquele princ\u00edpio que surgiria no s\u00e9culo seguinte, \u201cfora da Igreja n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o seja um a\u00e7aime angustiante, pois, afinal, ningu\u00e9m sabe ao certo onde ficam as fronteiras da Igreja).<\/p>\n<p>Fiquemos com a cita\u00e7\u00e3o precisa: \u201cConsequentemente, aqueles que viveram antes de Cristo, mas n\u00e3o segundo o Logos, foram maus, inimigos de Cristo (&#8230;);  pelo contr\u00e1rio, aqueles que viveram e vivem conforme o Logos s\u00e3o crist\u00e3os, e n\u00e3o est\u00e3o sujeitos a medos e perturba\u00e7\u00f5es\u201d (Apologia I).<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vidas que marcam<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-15273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}