{"id":15374,"date":"2009-06-04T12:09:00","date_gmt":"2009-06-04T12:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15374"},"modified":"2009-06-04T12:09:00","modified_gmt":"2009-06-04T12:09:00","slug":"o-obsceno-e-o-sentimental-invadem-o-nosso-espaco-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-obsceno-e-o-sentimental-invadem-o-nosso-espaco-publico\/","title":{"rendered":"O obsceno e o sentimental invadem o nosso espa\u00e7o p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que foi sempre mais ou menos assim ou estaremos perante um fen\u00f3meno novo a que a comunica\u00e7\u00e3o social se encarrega de dar permanente e vistosa publicidade? <\/p>\n<p>O inquinamento doentio da mente e do cora\u00e7\u00e3o sempre p\u00f4de atingir a todos com gravidade. Em tempos foi-se muito longe, quando a manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica deste inquinamento produziu vidas depravadas e chegou \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o, como se se tratasse de grandeza da ra\u00e7a ou de um melhor estatuto c\u00edvico. Ainda a\u00ed h\u00e1 sinais disso.<\/p>\n<p>Como quer que tenha sido antes, a verdade \u00e9 que estamos hoje a viver ou a reviver uma \u00e9poca de pan-sexualismo, reduzido \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de obscenidade que o ambiente farisaicamente favorece e d\u00e1 dinheiro a quem o promove, acabando por manchar, socialmente, a maravilhosa dimens\u00e3o da afectividade e da sexualidade humana.<\/p>\n<p>Como que a fazer eco do que se passou h\u00e1 poucos anos nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, surge agora, como realidade ao longo de d\u00e9cadas, igual mazela na Irlanda. Acontecimentos que s\u00e3o, descontados embora os exageros de alguns relatos, a todos os t\u00edtulos lament\u00e1veis e conden\u00e1veis, mais ainda por estarem relacionados com institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Ningu\u00e9m est\u00e1 imune do mal e de passos mal andados, devendo reconhecer-se, no entanto, que n\u00e3o \u00e9 isso que se espera de pessoas e de obras sociais, que se propuseram ter a mensagem evang\u00e9lica como inst\u00e2ncia educativa permanente.<\/p>\n<p>Quem folheia jornais e revistas de ge-neralidades e p\u00e1ra na rua para observar os escaparates dos quiosques da imprensa ou passa pelos canais de televis\u00e3o, de c\u00e1 e de fora, se tem sentimentos de dignidade e preocupa\u00e7\u00e3o por uma sociedade sadia e liberta, n\u00e3o pode deixar de ficar perplexo e preocupado ante o que l\u00ea e v\u00ea. <\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o sexual, sempre e muito mais neste contexto, torna-se, de facto, necess\u00e1ria para os mais jovens, chamados a ser gente respons\u00e1vel, n\u00e3o por caminhos modernos tortuosos ou a agir sob sentimentos imediatos, mas pela transmiss\u00e3o l\u00facida de valores perenes que levem ao respeito por si e pelos outros. Muitos adultos necessitam, tamb\u00e9m, de um forte safan\u00e3o que os acorde e os leve a quererem ser mulheres e homens, pessoal e socialmente dignos, e a trocar os atoleiros e o chafurdo por ambientes sadios, onde se viva de modo feliz e liberto. Do mesmo modo, haja quem atento tome conta do que se publica. Os ecologistas est\u00e3o muito atentos ao gato morto que se abandona na rua ou ao lixo lan\u00e7ado fora dos contentores, mas passa-lhe ao lado a preocupa\u00e7\u00e3o pelo ambiente humano deteriorado e cada dia mais inquinado pelo que se publica, se v\u00ea e ouve, at\u00e9 na rua, que, por enquanto, ainda \u00e9 espa\u00e7o de todos.<\/p>\n<p>Quando a vergonha e a responsabilidade pessoal n\u00e3o s\u00e3o censura v\u00e1lida, qualquer outra se torna odiosa. Quando o poder econ\u00f3mico \u00e9 rei e senhor, n\u00e3o faltam outros poderes a dobrar-se reverentes, ante os que mais t\u00eam e podem sempre ser \u00fateis.<\/p>\n<p>Tem come\u00e7ado pela desagrega\u00e7\u00e3o moral o decl\u00ednio dos povos que se julgavam pioneiros de uma liberdade sem controlo. Por a\u00ed vamos, porque as crises econ\u00f3micas s\u00e3o antes morais e \u00e9ticas. Comer, gozar e agradar n\u00e3o \u00e9 modo de viajar rumo a bom porto.<\/p>\n<p>E a fam\u00edlia? Muito se tem feito para a dignificar e capacitar para as suas tarefas. Mas muito se tem feito, tamb\u00e9m, para a destruir e anular na sua dignidade e nos seus direitos e deveres. A fonte que gera todas as crises humanas \u00e9 sempre a mesma numa sociedade adormecida, manietada e desvirtuada nos seus objectivos normais. Se houver coragem para o reconhecer haver\u00e1 tamb\u00e9m determina\u00e7\u00e3o para dar resposta.<\/p>\n<p>A intoxica\u00e7\u00e3o do obsceno e do sentimental debilitou os sentimentos mais nobres e os v\u00ednculos que unem as pessoas. O problema \u00e9 cultural, com inevit\u00e1veis reflexos no humanismo reinante. As grandes v\u00edtimas est\u00e3o a\u00ed \u00e0 mostra: as crian\u00e7as e os mais idosos. Ambos, pela sua natural depend\u00eancia, se tornam manej\u00e1veis a interesses. Sem respeito e amor \u00e0s crian\u00e7as e gratid\u00e3o aos idosos, para onde ruma e onde vai parar a sociedade?  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que foi sempre mais ou menos assim ou estaremos perante um fen\u00f3meno novo a que a comunica\u00e7\u00e3o social se encarrega de dar permanente e vistosa publicidade? O inquinamento doentio da mente e do cora\u00e7\u00e3o sempre p\u00f4de atingir a todos com gravidade. 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