{"id":15460,"date":"2009-06-17T17:40:00","date_gmt":"2009-06-17T17:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15460"},"modified":"2009-06-17T17:40:00","modified_gmt":"2009-06-17T17:40:00","slug":"abstencionismo-glorificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/abstencionismo-glorificado\/","title":{"rendered":"Abstencionismo glorificado?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Os resultados eleitorais para o Parlamento Europeu serviram de pretexto para o realce do abstencionismo; o realce foi explicitado pelas correntes dominantes da opini\u00e3o p\u00fablica e pela generalidade dos comentadores. N\u00e3o faltou quem visse nele um cart\u00e3o amarelo ou vermelho aos governantes e \u00e0 \u00abclasse pol\u00edtica\u00bb em geral. Quase foi dado a entender que a verdadeira maioria pol\u00edtica \u00e9 formada pelos abstencionistas, porventura adicionados a alguns partidos mais contestat\u00e1rios da democracia-como-ela-existe. Esta democracia fica assim posta em causa, dispensando-se por\u00e9m os contestat\u00e1rios e os abstencionistas de formular propostas alternativas cred\u00edveis.<\/p>\n<p>Tais correntes de opini\u00e3o esquecem que os dirigentes partid\u00e1rios n\u00e3o \u00abca\u00edram das nuvens\u00bb, mas prov\u00eam do povo, apesar de todas as contradi\u00e7\u00f5es dos processos de escolha. Esquecem (ou ocultam) que existem pol\u00edticos dedicados e competentes. Esquecem que os contestat\u00e1rios \u00abdesta democracia\u00bb e os abstencionistas n\u00e3o formam uma realidade homog\u00e9nea, nem sequer relativamente \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da democracia, qualquer que ela seja. <\/p>\n<p>Em vez da transfer\u00eancia demag\u00f3gica de responsabilidades para os \u00abpol\u00edticos\u00bb, torna-se indispens\u00e1vel que o povo assuma a soberania que em si reside. Para tanto, justifica-se a cria\u00e7\u00e3o de movimentos de cidadania,  que n\u00e3o se limitem \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de ilus\u00f5es, mas saibam intervir no esclarecimento dos problemas, na apresenta\u00e7\u00e3o de propostas e na avalia\u00e7\u00e3o de resultados. Nada obsta &#8211; muito pelo contr\u00e1rio &#8211; a que estes movimentos procurem actuar sistematicamente junto dos diferentes partidos pol\u00edticos e \u00f3rg\u00e3os de poder. Tamb\u00e9m \u00e9 perfeitamente aceit\u00e1vel, e at\u00e9 defens\u00e1vel, que se candidatem a elei\u00e7\u00f5es e que venham a transformar-se em partidos pol\u00edticos, se julgarem conveniente.<\/p>\n<p>Segundo correntes doutrin\u00e1rias diversas, a soberania reside no povo. \u00c9 esta, claramente, a orienta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa (cf. os artigos 1\u00ba.-3\u00ba.). E o \u00abComp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja\u00bb  vai no mesmo sentido. Nele se afirma que \u00abo sujeito da autoridade pol\u00edtica \u00e9 o povo, considerado na sua totalidade como detentor da soberania. O povo, de modos diferentes, transfere o exerc\u00edcio da sua soberania para aqueles que elege livremente como seus representantes, mas conserva a faculdade de a fazer valer no controlo da actua\u00e7\u00e3o dos governantes e tamb\u00e9m na sua substitui\u00e7\u00e3o (&#8230;)\u00bb (n\u00ba. 395). Nesta vis\u00e3o, \u00abo povo n\u00e3o \u00e9 uma multid\u00e3o amorfa (&#8230;)\u00bb (n\u00ba. 385); \u00e9, pelo contr\u00e1rio, o agente decisivo do seu destino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-15460","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15460\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}