{"id":15363,"date":"2009-06-04T11:59:00","date_gmt":"2009-06-04T11:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15363"},"modified":"2009-06-04T11:59:00","modified_gmt":"2009-06-04T11:59:00","slug":"cristao-lider-por-dom-do-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cristao-lider-por-dom-do-espirito\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3o l\u00edder por dom do esp\u00edrito"},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o <!--more--> \u201cSede bons administradores da gra\u00e7a que Deus vos concedeu e cada um de v\u00f3s ponha ao servi\u00e7o dos outros os dons que recebeu\u201d\u2013 exorta S\u00e3o Pedro os crist\u00e3os destinat\u00e1rios da sua primeira carta dispersos por v\u00e1rias regi\u00f5es do Imp\u00e9rio. Ilustra a sua recomenda\u00e7\u00e3o com os exemplos do an\u00fancio da palavra e com a dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o. <\/p>\n<p>A mensagem transmitida faz parte de um conjunto de atitudes que expressam e fomentam a esperan\u00e7a activa, a rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua, o estilo s\u00f3brio de vida, a doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca por amor. Constitui um bom ponto de refer\u00eancia para o tema que me foi pedido: as lideran\u00e7as na miss\u00e3o da Igreja, e est\u00e1 em conson\u00e2ncia com outros textos do novo testamento e com o pensar do magist\u00e9rio p\u00f3s-conciliar do Vaticano II. <\/p>\n<p>1.Todos os fi\u00e9is recebem dons que devem saber gerir com ousadia prudente. N\u00e3o apenas para proveito pessoal, mas para utilidade comum. N\u00e3o apenas atendendo ao presente, mas abrindo-se confiadamente ao futuro. \u00c9 o pr\u00f3prio Deus quem os concede, por meio do Seu Esp\u00edrito. Uma boa gest\u00e3o glorifica o Senhor e serve os irm\u00e3os. Esta forma de actua\u00e7\u00e3o constitui a lideran\u00e7a fundamental por gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. <\/p>\n<p>Importa, por isso, descobrir e reconhecer a sua qualidade, apreciar e difundir o seu alcance inovador, promover com dilig\u00eancia as m\u00faltiplas formas que reveste e, tantas vezes, redimensiona os dotes naturais e adquiridos comuns a tantas pessoas de boa vontade.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo ilustrativo, basta lembrar os crist\u00e3os na fam\u00edlia e no voluntariado de vizinhan\u00e7a, nos espa\u00e7os s\u00f3cio-culturais, econ\u00f3micos e pol\u00edticos, nas miss\u00f5es humanit\u00e1rias, nas corpora\u00e7\u00f5es de bombeiros e nas respostas de emerg\u00eancia. <\/p>\n<p>Nem sempre esta forma de liderar mostra o dinamismo que d\u00e1 sentido \u00e0 vida e seus acontecimentos; tamb\u00e9m raramente \u00e9 devidamente considerada e apreciada; apenas esporadicamente desperta a aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que preferem noticiar a insignific\u00e2ncia da presen\u00e7a crist\u00e3 na sociedade, o apagamento da institui\u00e7\u00e3o ou o epis\u00f3dico de alguma situa\u00e7\u00e3o. A imagem elaborada e \u201cpublicada\u201d surge desfigurada da realidade e avoluma a \u201cimpress\u00e3o\u201d de que os crist\u00e3os est\u00e3o ausentes da vida na sociedade e a f\u00e9 n\u00e3o provoca qualquer impacto p\u00fablico.<\/p>\n<p>2. Os dons do Esp\u00edrito especificam-se conforme as fun\u00e7\u00f5es e os minist\u00e9rios ao servi\u00e7o daquela lideran\u00e7a fundamental. O exem-plo de Jesus testemunha-o de forma expressiva. Os ensinamentos de S\u00e3o Paulo s\u00e3o muito claros. Quem recebe um dom assume uma responsabilidade. Nas v\u00e1rias \u00e1reas da miss\u00e3o da Igreja, designadamente da anima\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>Sirvam de refer\u00eancia os l\u00edderes de grupos, os animadores de equipas, movimentos e associa\u00e7\u00f5es, os facilitadores da comunica\u00e7\u00e3o entre comunidades e da busca da melhor solu\u00e7\u00e3o para o desempenho da miss\u00e3o, os encarregados da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ou da gest\u00e3o de obras apost\u00f3licas em comunh\u00e3o com a hierarquia, embora com relativa autonomia. <\/p>\n<p>Este conjunto representa uma vasta \u00e1rea de anima\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o. Basta mencionar a rede de quantos se dedicam a quem pretende libertar-se da mis\u00e9ria e ganhar possibilidades e confian\u00e7a para se auto-governar e ajudar outros que se encontram em condi\u00e7\u00f5es semelhantes: confer\u00eancias vicentinas, organiza\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento, miseric\u00f3rdias, agrupamentos de escuteiros, associa\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>3. H\u00e1 um tipo de l\u00edderes que merece uma refer\u00eancia especial: as comunidades de vida consagrada, em si mesmas e no agir da maioria dos seus membros. A sua lideran\u00e7a \u00e9 not\u00e1vel pela influ\u00eancia positiva nas causas a que se dedica, provocando forte impacto social, mas sobretudo pelo que representam &#8211; a for\u00e7a do modelo a que todos estamos chamados: ser pessoa em comunh\u00e3o, respeitando as diferen\u00e7as, convergindo nos esfor\u00e7os, servindo por amor de doa\u00e7\u00e3o, caminhando na santidade a que Deus, por Jesus Cristo, nos chama. Constituem um espa\u00e7o humano em que a Igreja pode rever, de forma qualificada, a sua voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>4. O l\u00edder que interage de forma participativa, animando pessoas e coordenando projectos ou programas, h\u00e1-de ter uma vis\u00e3o clara da sua fun\u00e7\u00e3o e saber situ\u00e1-la no \u00e2mbito da miss\u00e3o da Igreja e no contexto social envolvente.<\/p>\n<p>Ser l\u00edder \u00e9 ter capacidade de motivar, de exercer uma influ\u00eancia positiva, de acolher propostas e de estabelecer parcerias, de captar o dinamismo e o sentido das mudan\u00e7as, de gerar consensos, de infundir esperan\u00e7a.  <\/p>\n<p>O l\u00edder coordenador deve ser realista, conhecer a situa\u00e7\u00e3o da equipa e da comunidade, cultivar atitudes de serenidade e confian\u00e7a, evitar o pessimismo e a ansiedade, prosseguir os objectivos tra\u00e7ados, dedicando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas. Na par\u00e1bola do Bom Pastor, encontram-se outros elementos significativos. <\/p>\n<p>Forjar um bom coordenador exige o uso de meios adequados, designadamente a integra\u00e7\u00e3o efectiva na comunidade de que faz parte, a experi\u00eancia de membro de equipa, a capacidade de intervir com acerto, de acolher e de gerar consensos. Pode assim captar com mais facilidade as necessidades e experimentar o ritmo de grupo com o qual caminha. (Coordenadores \u201cdesencarnados\u201d da realidade correm o risco de ser t\u00e9cnicos especializados e n\u00e3o pessoas de comunh\u00e3o).<\/p>\n<p>5. A lideran\u00e7a pastoral tem em conta o que acaba de ser referido, mas lan\u00e7a as suas ra\u00edzes mais profundas no minist\u00e9rio ordenado, fruto de um carisma especial celebrado num sacramento e configurado num m\u00fanus. Da\u00ed, brota o servi\u00e7o dos pastores e daqueles que, por delega\u00e7\u00e3o ou especial mandato, s\u00e3o responsabilizados por fun\u00e7\u00f5es reconhecidas de \u201cutilidade\u201d eclesial.<\/p>\n<p>Todo o minist\u00e9rio ordenado est\u00e1 ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o e da miss\u00e3o, agindo em nome de Jesus Cristo. Radica na Trindade que se expressa na unidade das leg\u00edtimas diversidades. Reconhece e fomenta os dons concedidos pelo Esp\u00edrito em ordem ao bem comum. A pr\u00e1tica pastoral tem de ser coerente e consequente.<\/p>\n<p>Ser respons\u00e1vel pela pr\u00e1tica da comunh\u00e3o na Igreja (cf. ChL 31) e nas suas m\u00faltiplas institui\u00e7\u00f5es e comunidades significa o empenho total para que haja uma correcta compreens\u00e3o da comunh\u00e3o, se fomente a correspondente cultura comunional e se superem antagonismos e divis\u00f5es. Envolve ainda o apre\u00e7o por aquilo que \u00e9 diferente e o reconhecimento do que \u00e9 comum e a todos irmana e congrega. <\/p>\n<p>A miss\u00e3o decorre da comunh\u00e3o e edifica-a. O minist\u00e9rio da Palavra, o servi\u00e7o da Liturgia e a pr\u00e1tica da Caridade constituem as vias normais por onde circula a seiva revigorante da comunh\u00e3o. <\/p>\n<p>O servi\u00e7o dos pastores \u00e0 miss\u00e3o configura o seu perfil e marca o estilo da sua lideran\u00e7a pastoral. As rela\u00e7\u00f5es fraternas na Igreja favorecem e alimentam o estilo de vida que testemunha a novidade do Evangelho: \u201cVede como se amam\u201d. \u201cPai, que todos sejam um como N\u00f3s somos um a fim de que o mundo creia\u201d. <\/p>\n<p>Edificar a comunh\u00e3o eclesial como sinal de evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 prioridade constante, mas sobretudo no nosso tempo com marcas de acentuada fragmenta\u00e7\u00e3o e de crit\u00e9rios relativistas. <\/p>\n<p>A lideran\u00e7a dos pastores realiza-se n\u00e3o apenas no minist\u00e9rio, mas, e de modo peculiar, no modo como o minist\u00e9rio \u00e9 exercido. N\u00e3o pode pretender em abstracto a gl\u00f3ria de Deus e esquecer a pessoa humana, a vida em abund\u00e2ncia que o Senhor Jesus lhe quer transmitir.<\/p>\n<p>6. A sinodalidade da Igreja surge como o legado mais precioso para o exerc\u00edcio adequado deste minist\u00e9rio e como a via mais qualificada para suscitar a consci\u00eancia comum da miss\u00e3o que a todos foi confiada, das fun\u00e7\u00f5es diferentes que cabe a cada um, da complementaridade que enriquece a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Este modo de ser Igreja sinodal expressa a sua dimens\u00e3o de peregrina em busca da verdade mediante o discernimento pessoal e comunit\u00e1rio, realiza-se em assembleias peri\u00f3dicas e estrutura-se em \u00f3rg\u00e3os permanentes: as inst\u00e2ncias de participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a dos pastores, sendo fun\u00e7\u00e3o pessoal e colegial, est\u00e1 muito condicionada pela capacidade de constituir e gerir estes \u00f3rg\u00e3os sinodais em articula\u00e7\u00e3o com o sentir do povo de Deus e em solidariedade com o mundo, espa\u00e7o onde os sinais dos tempos apontam caminhos a seguir com sabedoria. Tamb\u00e9m aqui s\u00e3o necess\u00e1rias novas e ousadas iniciativas.<\/p>\n<p>P.e Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-15363","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15363\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}