{"id":15617,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15617"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"educacao-crista-e-mais-do-que-cumprir-normas-religiosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/educacao-crista-e-mais-do-que-cumprir-normas-religiosas\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 mais do que cumprir normas religiosas"},"content":{"rendered":"<p>Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 &#8211; 5 a 12 de Outubro <!--more--> Vivemos numa sociedade pluralista que nos vai \u201cobrigando\u201d a ver as coisas e a olhar as realidades de um modo muito diferente daquela a que nos habitu\u00e1mos. Este pluralismo, muitas vezes mais te\u00f3rico do que pr\u00e1tico, leva-nos a p\u00f4r em quest\u00e3o tudo e todos, mesmo aquelas realidades que nos pareciam mais \u201cdogm\u00e1ticas\u201d. <\/p>\n<p>Falar-se hoje em educa\u00e7\u00e3o \u00e9 entrar dentro de um destes mundos em que \u00e9 dif\u00edcil referenciar par\u00e2metros que encaixem o apoio de todos. Apregoa-se aos quatro ventos a educa\u00e7\u00e3o para os valores sem que se tenha deles uma clara defini\u00e7\u00e3o, ainda que somente filos\u00f3fica!<\/p>\n<p>Se n\u00e3o estamos de acordo quanto a defini\u00e7\u00f5es de valores, muito menos vamos concordar na elabora\u00e7\u00e3o de projectos de car\u00e1cter educativo. Atente-se, por exemplo, no facilitismo generalizado pretendido por uns como caminho de liberdade e crescimento, e na exig\u00eancia experimentada do trabalho e do compromisso assumidos como via de maturidade humana e social, por outros.<\/p>\n<p>Nem a n\u00edvel dos respons\u00e1veis se consegue chegar a um consenso maiorit\u00e1rio neste projecto educativo. Complicado, sem d\u00favida!<\/p>\n<p>De uma maneira ou de outra, o mais grave ainda \u00e9 que as diversas opini\u00f5es sofram, a maior parte das vezes, da mesma doen\u00e7a: s\u00e3o opini\u00f5es tomadas ao sabor das mar\u00e9s e raramente fundamentadas. Por isso, fala-se por falar, opina-se por opinar, a moda \u00e9 discordar.<\/p>\n<p>O que referi \u00e9 igualmente v\u00e1lido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o chamada religiosa. Por isso, permitam-me, em Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, chamar a aten\u00e7\u00e3o para alguns aspectos. Queria dizer que educa\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. A educa\u00e7\u00e3o religiosa fica-se, muitas vezes, pelo superficial, pelo ritual, pelo mero cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es que s\u00e3o satisfeitas na base de algum sentimentalismo, de algum medo,\u00a0com alguma marca de capricho pessoal ou de\u00a0 grupo, e de modo, quase sempre, ocasional.<\/p>\n<p>Individualiza-se a rela\u00e7\u00e3o com o divino, invoca-se o divino para proteger o humano, sobretudo quando sou eu que estou em causa. E quando se precisa&#8230; a gente sempre tem de bater \u00e0 porta de Algu\u00e9m!&#8230; Este individualismo pode facilmente redundar num \u201cpatinar\u201d em que as rodas andam, mas n\u00e3o desenvolvem movimento. A evolu\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o cabem aqui; o legalismo ganha for\u00e7as de \u201cdogma\u201d, o ritualismo sobrep\u00f5e-se \u00e0 vida, o grupo transforma-se em seita, o ego\u00edsmo imp\u00f5e-se e tudo ter\u00e1 que girar \u00e0 nossa volta. E eu, firme, c\u00e1 tenho a minha f\u00e9, que conservo fielmente, qual j\u00f3ia num cofre bem guardada, qual dama num castelo bem protegido, at\u00e9 dos ventos, porque at\u00e9 os ventos podem trazer o mal.<\/p>\n<p>O sentido do religioso \u00e9 bom porque nos conduz ao divino, mas s\u00f3 \u00e9 levado \u00e0 plenitude quando esse divino vem at\u00e9 n\u00f3s, encarna em n\u00f3s e muda, cont\u00ednua e progressivamente, a nossa vida: isto \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Ela \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o pessoal e amiga com Deus que nos leva a estabelecer igual rela\u00e7\u00e3o, pr\u00e1tica e comprometida, com a sociedade, tal qual ela se nos apresenta, esta e n\u00e3o outra, com a Igreja, a de Jesus Cristo e n\u00e3o a minha, com as pessoas concretas e seus os projectos concretos. Enquanto o meramente religioso diz \u201cquando precisar rezo\u201d, o religioso crist\u00e3o faz do mundo e da vida uma ora\u00e7\u00e3o: \u00c9 atrav\u00e9s de atitudes concretas e di\u00e1rias, de uma vida sem compartimentos fechados, que Deus passa pelo mundo e o mundo passa para Deus.<\/p>\n<p>Precisamos de educar a nossa f\u00e9: Ela exprime-se diariamente em interven\u00e7\u00f5es e atitudes correspondentes aos princ\u00edpios e valores que apregoamos: \u00c9 vivencial.<\/p>\n<p>Se assim n\u00e3o for, em vez de F\u00c9, teremos uma \u201cf\u00e8zada\u201d, (desculpem o erro, mas \u00e9 intencional), sintoma doentio do vazio religioso. Quantas confus\u00f5es se geram nas nossas par\u00f3quias por falta de educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos nossos cat\u00f3licos!<\/p>\n<p>O crist\u00e3o n\u00e3o pode ser apenas religioso; tem que ser crist\u00e3o, isto \u00e9, tem de viver \u00e0 maneira de Jesus Cristo que, em obras e palavras, passou FAZENDO o bem.<\/p>\n<p>*Respons\u00e1vel diocesano da Vigararia da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 &#8211; 5 a 12 de Outubro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-15617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}