{"id":15445,"date":"2009-06-17T17:25:00","date_gmt":"2009-06-17T17:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15445"},"modified":"2009-06-17T17:25:00","modified_gmt":"2009-06-17T17:25:00","slug":"agra-do-castro-pode-ter-cinco-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/agra-do-castro-pode-ter-cinco-mil-anos\/","title":{"rendered":"Agra do Castro pode ter cinco mil anos"},"content":{"rendered":"<p>Alguns materiais cer\u00e2micos e utens\u00edlios em pedra sugerem que a zona entre Aveiro e \u00cdlhavo foi habitada no terceiro mil\u00e9nio a.C.<\/p>\n<p>O lugar da Agra do Crasto ou Crasto de Verdemilho, situado nos limites dos concelhos de Aveiro e de \u00cdlhavo, na zona de expans\u00e3o da Universidade de Aveiro, pode remontar a meados do terceiro mil\u00e9nio antes de Cristo, de acordo com a comunica\u00e7\u00e3o apresentada no Congresso Internacional de Hist\u00f3ria e Patrim\u00f3nio &#8211; Aveiro 250 Anos, por Paulo Morgado, Isabel pereira, Fernando Almeida e S\u00f3nia Filipe.<\/p>\n<p>A eventual exist\u00eancia de um antigo povoado pr\u00e9-hist\u00f3rico naquele local tem sido referida, ao longo dos anos, por investigadores e historiadores, sem que, no entanto, tenham encontrado vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos suficientes para fundamentar essa hip\u00f3tese, at\u00e9 que, em Mar\u00e7o de 2003, de \u201cuma maneira perfeitamente ocasional\u201d, foram detectados \u201calguns materiais cer\u00e2micos, localizados numa vala de drenagem aberta, numa extens\u00e3o de pelo menos uma centena de metros\u201d, conforme a comunica\u00e7\u00e3o daqueles quatro investigadores.<\/p>\n<p>A visita de especialistas em arqueologia confirmou o interesse arqueol\u00f3gico do local. \u201cAs evid\u00eancias artefactuais identificadas englobavam essencialmente fragmentos de cer\u00e2mica de fabrico manual, de pastas grosseiras e colora\u00e7\u00e3o escura\u201d, refere a citada comunica\u00e7\u00e3o, que sublinha ainda terem-se identificado \u201cartefactos l\u00edticos, em pedra polida e talhada, designadamente utens\u00edlios sobre seixos, moventes de moinhos de vaiv\u00e9m em granito e uma excepcional ponta de seta de base c\u00f4ncava em s\u00edlex\u201d. <\/p>\n<p>Interesse do IPA<\/p>\n<p>Os quatro investigadores sublinharam que \u201ca natureza dos vest\u00edgios identificados apontou claramente para uma cronologia situada dentro do 2.\u00ba mil\u00e9nio a.C. (Idade do Bronze) ou mesmo at\u00e9 de meados do 3.\u00ba mil\u00e9nio, se se confirmar a possibilidade  de uma ocupa\u00e7\u00e3o calcol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>O Instituto Portugu\u00eas de Arqueologia foi informado dessas descobertas arqueol\u00f3gicas, tendo sido elaborado um projecto de estudo, com a coordena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico cient\u00edfico de Isabel Pereira (arque\u00f3loga e ex-directora do Museu de Aveiro). Essa interven\u00e7\u00e3o compreendeu prospec\u00e7\u00e3o geof\u00edsica, \u201cque identificou uma s\u00e9rie de anomalias que podem estar relacionadas com o s\u00edtio arqueol\u00f3gico\u201d, e limpeza do perfil da vala. Esses trabalhos permitiram recolher mais esp\u00f3lio arqueol\u00f3gico e identificar algumas estruturas associadas ao povoado. Os autores da comunica\u00e7\u00e3o sublinharam que \u201cat\u00e9 ao momento n\u00e3o foi poss\u00edvel determinar os limites deste arqueo-s\u00edtio. No entanto, a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos materiais encontrados \u00e0 superf\u00edcie e ao longo da vala de drenagem, permitiram definir \u00e1reas de ocupa\u00e7\u00e3o humana bem localizadas\u201d.<\/p>\n<p>Os quatro investigadores conclu\u00edram que \u201ca detec\u00e7\u00e3o de um habitat desta cronologia constitui, sobretudo nesta regi\u00e3o em que os vest\u00edgios da Pr\u00e9-hist\u00f3ria recente s\u00e3o muito escassos, uma descoberta de grande relev\u00e2ncia cient\u00edfica, podendo e devendo potenciar enormemente os estudos regionais de car\u00e1cter arqueol\u00f3gico e at\u00e9 de reconstitui\u00e7\u00e3o paleo-ambiental\u201d.<\/p>\n<p>Cardoso Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns materiais cer\u00e2micos e utens\u00edlios em pedra sugerem que a zona entre Aveiro e \u00cdlhavo foi habitada no terceiro mil\u00e9nio a.C. 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