{"id":1549,"date":"2010-05-05T10:39:00","date_gmt":"2010-05-05T10:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1549"},"modified":"2010-05-05T10:39:00","modified_gmt":"2010-05-05T10:39:00","slug":"eu-gostava-de-ver-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/eu-gostava-de-ver-o-papa\/","title":{"rendered":"Eu gostava de ver o Papa"},"content":{"rendered":"<p>Mas se eu vou ser, como espero, dos privilegiados que, em F\u00e1tima, vou estar perto do Papa, concelebrar com ele, almo\u00e7ar com ele, participar na reuni\u00e3o destinada s\u00f3 aos bispos, como venho aqui dizer que gostava de ver o Papa?<\/p>\n<p>Bento XVI, sou testemunha disso, gosta de perguntar, de escutar, de sentir a vida real na comunica\u00e7\u00e3o directa, de se abrir a todos, como irm\u00e3o mais velho que tem alguma coisa de importante a comunicar, de n\u00e3o fugir aos problemas dif\u00edceis e inc\u00f3modos que lhe s\u00e3o postos, sempre com o grande respeito que tem \u00e0s pessoas e \u00e0 verdade que liberta.<\/p>\n<p>Assim o conheci eu em dois s\u00ednodos da Europa (1991 e 1999), nas visitas dos bispos a Roma, e, de modo ainda mais gozoso, na recep\u00e7\u00e3o pessoal com o meu sucessor, em 2007. Quando pela primeira vez o cumprimentei como Papa, na Pra\u00e7a de S. Pedro, ele quis saber o que me tinha levado a Roma. Quando lhe disse o motivo \u2013 o encontro de respons\u00e1veis das Escolas Cat\u00f3licas nos diversos pa\u00edses da Europa \u2013 porque n\u00e3o p\u00f4de receber os participantes devido ao S\u00ednodo que ent\u00e3o se realizava, logo ali quis saber, com perguntas concretas, como tudo se tinha passado, acrescentando, ainda, que lhe falasse tamb\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o das mesmas escolas em Portugal. Parece que n\u00e3o havia mais ningu\u00e9m \u00e0 espera. Falava sem olhar ao tempo.<\/p>\n<p>E pensava eu que um guarda do Vaticano n\u00e3o me deixava aproximar do Papa, porque n\u00e3o ia de batina e solid\u00e9u, mas apenas vestido \u00e0 homem, embora com cruz e anel. Forcei a entrada e a aproxima\u00e7\u00e3o. Guardo, numa bela fotografia do momento, a recorda\u00e7\u00e3o de encontro t\u00e3o rico e pessoal.<\/p>\n<p>Eu sei bem que, na visita que o Papa faz a um pa\u00eds, como agora a Portugal, a partir de determinada altura, mais tem de fazer o que as circunst\u00e2ncias exigem do que aquilo que ele mesmo, bispo e pastor, gostaria.<\/p>\n<p>J\u00e1 se fala mais por a\u00ed da sua condi\u00e7\u00e3o de Chefe de Estado do Vaticano do que da sua miss\u00e3o espiritual, como primeiro Bispo da Igreja Cat\u00f3lica. A comunica\u00e7\u00e3o social j\u00e1 est\u00e1 mais interessada na cadeira do Papa, no que come e no talher que usa, no quarto onde dorme, nos presentes que v\u00e3o dar, nas audi\u00eancias devidas e nas intrometidas, na sua comitiva, na publicidade que se gerou \u00e0 sua volta\u2026 Ser s\u00f3 Papa, parece ser pouco\u2026<\/p>\n<p>Eu sei que as visitas pastorais do Papa, tamb\u00e9m dos bispos nas suas dioceses, tanto podem servir para abafar com um programa que n\u00e3o deixa respirar e semeia ilus\u00f5es, como para proporcionar momentos privilegiados de encontro com os crist\u00e3os nas suas comunidades, com as realidades sociais e religiosas, com os doentes e os mais pobres, os que n\u00e3o podem ir ao encontro de um visitante que tamb\u00e9m lhes diz respeito, dando tempo para escutar, animar e dialogar serenamente. O bispo ainda pode organizar nesta \u00f3ptica as suas visitas, mas o Papa, depois de dizer que vai, mais tem de ser obediente que decisor, perante programas propostos e negociados com colaboradores que gostam talvez mais de espraiar os olhos em multid\u00f5es do que dar rosto aos problemas das pessoas e aos gritos do tempo. Mas ele n\u00e3o pode discordar? Poder, pode\u2026<\/p>\n<p>J\u00e1 se entende agora o que digo quando escrevo: \u201cEu gostava de ver o Papa\u2026\u201d. V\u00ea-lo de outro modo, sem estar pressionado e esmagado pelas horas e pelo tempo dispon\u00edvel, para que se possa sentir ao perto o seu olhar de esperan\u00e7a e escutar a sua palavra corajosa de defesa da verdade, testemunho de serenidade e indicadora de rumos. Algo se acautelou agora de merit\u00f3rio com encontros com o mundo da cultura, os agentes da pastoral social, os presb\u00edteros, di\u00e1conos e consagrados. E, tamb\u00e9m, ter\u00e3o consolo os jovens e as multid\u00f5es numerosas que o aguardam em Lisboa, no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima e no Porto. Mas ainda por aqui, quem mais tem, \u00e9 sempre quem mais pode e manda. Crist\u00e3os que amem o Papa e testemunhem Jesus Cristo na Igreja e no mundo est\u00e3o por todo o pa\u00eds\u2026<\/p>\n<p>Impressionam-me menos os ataques de fora, que nestes tempos se multiplicam em rela\u00e7\u00e3o ao Papa, do que a repeti\u00e7\u00e3o menos inovadora nestes acontecimentos. Deviam ser mais ocasi\u00e3o privilegiada para mostrar um novo rosto da Igreja e da sua miss\u00e3o, dos seus problemas e desafios, das suas preocupa\u00e7\u00f5es e caminhos, e o empenhamento real das pessoas que a servem. <\/p>\n<p>Seremos n\u00f3s capazes, ao menos, de escutar, guardar e tornar vida tudo o que o Papa nos vai dizer a todos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas se eu vou ser, como espero, dos privilegiados que, em F\u00e1tima, vou estar perto do Papa, concelebrar com ele, almo\u00e7ar com ele, participar na reuni\u00e3o destinada s\u00f3 aos bispos, como venho aqui dizer que gostava de ver o Papa? 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