{"id":1544,"date":"2010-04-28T15:36:00","date_gmt":"2010-04-28T15:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1544"},"modified":"2010-04-28T15:36:00","modified_gmt":"2010-04-28T15:36:00","slug":"deixa-deus-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/deixa-deus-fazer\/","title":{"rendered":"Deixa Deus fazer"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 32 <!--more--> Num domingo do Tempo Comum, as leituras sugeriram uma ideia muito importante: O que seria preciso que Deus encontrasse em mim para fazer algo de mim e comigo? N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que Ele fez algo dessa mulher, a Samaritana dos cinco maridos que n\u00e3o eram dela. O seu entusiasmo em ir chamar as pessoas da povoa\u00e7\u00e3o, confessando os seus pecados, revela que algo de muito forte se passou com ela. Algo mudou. E isso porque Cristo fez com que ela recuasse ao seu ponto zero, n\u00e3o na dignidade, mas no conceito que ela fazia de si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A primeira coisa necess\u00e1ria para Deus poder fazer algo connosco \u00e9 partirmos da consci\u00eancia do nosso nada. N\u00e3o valho nada. Sou nada. Um gr\u00e3ozinho de areia ou uma gota de \u00e1gua que parece que n\u00e3o enchem nem praias nem oceanos. Este \u00e9 o ponto de partida. E, quando \u00e0 vista dos nossos \u00eaxitos, nos arvoramos em gente importante, Deus, aos seus, encarrega-se de nos colocar no s\u00edtio, fazendo-nos experimentar esse nosso nada atrav\u00e9s do pecado que cometemos, da imperfei\u00e7\u00e3o, da persegui\u00e7\u00e3o, doen\u00e7a ou fracasso, rejei\u00e7\u00e3o e cal\u00fanias, impot\u00eancia pelos limites da vida\u2026 A nossa conting\u00eancia sempre t\u00e3o palp\u00e1vel. Isto \u00e9 a nossa riqueza e garantia. Este nada atrai a Deus. Somos, como dizia um m\u00edstico espanhol, \u201cp\u00f3 enamorado\u201d.<\/p>\n<p>Sem o gr\u00e3ozinho n\u00e3o haveria areia. Sem a gota n\u00e3o haveria oceano. Isto estimulou Madre Teresa de Calcut\u00e1 a dar de si a cada pessoa, a uma de cada vez. \u00c9 aquilo a que n\u00f3s hoje chamados no com\u00e9rcio \u201catendimento pessoal com qualidade\u201d. Um de cada vez. Sem pressas. Esta \u00e9 a base para Deus come\u00e7ar e acabar em n\u00f3s a obra boa. Depois, a experi\u00eancia do Deus, que, em Cristo, enche este nada. Uma experi\u00eancia que nos transforma, a partir da ora\u00e7\u00e3o, em peregrinos do absoluto. \u00c9 neste nada que Ele coloca os alicerces do seu ser tudo. E s\u00f3 ent\u00e3o, formados e informados nele e por Ele, somos enviados a mudar o mundo, com a certeza de que quem faz continua a ser Ele.<\/p>\n<p>A ideia do nosso nada, na vida asc\u00e9tica da Igreja, n\u00e3o \u00e9 aniquilamento do homem. A nossa sociedade d\u00e1 muito valor aos t\u00edtulos e honras do mundo, aos cargos e licenciaturas e doutoramentos, que t\u00eam o seu lugar e import\u00e2ncia. Mas n\u00e3o \u00e9 isto que conta para o Senhor. E Ele bem chamou a aten\u00e7\u00e3o de Samuel na hora de escolher David. Deus n\u00e3o avalia pela apar\u00eancia. Onde houver um homem que tema e ame o Senhor, este \u00e9 amado por Ele. Sem d\u00favida que a ideia do nosso nada n\u00e3o \u00e9 uma ideia vazia\u2026 <\/p>\n<p>Sabemos que somos acima de tudo, amados por Deus. Somos o \u201cp\u00f3 enamorado\u201d, que Deus sabe ser \u00fatil, na sua aparente inutilidade, para fazer grandes coisas. Assim se tem revelado a vida dos Santos. Por isso, chegando ao fim da vida, muitos pensaram que n\u00e3o tinham feito coisa alguma, que a sua vida estava sem merecimento, que suas m\u00e3os estavam vazias, como dizia, de modo t\u00e3o po\u00e9tico, Teresinha do Menino Jesus.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que Deus quer de n\u00f3s. Fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance e que Ele nos manda \u2013 e concluir que nada far\u00edamos se n\u00e3o fosse o Senhor. E nada fizemos, porque quem fez foi o Senhor. E no fim quem recebe a recompensa somos n\u00f3s. Vale a pena apostar uma vida sabendo que a vit\u00f3ria \u00e9 nossa.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 32<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-1544","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1544"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1544\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}