{"id":15393,"date":"2009-06-08T17:36:00","date_gmt":"2009-06-08T17:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15393"},"modified":"2009-06-08T17:36:00","modified_gmt":"2009-06-08T17:36:00","slug":"a-pobreza-e-violacao-dos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-pobreza-e-violacao-dos-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"A pobreza \u00e9 viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos"},"content":{"rendered":"<p>Alfredo Bruto da Costa defendeu um combate \u00e0 pobreza em tr\u00eas frentes: colmatando a priva\u00e7\u00e3o; construindo fontes de recursos; e provocando a mudan\u00e7a social<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um ditado que \u00e9 muitas vezes mal citado, aquele que diz: \u00abSe vires algu\u00e9m com fome, n\u00e3o lhe d\u00eas um peixe, mas ensina-o a pescar\u00bb. O que Conf\u00facio diz \u00e9 algo diferente: \u00abSe s\u00f3 deres o peixe, ele come hoje. Se deres o peixe mais a cana, ele com hoje e o resto da vida\u00bb\u201d. Com este esclarecimento, Alfredo Bruto da Costa, nas Confer\u00eancias da Primavera da Gafanha da Nazar\u00e9, pretendeu centrar as aten\u00e7\u00f5es do p\u00fablico que o escutava atentamente mo que deve ser a luta contra a pobreza. \u201cO projecto mais eficaz \u00e9 quando uma pessoa diz: \u00abMuito obrigado, mas j\u00e1 n\u00e3o preciso mais de voc\u00eas\u00bb\u201d, afirmou o presidente da Comiss\u00e3o Nacional \u00abJusti\u00e7a e Paz\u00bb, para a seguir exemplificar com a \u201csala alagada\u201d a situa\u00e7\u00e3o em que vivem os pobres. \u201cSe eu tiver uma torneira sempre aberta, posso limpar a casa, que da\u00ed a pouco volta a estar alagada. \u00c9 assim que funciona alguma luta conta a pobreza: ataca as consequ\u00eancias, mas n\u00e3o as causas\u201d. Ou seja, \u00e9 preciso fechar a torneira da priva\u00e7\u00e3o. Claro que, como notou, as coisas n\u00e3o devem ser postas em termos alternativos, mas sim cumulativos. \u201cResolver o problema da priva\u00e7\u00e3o\u201d, isto \u00e9, dar comida, vestu\u00e1rio ou outros bens aos pobres, \u201c\u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente para resolver o problema\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da priva\u00e7\u00e3o (\u201cdar o peixe\u201d) \u00e9 resolvida por diversas institui\u00e7\u00f5es e por muitos cidad\u00e3os. Portugal at\u00e9 tem uma longa hist\u00f3ria, a come\u00e7ar nas centen\u00e1rias Miseric\u00f3rdias, de aten\u00e7\u00e3o ao pobre. Mas resolver a falta de recursos (\u201cdar a cana\u201d) exige mudan\u00e7as sociais, ao contr\u00e1rio do pensar comum que diz que \u201co pobre \u00e9 pregui\u00e7oso\u201d, \u201cteve m\u00e1 sorte\u201d e que \u201ca pobreza \u00e9 inevit\u00e1vel\u201d. Bruto da Costa deixou sugest\u00f5es concretas para a mudan\u00e7a mais profunda, que sintetizamos: 1) Mudar a mentalidade que faz do pobre o principal respons\u00e1vel pela sua pobreza; 2) Relacionar solidariedade e responsabilidade na no\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a social (\u201ca luta contra a pobreza \u00e9 quest\u00e3o de justi\u00e7a e n\u00e3o de sentimentalismo\u201d); 3) ler a pobreza como viola\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, atentado \u00e0 dignidade do ser humano; 4) defender o direito de propriedade para todos (\u201c\u00e9 uma grave omiss\u00e3o dos crist\u00e3os. Defendem o direito de propriedade dos que a t\u00eam; devem defender, tamb\u00e9m, o dos que n\u00e3o a t\u00eam\u201d); 5) Op\u00e7\u00e3o por pol\u00edticas que insiram nos seus programas um efectivo combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>J.P.F. <\/p>\n<p>Solidariedade, pobreza e direitos humanos<\/p>\n<p>\u201cPouca gente fala de pobreza na perspectiva dos direitos humanos. Aborda-se mais na perspectiva do desenvolvimento e das pol\u00edticas. Mas a pobreza \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos\u201d, afirma Bruto da Costa. O economista e cientista social nota que \u201cpode haver crescimento econ\u00f3mico com desigualdade social e agravamento da pobreza, se a riqueza for mal distribu\u00edda\u201d, por isso, acrescenta: \u201cTemos de olhar para a pobreza como algo que vai contra a dignidade humana. A pobreza existe como consequ\u00eancia e tem de ser combatida com mudan\u00e7as sociais, mesmo que haja muitas resist\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>Alfredo Bruto da Costa sublinhou uma solidariedade na \u201clinha de Jo\u00e3o Paulo II\u201d, que n\u00e3o \u00e9 \u201cum sentimentalismo\u201d. \u201cA solidariedade e a responsabilidade social est\u00e3o relacionadas na no\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a social. A solidariedade n\u00e3o \u00e9 um sentimentalismo. \u00c9 o compromisso muito s\u00e9rio com os outros. A responsabilidade s\u00f3 pode ser s\u00e9ria se virmos na pobreza um problema, uma falta de justi\u00e7a social\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alfredo Bruto da Costa defendeu um combate \u00e0 pobreza em tr\u00eas frentes: colmatando a priva\u00e7\u00e3o; construindo fontes de recursos; e provocando a mudan\u00e7a social \u201cH\u00e1 um ditado que \u00e9 muitas vezes mal citado, aquele que diz: \u00abSe vires algu\u00e9m com fome, n\u00e3o lhe d\u00eas um peixe, mas ensina-o a pescar\u00bb. 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