{"id":15597,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15597"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-alcoolismo-semeia-lagrimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-alcoolismo-semeia-lagrimas\/","title":{"rendered":"&#8220;O alcoolismo semeia l\u00e1grimas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Centro de Alco\u00f3licos Recuperados do Distrito de Aveiro <!--more--> \u201cPensando bem&#8230; o alcoolismo semeia l\u00e1grimas, extingue a alegria e converte o lar num c\u00e1rcere de tortura.\u201d Estes s\u00e3o apenas alguns conceitos com que se pretende chamar a aten\u00e7\u00e3o para os malef\u00edcios do abuso do \u00e1lcool. No Centro de Alco\u00f3licos Recuperados do Distrito de Aveiro (CARDA), onde os lemos, procur\u00e1mos quem nos elucidasse sobre  o caminho a seguir para deixar essa terr\u00edvel doen\u00e7a que \u00e9 inimiga do homem, da fam\u00edlia e da sociedade.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Soares, presidente da Direc\u00e7\u00e3o do CARDA, um alco\u00f3lico recuperado, n\u00e3o esconde o seu passado nem a alegria que sente em ajudar os que se encontram dominados pela bebida. E n\u00e3o deixa de nos revelar que por esta IPSS (Institui\u00e7\u00e3o Particular de Solidariedade Social) j\u00e1 passaram, desde Maio de 1999, 350 alco\u00f3licos, dos quais 60 por cento se encontram recuperados, 15 por cento est\u00e3o em fase de recupera\u00e7\u00e3o e 25 por cento s\u00e3o utentes do Centro Regional de Alcoologia de Coimbra.<\/p>\n<p>No CARDA, os doentes aparecem voluntariamente, por iniciativa de familiares ou de outras institui\u00e7\u00f5es, nomeadamente hospitais. A maioria n\u00e3o se apresenta com muita convic\u00e7\u00e3o. Alguns v\u00eam \u201capalpar o terreno\u201d e logo s\u00e3o recebidos pela t\u00e9cnica do servi\u00e7o social, que faz o historial da situa\u00e7\u00e3o. Uma psic\u00f3loga analisa o caso e procura a melhor solu\u00e7\u00e3o para ajudar o doente, iniciando-se de imediato o processo de apoio.<\/p>\n<p>Normalmente, todos s\u00e3o encaminhados para a desintoxica\u00e7\u00e3o em Coimbra, com internamento de tr\u00eas semanas.  E no regresso, para al\u00e9m do acompanhamento que o CARDA presta, os doentes passam a frequentar as reuni\u00f5es terap\u00eauticas que integram alco\u00f3licos recuperados. S\u00e3o encontros onde os mais experientes tentam transmitir o seu esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o e os frutos positivos que dele recebem.<\/p>\n<p>\u201cEstas reuni\u00f5es levam os doentes a falar sem medo, sem vergonha e sem complexos dos seus problemas, das suas dificuldades na fam\u00edlia e nos meios que frequentam\u201d, frisou M\u00e1rio Soares. Recebem o est\u00edmulo dos que passaram pelas mesmas situa\u00e7\u00f5es, aceitam garantias de ajuda para continuarem a lutar contra a doen\u00e7a, sabendo-se \u00e0 partida \u201cque o alcoolismo n\u00e3o tem cura, sendo, no entanto, poss\u00edvel viver com ele\u201d, afirmou o nosso entrevistado.<\/p>\n<p>A for\u00e7a de vontade, o acompanhamento do CARDA, da fam\u00edlia e dos bons amigos e, sobretudo, a abstin\u00eancia total s\u00e3o indispens\u00e1veis para que o que sofre do alcoolismo possa recuperar e passar a levar uma exist\u00eancia normal, \u201csem fugir da vida, das festas, dos casamentos,  das adegas\u201d, lembrou M\u00e1rio Soares. E acrescentou: \u201co mais importante \u00e9 a pessoa assumir que \u00e9 alco\u00f3lica e acreditar que, para ser feliz, n\u00e3o pode beber.\u201d <\/p>\n<p>O CARDA, que tem uma despesa mensal de 5000 euros, recebe da Seguran\u00e7a Social apenas 2700 euros por m\u00eas e para cobrir o d\u00e9fice tem contado com contributos das C\u00e2maras Municipais de Oliveira de Azem\u00e9is, Albergaria, Vale de Cambra e de S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, bem como das Juntas de Freguesia da Gl\u00f3ria e da Vera Cruz. H\u00e1 ainda contribui\u00e7\u00f5es de alco\u00f3licos recuperados e de algumas pessoas de boa vontade. Por\u00e9m, as dificuldades e as despesas s\u00e3o enormes. Da\u00ed que a institui\u00e7\u00e3o necessite, urgentemente, de mais apoios, para ajudar mais doentes. <\/p>\n<p>M\u00e1rio Soares, presidente do CARDA<\/p>\n<p>Um vencedor<\/p>\n<p>M\u00e1rio Soares, presidente do CARDA, fala da sua experi\u00eancia sem complexos. \u00c9 um alco\u00f3lico recuperado. Come\u00e7ou a beber aos 20 anos, em Angola, no servi\u00e7o militar. Como tantos outros que conhece. Nessa altura, nunca assumiu a doen\u00e7a. <\/p>\n<p>Teve um acidente de via\u00e7\u00e3o, grave, que provocou a morte de um indiv\u00edduo de 38 anos, com oito filhos. \u201cSe n\u00e3o bebesse, estou convencido de que o teria evitado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Passou por v\u00e1rios empregos, nunca se tendo fixado em nenhum. Era extremamente violento com a fam\u00edlia e tudo quanto tinha perdeu por causa do \u00e1lcool. \u201cFui mau pai, mau marido e um outro acidente levou-me  a acordar para a realidade\u201d, disse.  \u201cConvenci-me de que o \u00e1lcool me estava a destruir\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ajudaram-no a organizar  as suas ideias, passou pela desintoxica\u00e7\u00e3o e recebeu, desde sempre, o carinho e apoio da fam\u00edlia, \u201cque foi excepcional\u201d. E hoje considera-se um homem feliz, porque j\u00e1 conseguiu restituir \u00e0 fam\u00edlia parte do que dele sempre esperou e ainda ajuda os que sofrem como ele sofreu. E s\u00f3 tem uma grande m\u00e1goa. A de ter perdido os melhores anos da sua vida com o v\u00edcio do \u00e1lcool.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro de Alco\u00f3licos Recuperados do Distrito de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-15597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-regioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}