{"id":15527,"date":"2009-06-24T17:11:00","date_gmt":"2009-06-24T17:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15527"},"modified":"2009-06-24T17:11:00","modified_gmt":"2009-06-24T17:11:00","slug":"uma-influencia-pequena-e-residual-e-isso-que-o-povo-pensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-influencia-pequena-e-residual-e-isso-que-o-povo-pensa\/","title":{"rendered":"Uma influ\u00eancia pequena e residual! \u00c9 isso que o povo pensa?"},"content":{"rendered":"<p>A Igreja, mesmo com as suas limita\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es, incomoda sempre os cidad\u00e3os eruditos que observam a vida e o mundo de um palanque c\u00f3modo, fumando os seus car\u00edssimos havaianos, munidos de bin\u00f3culos modernos que s\u00f3 v\u00eaem, como \u00e9 \u00f3bvio, para onde os dirigem, que, normalmente, \u00e9 o vazio humano e social que os povoa. <\/p>\n<p>Em clima de anivers\u00e1rio festivo, foi dito pelo chefe de um grupo legalizado e que, livremente, se proclama ateu, que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio um movimento ate\u00edsta para travar a exuber\u00e2ncia da Igreja Cat\u00f3lica, num pa\u00eds, Portugal, \u201conde a sua influ\u00eancia \u00e9 j\u00e1 muito pequena, residual\u201d.<\/p>\n<p>Ainda bem que cada cidad\u00e3o \u00e9 livre de opinar. Mas, um milh\u00e3o de opini\u00f5es livres, nunca por si e pelo seu n\u00famero, fazem uma verdade. Esta n\u00e3o \u00e9 subjectiva nem se cria ao jeito de cada um. Por mais que custe aceit\u00e1-lo, onde n\u00e3o h\u00e1 objectividade n\u00e3o h\u00e1 lugar para a verdade.<\/p>\n<p>Olhe-se para este tempo de crise social. Quem mais presente, de maneira organizada e efectiva, que a Igreja e os seus grupos e institui\u00e7\u00f5es, junto dos mais pobres e exclu\u00eddos? Quem mais defensor dos direitos humanos e mais interventor quando eles n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos? Quem mais pr\u00f3ximo das fam\u00edlias? Quem mais ocupada com os portadores de defici\u00eancias, mentais e outras, e com as v\u00edtimas das muitas mazelas, cong\u00e9nitas ou adquiridas, a que nem sempre est\u00e3o alheios os que atiram pedras e escondem a m\u00e3o? Quem mais criativo e inovador no campo da educa\u00e7\u00e3o, da ac\u00e7\u00e3o social e da paz?<\/p>\n<p>A Igreja, pelos seus membros, tanto \u00e9 pecadora como irm\u00e3 universal que luta pelo bem, num mundo onde abundam os acomodados. Reconhece as suas limita\u00e7\u00f5es e falhas, mas, tamb\u00e9m, o seu caminho de convers\u00e3o, os seus m\u00e9ritos passados e presentes, a sua voca\u00e7\u00e3o de serva das pessoas, homens e mulheres, de qualquer ra\u00e7a, religi\u00e3o, l\u00edngua ou cor. Por isso n\u00e3o se acomoda e se, por vezes, o fez ou ainda o faz, \u00e9 contra a sua raz\u00e3o de ser e miss\u00e3o permanente. Tudo isto o dizem as p\u00e1ginas da hist\u00f3ria, nas quais, uma multid\u00e3o inumer\u00e1vel de procuradores dos pobres, ocupa lugar cimeiro, com destaque para gente da t\u00eampera de Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Jos\u00e9 Cotolengo, Jo\u00e3o de Deus, Frederico Ozanam, Am\u00e9rico de Aguiar, Jo\u00e3o XXIII, Teresa de Calcut\u00e1\u2026 <\/p>\n<p>Alguns governos laicos p\u00f5em entraves \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o podem negar o que \u00e9 claro e que o povo agradece como o sempre beneficiado. S\u00f3 o facciosismo, a ignor\u00e2ncia, a cegueira, o fanatismo podem negar uma realidade, que se mete pelos olhos dentro.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenham medo os ateus, sobretudo aqueles que, para se afirmarem, precisam de fechar os olhos \u00e0 realidade. A Igreja j\u00e1 aprendeu a respeit\u00e1-los, mesmo quando bol\u00e7am ataques e sonham planos, pejados de desprezo e \u00f3dio. <\/p>\n<p>\u00c0 Igreja n\u00e3o a move, como foi dito, a \u00e2nsia \u201cque procura tomar conta de tudo\u201d, mas, sim e sobretudo, move-a o cuidado dos mais pobres, que os bem instalados normalmente desconhecem, n\u00e3o sabem onde moram, nunca lhes viram, nem lhes trataram as feridas do corpo e do esp\u00edrito. Nunca lhes enxugaram as l\u00e1grimas e nem ouviram, com amor, respeito e paci\u00eancia, os seus desabafos mais pungentes e sentidos.<\/p>\n<p>Sei bem que os tempos n\u00e3o s\u00e3o nem de apologia, nem de apolog\u00e9tica. A Igreja Cat\u00f3lica, porque o sabe, deixou essas armas do passado, usadas para se manifestar e defender. A sua ac\u00e7\u00e3o e a sua defesa est\u00e1 agora no servi\u00e7o que presta \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade, \u00e0 causa da paz, \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da solidariedade, ao cuidado dos mais exclu\u00eddos, \u00e0 resposta poss\u00edvel \u00e0s crises sociais. N\u00e3o para ganhar prest\u00edgio, mas para testemunhar o Evangelho do amor, fazer seu, como Jesus Cristo, o caminho do homem. Os penachos do tempo, e as cr\u00edticas mordazes, morrem no tempo. Perdura a consci\u00eancia do bem procurado e realizado. Este \u00e9 o caminho. A Igreja, fiel \u00e0 sua miss\u00e3o, n\u00e3o pode ter outro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja, mesmo com as suas limita\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es, incomoda sempre os cidad\u00e3os eruditos que observam a vida e o mundo de um palanque c\u00f3modo, fumando os seus car\u00edssimos havaianos, munidos de bin\u00f3culos modernos que s\u00f3 v\u00eaem, como \u00e9 \u00f3bvio, para onde os dirigem, que, normalmente, \u00e9 o vazio humano e social que os povoa. 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