{"id":15626,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15626"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"permanentes-ao-servico-do-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/permanentes-ao-servico-do-reino\/","title":{"rendered":"Permanentes ao servi\u00e7o do reino"},"content":{"rendered":"<p>Visito-os regularmente, com a regularidade que a vida me permite. Apesar de tudo, sempre menos do que desejava. \u00c9 um dever de fraterna gratid\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma gra\u00e7a que me permite saborear que \u00e9 sempre mais o que se recebe, quando se d\u00e1 ou se faz alguma coisa por amor.<\/p>\n<p>Encontro-os muitas vezes, como encontro os idosos e os doentes da sua idade: contas na m\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o em Deus, pensamento fixo no \u00faltimo campo de apostolado. Em adora\u00e7\u00e3o e louvor, em s\u00faplica e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, pela forma que lhes \u00e9 mais acess\u00edvel para alimentar o zelo, a dedica\u00e7\u00e3o e a generosidade de uma vida rica de sentido. Alguns, a maioria, j\u00e1 nem podem celebrar a Eucaristia, nem rezar a Liturgia das Horas. Descobrem, por fim, que a Eucaristia e o brevi\u00e1rio, que nunca omitiam, \u00e9 agora a aceita\u00e7\u00e3o serena da vontade do Pai, na experi\u00eancia di\u00e1ria das suas limita\u00e7\u00f5es e na descoberta de capacidades e possibilidades que, apesar de tudo, persistem.<\/p>\n<p>S\u00e3o os nossos padres idosos e doentes, entregues ao cuidado de familiares ou de pessoas dedicadas, que a Diocese tem presentes de muitos modos e com especial apre\u00e7o e gratid\u00e3o. Est\u00e3o, de pleno direito, no cora\u00e7\u00e3o do Bispo e na partilha solid\u00e1ria do presbit\u00e9rio diocesano. <\/p>\n<p>Recordo quando os conheci, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o mais de vinte anos, ent\u00e3o saud\u00e1veis e a transbordar de zelo, de preocupa\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas, de vontade em pautar a sua vida pessoal e o seu dever pastoral pelas orienta\u00e7\u00f5es da Igreja. Recordo-os, interessados em acertar o passo com o Conc\u00edlio, lutando para darem testemunho e despertarem, pelos meios poss\u00edveis, para os caminhos do bem, os que faziam parte da sua responsabilidade di\u00e1ria. <\/p>\n<p>Chamam-se eles Albano, Alexandre, Albino, Alfredo, Messias, Manuel, este um nome que se repete v\u00e1rias vezes. Refiro-me agora somente \u00e0queles que j\u00e1 s\u00f3 se v\u00eaem se os formos ver, pois outros, arrastando limita\u00e7\u00f5es vis\u00edveis, ainda se mostram, por vezes, eles mesmos no servi\u00e7o do templo e do Reino, quando as ocasi\u00f5es se proporcionam, a sua presen\u00e7a se torna \u00fatil e os achaques o v\u00e3o permitindo.<\/p>\n<p>O padre, todo o padre, foi ordenado para ser padre toda a vida. Sem condi\u00e7\u00f5es, nem  descontos de generosidade. Sem que o determine o lugar onde \u00e9 chamado a servir ou os trabalhos que lhe s\u00e3o pedidos. Sem que os elogios ou as incompreens\u00f5es o tornem dependente.<\/p>\n<p>Nunca lhe s\u00e3o indiferentes as pessoas, porque delas se sente servidor. Nunca deixam de o tocar as dores da Igreja, porque dela se sente filho. Idoso ou doente, \u00e9 sempre um servidor do Reino. <\/p>\n<p>O soldado da primeira fila n\u00e3o dispensa o da retaguarda. Os mais novos andam pelos caminhos que os mais velhos arrotearam. Os mais apost\u00f3licos ser\u00e3o sempre os que mais amam. Quem muito se deu, foi porque muito amou. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Visito-os regularmente, com a regularidade que a vida me permite. Apesar de tudo, sempre menos do que desejava. \u00c9 um dever de fraterna gratid\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma gra\u00e7a que me permite saborear que \u00e9 sempre mais o que se recebe, quando se d\u00e1 ou se faz alguma coisa por amor. 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