{"id":15586,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15586"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-festa-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-festa-4\/","title":{"rendered":"A festa (4)"},"content":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas <!--more--> C) Ecclesia ludens<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o pode ser estranho que a Igreja esteja a amadurecer na sua espiritualidade para uma chave mais positiva, mais em conson\u00e2ncia com os valores da vida e do Reino, como sacramento vivente do amor de Deus, como pregadora convencida da boa not\u00edcia, superando os esquemas que a poderiam fechar numa imagem de superorganiza\u00e7\u00e3o, supermoralismo ou de superasc\u00e9tica puritana. Ela \u00e9 uma comunidade crist\u00e3 que diz \u00absim\u00bb ao bom e ao belo, que se abre ao mundo (Gaudium et spes, do vaticano II), que conjuga a miss\u00e3o construtora e prof\u00e9tica com a primazia da gra\u00e7a, da esperan\u00e7a e da alegria ( cf. a Gaudete in Domino, de Paulo VI). A Igreja tem que saber fazer festa, ser uma verdadeira Ecclesia ludens. A queixa do salmo (\u00abcomo fazer festa em terra estrangeira?\u00bb) deve resolv\u00ea-la com uma vis\u00e3o optimista e pascal, apesar da dor e da fadiga da hist\u00f3ria. Os s\u00edmbolos sacramentais que Cristo lhe confiou \u2013 sinais comunicativos dos melhores valores transcendentes do Reino \u2013 n\u00e3o podem ser mais festivos: o banho na \u00e1gua, a un\u00e7\u00e3o com o \u00ab\u00f3leo da alegria\u00bb, o p\u00e3o e o vinho da comida fraterna&#8230; E, como chave central de toda a espiritualidade, o amor. Ou seja, o \u00absim\u00bb a tudo o que \u00e9 bom. E como disse S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, ubi caritas gaudet, ibi est festivitas: onde h\u00e1 amor gozoso, a\u00ed se celebra a festa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e0 Igreja lhe foi confiada uma miss\u00e3o dif\u00edcil, messi\u00e2nica, que sempre lhe foi levando a cruz. Mas, como Cristo, deve cumprir esta tarefa de luta e liberta\u00e7\u00e3o num clima positivo e de afirma\u00e7\u00e3o: num clima de festa.<\/p>\n<p>E) A heran\u00e7a do Antigo Testamento<\/p>\n<p>Na abundante heran\u00e7a que a comunidade crist\u00e3 recebeu do povo judeu est\u00e1 tamb\u00e9m uma espiritualidade positiva, capaz de entoar a Deus uma ora\u00e7\u00e3o admirativa e de b\u00ean\u00e7\u00e3o, apesar de estar no meio de uma hist\u00f3ria realmente atormentada. E, dentro desta espiritualidade, a capacidade de festa. Muitas das festas crist\u00e3s derivam directamente das do AT, sobretudo, a P\u00e1scoa e o Pentecostes. Outras tiveram a sua raiz num contexto mais pag\u00e3o e c\u00f3smico, como a do Natal. <\/p>\n<p>O povo judeu \u00e9 um dos que souberam incorporar melhor a din\u00e2mica festiva na sua cultura e religi\u00e3o, como elemento essencial da sua vida e da sua compreens\u00e3o da hist\u00f3ria. A festa da P\u00e1scoa, que mergulha as suas or\u00edgens no ritmo mais primitivo dos n\u00f3madas e povos agr\u00edcolas (as prim\u00edcias dos rebanhos ou dos campos, na Primavera), coloriu-se profundamente como memorial da grande liberta\u00e7\u00e3o do Egipto, o \u00eaxodo. A festa do Pentecostes, tamb\u00e9m radicalmente ligada \u00e0 colheita de Ver\u00e3o, celebrou-se depois tamb\u00e9m como recorda\u00e7\u00e3o da primeira Alian\u00e7a no monte Sinai. O c\u00f3smico e o salv\u00edfico, harmonicamente conjugados num conceito de festa tipicamente judaica, que a seguir passou \u00e0 nova primavera, a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, e Pentecostes, como a irrup\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito sobre a nova Igreja.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o s\u00e1bado judaico, admir\u00e1vel conjuga\u00e7\u00e3o da festa c\u00f3smico-humana e do memorial semanal da Alian\u00e7a, legou ao domingo crist\u00e3o, apesar da sua ineg\u00e1vel originalidade, algumas das suas caracter\u00edsticas mais valiosas. O NT n\u00e3o rompe com os esquemas pedag\u00f3gicos da festa judaica, mas infunde-lhes conte\u00fados novos e um estilo caracter\u00edsticos, centrados em Jesus Cristo. <\/p>\n<p>SDPL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Notas Lit\u00fargicas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-15586","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15586","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15586"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15586\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}