{"id":15628,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=15628"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-semana-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-semana-6\/","title":{"rendered":"A Semana"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 impressionante a onda de informa\u00e7\u00e3o e de contra-informa\u00e7\u00e3o  sobre o estado de sa\u00fade do Papa. Apesar de Jo\u00e3o Paulo II continuar a trabalhar, decerto em conson\u00e2ncia com a sua idade e capacidade f\u00edsica, n\u00e3o deixa de espantar esta procura incessante de not\u00edcias sobre a sua situa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. A personalidade carism\u00e1tica do Papa e um grande carinho pelo seu exemplo  estar\u00e3o certamente na base daquela onda.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito deste interesse, dizia h\u00e1 dias um padre, numa das nossas televis\u00f5es, que n\u00f3s, os cat\u00f3licos, sem deixarmos de nos preocupar com a sa\u00fade, temos a obriga\u00e7\u00e3o de mostrar que aceitamos a morte e a velhice com naturalidade, at\u00e9 porque acreditamos que a vida continua para al\u00e9m delas. N\u00e3o far\u00e1 sentido, ent\u00e3o, estar-se sempre a especular sobre quando morrer\u00e1 o Papa e sobre os seus eventuais sucessores, porque isso acontecer\u00e1, certa mente,  sem que ningu\u00e9m saiba quando.<\/p>\n<p>Para j\u00e1, e isto \u00e9 importante que se diga, o Santo Padre est\u00e1 a dar um extraordin\u00e1rio exemplo ao mundo, provando que o trabalho dos idosos continua a ser t\u00e3o necess\u00e1rio como o dos mais novos. A sua palavra autorizada e oportuna, o seu testemunho de  amor e a sua entrega \u00e0 miss\u00e3o que assumiu em plenitude  s\u00e3o t\u00e3o v\u00e1lidos, hoje, como h\u00e1 25 anos atr\u00e1s, apesar das suas debilidades f\u00edsicas. <\/p>\n<p>Para qu\u00ea, ent\u00e3o, continuarmos a alimentar especula\u00e7\u00f5es sobre o seu estado f\u00edsico, quando, afinal, ele continua activo, com algumas limita\u00e7\u00f5es, \u00e9 certo, mas t\u00e3o necess\u00e1rio ao mundo como desde a primeira hora em que se sentou na cadeira de Pedro? E quando for para o Pai, ent\u00e3o \u00e9 que sentiremos a sua falta e recordaremos, para sempre, o seu exemplo de aut\u00eantico  homem de Deus.<\/p>\n<p>Em pol\u00edtica, h\u00e1 erros que n\u00e3o se podem cometer. E tamb\u00e9m \u00e9 verdade que um pol\u00edtico, sejam quais forem as suas responsabilidades, n\u00e3o pode facilitar nem optar por  ilegalidades, nem por solu\u00e7\u00f5es d\u00fabias. Ao m\u00ednimo descuido, por mais honesto e cumpridor da lei que ele seja, pode acontecer-lhe o que aconteceu ao ministro da Ci\u00eancia e do Ensino Superior, Pedro Lynce, que se viu obrigado a apresentar o seu pedido de demiss\u00e3o. Com dignidade, diga-se de passagem, e sem fugir \u00e0s responsabilidades que lhe cabem, neste processo ainda n\u00e3o totalmente esclarecido, sobre quem o levou a tentar contornar o que estava legislado.<\/p>\n<p>Objectivamente, algu\u00e9m puxou o tapete debaixo dos seus p\u00e9s, quando lhe apresentou a despacho um parecer relativo \u00e0 candidatura de uma aluna \u00e0 entrada  na Faculdade de Medicina, \u00e0 revelia das leis em vigor. Era filha de um colega de Governo, do ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros,  que nada fez  para isso, conforme jurou, mas que ter\u00e1 pactuado com o requerimento assinado pela filha. <\/p>\n<p>Pedro Lynce, que \u00e9 tido por homem honesto e incapaz de ceder a press\u00f5es, facilitou e assinou por baixo. Reconheceu o erro e deixou o Minist\u00e9rio. Mas tamb\u00e9m mostrou que hoje, num Estado de Direito, lapsos destes pagam-se caro. E n\u00e3o fez como outros pol\u00edticos que, escudados pela imunidade que o poder pol\u00edtico com frequ\u00eancia oferece, quantas vezes v\u00e3o escapando \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 impressionante a onda de informa\u00e7\u00e3o e de contra-informa\u00e7\u00e3o sobre o estado de sa\u00fade do Papa. Apesar de Jo\u00e3o Paulo II continuar a trabalhar, decerto em conson\u00e2ncia com a sua idade e capacidade f\u00edsica, n\u00e3o deixa de espantar esta procura incessante de not\u00edcias sobre a sua situa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. 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