{"id":15577,"date":"2009-07-02T16:24:00","date_gmt":"2009-07-02T16:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15577"},"modified":"2009-07-02T16:24:00","modified_gmt":"2009-07-02T16:24:00","slug":"uma-tensao-natural-mas-superavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-tensao-natural-mas-superavel\/","title":{"rendered":"Uma tens\u00e3o natural, mas super\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Sociedade complicada, esta em que n\u00f3s vivemos. As rela\u00e7\u00f5es pessoais s\u00e3o sempre o espa\u00e7o em que as complica\u00e7\u00f5es mais se acentuam e as tens\u00f5es ganham maior relevo.<\/p>\n<p>N\u00e3o devia ser assim, quando se trata de pessoas adultas, embora com idades diferentes. A roda da vida, para todos inexor\u00e1vel, n\u00e3o deixa que os mais velhos esque\u00e7am as atitudes de quando eram ainda pouco amadurecidos e reagiam a ordens e conselhos, e aos mais novos, n\u00e3o deve passar despercebido que a juventude \u00e9 tempo que se escoa depressa. R\u00e1pida.<\/p>\n<p>A conviv\u00eancia de idades diferentes permite a todos uma permuta de dons e de experi\u00eancias, que enriquece mutuamente, mostrando que valemos e podemos mais, quando juntos e unidos, abertos e aceitantes da complementaridade.<\/p>\n<p>O poder decisivo, hoje, est\u00e1, na sociedade e, em muitos aspectos, tamb\u00e9m na Igreja, cada vez nas m\u00e3os dos mais novos. \u00c9 verdade que, sobretudo nas empresas, ser mais velho para determinadas fun\u00e7\u00f5es e tarefas, pode logo acontecer aos quarenta anos. Assim se atende mais a aspectos considerados de rendimento profissional, esquecendo-se que a rentabilidade n\u00e3o se traduz apenas em dinheiro. H\u00e1 gente v\u00e1lida e capaz, aos milhares, desempregada por encerramento de empresas. Logo v\u00ea como se lhe torce o nariz ao procurar trabalho. J\u00e1 tem cinquenta anos! Um pa\u00eds que quer continuar pobre.<\/p>\n<p>Diz-se que o poder corrompe, novos e menos novos. Assim, h\u00e1 chefes mais novos, bem vestidos e engravatados, orgulhosos com seus diplomas e t\u00edtulos, com atitudes que magoam, empobrecem a rela\u00e7\u00e3o e mostram que s\u00e3o fruto de uma sufici\u00eancia tola que n\u00e3o quer conselhos e apoios de ningu\u00e9m. Tamb\u00e9m n\u00e3o faltam chefes mais idosos com a presun\u00e7\u00e3o de que ningu\u00e9m lhes ensina nada. O \u201ccresce e aparece\u201d, ou \u201co seu tempo passou\u201d ainda s\u00e3o atitudes mais frequentes do que se julga.<\/p>\n<p>A Igreja, com a normal coexist\u00eancia de gera\u00e7\u00f5es diversas na orienta\u00e7\u00e3o das suas comunidades, procura acautelar as boas rela\u00e7\u00f5es entre os padres, chamando a aten\u00e7\u00e3o para os valores de cada idade, esfor\u00e7o de compreens\u00e3o, m\u00fatua aceita\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o concreta, trabalho em equipa, comunh\u00e3o de bens, deveres de hospitalidade, partilha de trabalhos, promo\u00e7\u00e3o de iniciativas que evitem o isolamento. Como procura que abram os olhos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos leigos, com seu valor, experi\u00eancia e trabalho realizado.<\/p>\n<p>O problema tende a agravar-se no clero, onde a pir\u00e2mide de idades se inverte com o aumento dos mais idosos. Se n\u00e3o se exprime, visivelmente, a comunh\u00e3o entre todos, n\u00e3o se caminha na colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua. H\u00e1, em todo o pa\u00eds, padres muito novos e pouco experientes e padres muito idosos e cansados a presidir a grandes comunidades. Um t\u00edtulo can\u00f3nico n\u00e3o garante, automaticamente, capacidades de lideran\u00e7a e sabedoria de decis\u00f5es. Na aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua, a colabora\u00e7\u00e3o exprime-se e enriquece. Este testemunho, tomado a s\u00e9rio, pode servir de est\u00edmulo para outros sectores da sociedade. O tempo n\u00e3o \u00e9 de novos ou de velhos. \u00c9 de todos. \u00c9 preciso, na Igreja e na sociedade, estar atento para que ningu\u00e9m presente, se torne invis\u00edvel ou ausente. As prateleiras n\u00e3o s\u00e3o lugar para arrumar gente, nem se podem promover pessoas, marginalizando outras pessoas. At\u00e9 no seio da fam\u00edlia e das rela\u00e7\u00f5es familiares, se o saber e a experi\u00eancia, vivida e sofrida, dos mais velhos, n\u00e3o lhes d\u00e1 direito a ter opini\u00e3o e a encontrar cora\u00e7\u00f5es abertos para a ouvir, a fam\u00edlia acabou. E muitas v\u00e3o acabando, apesar das casas a dar nas vistas.<\/p>\n<p>Estamos em tempo de acolhimento, n\u00e3o de desperd\u00edcio, muito menos de pessoas. N\u00e3o basta respeitar, quando se aparece. \u00c9 preciso dar apre\u00e7o sempre. H\u00e1 causas que nunca deixam livres aqueles, hoje mais velhos, que por elas sofreram e lutaram. N\u00e3o podem agora ser mendigos das migalhas que caem da mesa do poder. Elas continuam suas.<\/p>\n<p>\u00c9 essencial que ningu\u00e9m se sinta a mais na fam\u00edlia, na sociedade e na Igreja. Todas s\u00e3o p\u00e1tria comum, espa\u00e7o de vida, lugares de permuta e colabora\u00e7\u00e3o. Em todas o amor \u00e9 lei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sociedade complicada, esta em que n\u00f3s vivemos. As rela\u00e7\u00f5es pessoais s\u00e3o sempre o espa\u00e7o em que as complica\u00e7\u00f5es mais se acentuam e as tens\u00f5es ganham maior relevo. N\u00e3o devia ser assim, quando se trata de pessoas adultas, embora com idades diferentes. 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